Lúcio Ribeiro

Ted Lasso agora treina o feminino, e a maior série do mundo entrou de sola no nosso jogo

Lúcio Ribeiro
Abertura da coluna sobre a série Ted Lasso.
Arte: GINGA36

Você já viu? Ainda não? Então larga esse feed um minuto. Porque enquanto a gente aqui conta os dias pro apito no Maracanã, a série de futebol mais amada do planeta foi lá e fez o óbvio que ninguém tinha tido a santa coragem de fazer: botou o futebol feminino no meio do gramado, sob o holofote, pra todo mundo ver.

Ted Lasso voltou. Quarta temporada, no ar desde o comecinho de agosto no Apple TV+, um episódio por semana até outubro. E o bigode mais otimista da televisão não treina mais os moços do AFC Richmond, não senhor. O Ted pegou o time FEMININO do clube, na segunda divisão, aquele fim de mundo onde ninguém aposta um tostão. Que é, claro, exatamente onde a história fica boa.

Pensa na jogada. A série que fez gringo que não sabia o que era escanteio maratonar Copa do Mundo (foi o Brendan Hunt, o Coach Beard, quem lembrou disso) agora vira essa mesma câmera bonachona pro futebol delas. Jason Sudeikis, que é o Ted e é o dono da brincadeira toda, resumiu com a cara de pau de sempre: primeiro a diversão, e se de quebra alguém "descobrir que existe futebol feminino", ótimo. Ri, mas cai a ficha. É assim que um assunto vira papo de mesa de bar no mundo inteiro. Sem palanque. No riso.

E a turma toda tá lá: a Rebecca da Hannah Waddingham, a Keeley da Juno Temple, o Roy Kent resmungão do Brett Goldstein, o Higgins. Só que o vestiário é outro, a bola é outra, e o roteiro é o de sempre nessa casa: gente que ninguém levava a sério aprendendo, no muque e na piada, a arriscar e a agarrar a chance que apareceu. Te lembra alguma coisa? Devia.

Porque olha o timing, né? Isso pinga na tela agora, agosto de 2026, faltando menos de um ano pra primeira Copa do Mundo Feminina da história na América do Sul, aqui, na nossa casa. Não é coincidência bonita, é maré: a cultura pop e a arquibancada finalmente olhando pro mesmo lugar, ao mesmo tempo. E quando isso acontece, meu amigo, não tem volta.

Eu, que vivo entre o show de rock e a beira do campo, garanto: assunto que a ficção abraça, a vida cobra depois. O Ted Lasso está fazendo pelo futebol feminino o que um bom hino faz num festival: junta todo mundo antes de a partida começar.

Então fica o papo: assiste. E em 2027, quando o Maracanã tremer, lembra que a bola já tinha virado antes, num vestiário inventado da segunda divisão inglesa. Vem, Copa.

Lúcio Ribeiro, no PopGinga36

Lúcio Ribeiro