
A Copa do Mundo Feminina 2027 vira vitrine para a agenda de diversidade das marcas patrocinadoras, que usam o apoio ao torneio para mostrar ações voltadas a meninas e mulheres, como informou o Estadão em 11 de agosto de 2026. Dove e Coca-Cola estão entre as empresas que juntaram o patrocínio a programas próprios.
O torneio, que será disputado pela primeira vez no Brasil, está marcado para o período entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Segundo dados da FIFA enviados ao jornal, a competição conta oficialmente com 17 empresas: sete parceiras da FIFA, quatro patrocinadoras e seis apoiadoras.
A marca da Unilever anunciou o patrocínio no início de junho e, ao mesmo tempo, trouxe para o país o programa global Dove Confiança Corporal no Esporte. A iniciativa é voltada a meninas e adolescentes de 11 a 17 anos e quer ajudá-las a se sentir mais confortáveis e confiantes na prática esportiva, para evitar o abandono precoce das atividades.
A meta é alcançar 80 mil jovens no Brasil até o fim de 2027, em parceria com ONGs. Para Marina Ballini, diretora de Marketing de Sabonetes & Dove Masterbrand, o patrocínio é uma oportunidade de ampliar o compromisso da marca com a autoestima e a confiança corporal de meninas e mulheres. A executiva lembrou que 54% da alta liderança da Unilever são mulheres.
A Coca-Cola patrocina todas as edições do torneio feminino, criado em 1991, e também alinhou o apoio à sua agenda ESG, sigla para as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa. Segundo Mariana Kneipp, gerente-geral da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027 na companhia, o patrocínio faz parte de uma estratégia de ampliar oportunidades para mulheres em diferentes frentes.
O foco será a mobilização e a conscientização do público. Uma pesquisa da empresa com a plataforma Appinio mostrou que 58% dos brasileiros afirmam ter interesse em acompanhar o futebol feminino, mas apenas 55% sabem que o Brasil será sede da Copa. Para mudar esse quadro, a rede de fabricantes, distribuidores, clientes e parceiros nos pontos de venda deve ser acionada antes, durante e depois do torneio.
A FIFA não comentou a relevância de ter marcas apoiando a competição, mas disse estar comprometida com um evento de excelência para fortalecer o futebol feminino. A entidade mantém o departamento de Legado e Relações Institucionais da Copa do Mundo Feminina, liderado pela ex-capitã da seleção brasileira Aline Pellegrino, que busca usar o alcance do torneio para promover mudanças na sociedade e consolidar oportunidades de longo prazo para a modalidade.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmou, em nota ao jornal: “O futebol feminino se consolida como um produto de alto valor comercial, com visibilidade e retorno de imagem mensurável.” A entidade mantém os mesmos patrocinadores para as seleções feminina e masculina e determinou pausa obrigatória dos torneios de futebol no Brasil durante a Copa.
Marina Dayrell, cofundadora da Madá Consultoria de Futuro e especialista em políticas de diversidade de gênero, avalia que o patrocínio funciona como vitrine de reputação e permite às empresas unir suas ações internas e externas. Ela lembrou que quase 52% da população do país é composta por mulheres.
O apoio, porém, pode soar como incoerência se a estratégia interna não acompanhar a externa, alertou Dayrell. Uma empresa que patrocina o futebol feminino, mas tem maioria esmagadora de homens nos cargos de decisão, não investe em mulheres na liderança e convive com disparidade salarial, expõe essa contradição aos próprios funcionários.
Para a torcedora, a Copa no Brasil chega com marcas dispostas a investir além da propaganda, em programas para meninas e em campanhas para avisar o público de que o país é sede. Para as empresas, o torneio vira teste de coerência: o patrocínio só rende reputação se a prática dentro de casa corresponder ao discurso.
São 17, segundo a FIFA: sete parceiras, quatro patrocinadoras e seis apoiadoras.
Entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, no Brasil.
O departamento de Legado e Relações Institucionais, liderado por Aline Pellegrino, ex-capitã da seleção brasileira.