Azusa Iwashimizu, zagueira que foi campeã do mundo pelo Japão em 2011, contou como superava meninos em velocidade quando criança, em perfil publicado nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, segundo a revista japonesa GOETHE. O texto é o primeiro capítulo de uma série sobre a trajetória da jogadora, que também conquistou a primeira Copa da Ásia do Japão e quatro títulos seguidos da liga japonesa pelo Nippon TV Beleza antes de se aposentar em 2026, após o casamento, a maternidade e lesões.
Segundo a GOETHE, Iwashimizu se encantou pelo futebol ainda no ensino fundamental, quando jogava misturada com meninos e gostava de se destacar entre eles. “Quando comecei a jogar futebol, era mais uma brincadeira. Os meninos da minha idade ainda tinham o corpo menor do que o das meninas, então eu costumava ultrapassá-los em velocidade”, disse a zagueira à revista.
Até o sexto ano do ensino fundamental, a seleção feminina do [Japão](/selecao/japao) era, para ela, algo distante, que o pai mencionava de vez em quando. Foi o próprio pai quem, sem avisá-la, a inscreveu na seleção da Nittv Menina, categoria de base do Nippon TV Beleza. No teste, ela se assustou com o nível técnico das outras meninas e hesitou, até o pai a repreender. Irritada com a cobrança, encarou a disputa e conseguiu uma vaga.
A própria jogadora reconhece que não passaria pela seleção se o critério técnico de hoje já valesse naquela época: ela se descreve como rápida e de marcação dura, um perfil que viraria arma nos anos seguintes. Na Menina, Iwashimizu entrou num ambiente em que chegar ao Beleza, o time principal, e depois à seleção japonesa era tratado como consequência natural, não como sonho pessoal, já que o clube carregava o peso de representar o futebol feminino do país.
No ensino médio, às segundas-feiras, dia de folga da Menina, ela trabalhava num izakaya para ganhar dinheiro. Foi ali, segundo a GOETHE, que desenvolveu a comunicação que usaria depois em campo, ao jogar ao lado de desconhecidas na seleção. A concorrência saudável do Beleza, onde todas miravam o topo sem atrapalhar as colegas, também ajudou a acelerar sua evolução.
Registrada pelo Beleza em 2003, Iwashimizu jogou 17 das 18 partidas da liga naquele ano. Em 2004 perdeu a disputa interna e não entrou em nenhuma partida, mas voltou como titular em 2005 depois de treinar pesado. Estreou pela seleção japonesa em fevereiro de 2006 e marcou o primeiro gol pelo país em maio do mesmo ano.
Em 2011, aos 24 anos, ela chegou à Copa do Mundo da Alemanha como parte de um Japão que ocupava a quarta posição no ranking da FIFA, atrás dos Estados Unidos, favoritos e primeiros colocados, e da anfitriã e campeã da edição anterior, a Alemanha, segunda colocada, além de vir de três Copas seguidas eliminado ainda na fase de grupos. Ela afirmou que nunca imaginou ser convocada para aquele grupo nem viver aquela experiência. O torneio começou em junho de 2011, três meses depois do terremoto que atingiu o leste do Japão em 11 de março daquele ano, com o país ainda abalado pela tragédia.
O perfil recupera, pela voz da própria jogadora, a origem de uma campanha que surpreenderia o mundo em 2011 e mostra como a concorrência interna do Beleza formou uma das zagueiras que sustentaram aquele título. O texto termina anunciando que o próximo capítulo da série vai tratar do confronto contra os Estados Unidos e da decisão em que, segundo a GOETHE, Iwashimizu acabaria pagando um preço alto, sem detalhar qual.
Em 2026, depois do casamento, da maternidade e de lesões, segundo a GOETHE.
A Copa do Mundo de 2011, a primeira Copa da Ásia do país e quatro ligas seguidas pelo Nippon TV Beleza.
O pai a inscreveu, sem avisá-la, na seleção da Nittv Menina, categoria de base do Nippon TV Beleza, quando ela estava no sexto ano do ensino fundamental.