A empresária Camille Amar, de 33 anos, organizou em 6 de junho de 2026 a Empower Cup, o maior torneio de futebol feminino entre empresas da França, informou o Les Echos. O torneio é da Manita, start-up que ela criou para servir de porta de entrada no futebol a mulheres que nunca jogaram e que, em quatro anos, chegou a Paris e a Marselha.
Formada em direito europeu e digital, Camille Amar começou a carreira como jurista de empresa. Conheceu o futebol numa noite em que o time masculino da empresa onde trabalhava a chamou para substituir um jogador ausente. Voltou nas semanas seguintes e ganhou lugar no time.
Ali ela percebeu duas coisas. Nenhuma mulher da empresa tinha sido convidada para os treinos semanais, enquanto colegas homens recém-contratados eram chamados logo. E, entre uma partida e outra, os jogadores tomavam decisões de trabalho, às vezes sobre a área dela, sem consultá-la. O futebol, concluiu, também era uma rede de contatos.
Nos campos, havia poucas mulheres. Segundo a Federação Francesa de Futebol, elas são 15% de quem joga: 230 mil jogadoras num total de 2,1 milhões de inscritos.
Camille Amar passou a levar amigas para o campo, tentou montar um time feminino e chegou a treinar equipes em algumas ocasiões. A pandemia de covid interrompeu os planos e também o contrato temporário dela. Em casa, ela desenhou um projeto de sessões de futebol avulsas para pôr mulheres em contato e criar uma comunidade de jogadoras. Com um amigo desenvolvedor, montou uma plataforma de inscrição.
A Manita virou projeto profissional em 2021. No mesmo ano, entrou na incubadora Willa, dedicada ao empreendedorismo feminino, e depois foi selecionada para o Le Tremplin, plataforma de inovação no esporte da Paris & Co, a agência de desenvolvimento econômico e inovação da prefeitura de Paris.
“A ideia era mesmo facilitar o acesso das mulheres ao futebol e derrubar as barreiras que fazem com que a gente não ouse entrar num clube, porque acha que não tem nível ou simplesmente porque não conhece ninguém lá dentro”, disse Camille Amar.
No primeiro ano, a Manita atendia só o público geral: a sessão de uma hora e meia custava por volta de 14 euros. Descontados o aluguel do campo e o pagamento de quem conduzia o treino, sobravam dois a três euros por jogadora a cada aula, ou 30 euros por horário.
A virada veio quando a PWC contratou a Manita para conduzir, durante o ano inteiro, treinos de futebol feminino para as funcionárias. Outros clientes vieram em seguida, entre eles a produtora audiovisual Médiawan.
Para abrir a empresa, Camille Amar juntou 15 mil euros de economias próprias, uma subvenção de 30 mil euros, um empréstimo Innov'up de 50 mil euros, concedido pelo Bpifrance e pela região de Île-de-France, e outro empréstimo bancário de 50 mil euros. Crescendo devagar e sem fazer evento com prejuízo, a Manita deu lucro cedo. Em quatro anos, chegou a Marselha, multiplicou o faturamento por dez e hoje tem dois funcionários e 22 profissionais independentes.
Segundo a fundadora, não. O público é de mulheres que não teriam coragem de se inscrever num clube: 90% das clientes nunca tinham jogado futebol de verdade, e muitas seguem para clubes tradicionais depois de uma temporada. No começo, a Manita foi acusada de concorrer com a Federação Francesa de Futebol. Hoje tem parcerias com clubes como o Red Star, de Paris, que perceberam que ela atrai um público que eles não alcançam.
A inscrição no torneio custou entre 1.500 e 3.000 euros por equipe. Para os próximos anos, Camille Amar quer ampliar a oferta para empresas, que garante a melhor receita, e levar a Manita a outras grandes cidades francesas, repetindo o modelo que testou em Marselha.
Para a torcedora que nunca pisou num campo, a Manita mostra um caminho que não passa pelo clube: começar entre iniciantes, no ambiente de trabalho, e só depois procurar uma equipe. Para o futebol feminino francês, que tem 230 mil jogadoras inscritas, é mais uma entrada para quem ainda está de fora.
Uma start-up francesa criada por Camille Amar em 2021 que organiza sessões de futebol para mulheres, sobretudo iniciantes, em Paris e Marselha.
A inscrição custou entre 1.500 e 3.000 euros por equipe.
Não, segundo a fundadora: muitas clientes vão para clubes tradicionais depois de uma temporada, e a empresa tem parceria com clubes como o Red Star.