Iris Sesso, diretora do Corinthians feminino, admitiu que o clube pode cortar o orçamento das Brabas para 2027, em meio a um endividamento perto dos R$ 3 bilhões, informou o Meu Timão. Ela falou em entrevista coletiva após a derrota nos pênaltis para o Cruzeiro, na final da CONMEBOL Libertadores Feminina.
A dirigente disse que vai se reunir com o presidente Osmar Stabile para discutir o planejamento da próxima temporada, conversa que ainda não tinha acontecido por causa da sequência de jogos.
Iris Sesso tratou a redução como possibilidade concreta e citou a situação financeira do clube como algo conhecido. Ao mesmo tempo, defendeu que o elenco precisa manter o nível.
“Claro (é possível ter cortes), não é novidade para ninguém o momento financeiro. Tenho que ter responsabilidade, mas preciso manter a qualidade do elenco”, afirmou.
A diretora também lamentou a temporada sem títulos e disse que está chateada com os resultados, assim como as atletas. Para ela, o time deu o melhor que podia.
O Corinthians chegou a quatro finais em 2026 e foi vice-campeão em todas. Perdeu a Copa das Campeãs, o Mundial de Clubes Feminino, para o Arsenal, da Inglaterra; a Supercopa Feminina, para o Palmeiras; o Brasileirão Feminino, para o São Paulo; e, por último, a Libertadores Feminina, para o Cruzeiro.
O ano também teve atraso de pagamentos ao elenco: salários registrados em carteira pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), direitos de imagem e premiações. Salários e direitos de imagem foram regularizados em outubro, mas as premiações seguem pendentes. Em agosto, as jogadoras cobraram Osmar Stabile pessoalmente, no Parque São Jorge, por dois meses de direitos de imagem atrasados, de junho e julho, e pediram mais diálogo com a diretoria. Os valores foram acertados depois, mas novas parcelas atrasaram durante a Libertadores.
Iris Sesso reconheceu que os atrasos afetam o desempenho em campo e disse que tenta proteger o elenco dos problemas fora dele. Segundo ela, o departamento conversa com a diretoria para quitar o que falta o quanto antes.
O Corinthians escolhe em 28 de novembro o presidente para o triênio de 2027 a 2029, e Osmar Stabile não disputa a reeleição. A diretora pretende se reunir com os candidatos para conhecer as propostas para a modalidade e apresentar o trabalho do departamento.
Quatro candidatos estão confirmados: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes e Rozallah Santoro. Sérgio Janikian teve a inscrição indeferida pela Comissão Eleitoral, por ter, na data-limite do registro das chapas, condenação em segunda instância por crime contra a ordem tributária. A Justiça de Santa Catarina anulou esse julgamento em 30 de outubro, mas a comissão manteve o indeferimento. Segundo Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, Janikian precisará recorrer à Justiça para tentar disputar.
Uma das saídas buscadas pelo clube é o patrocínio. Na final da Libertadores, o Corinthians teve apoio pontual do Subway, rede de fast-food. A diretora afirmou que empresas e poder público precisam entender que o futebol feminino é rentável.
Hoje as Brabas têm quatro patrocinadores fixos no uniforme: Banco BMG, nas mangas; Broto Legal, no tórax; Remessa Online, na parte inferior das costas; e Tecnogera, na parte de trás do calção. O clube perdeu a Esportes da Sorte, antiga patrocinadora master, depois da proibição de sua atuação no segmento de apostas no Brasil, e o acordo com a Fatal Fans, empresa de conteúdo, foi vetado pela Justiça.
Para a torcedora, a temporada de 2027 das Brabas começa com duas incertezas ao mesmo tempo: o tamanho do orçamento e quem vai comandar o clube. A diretora quer cortar sem perder qualidade, e o elenco, que ainda espera premiações, chega à negociação depois de quatro finais perdidas no ano.
A diretora Iris Sesso disse que é possível, por causa da crise financeira, e que vai discutir o tema com a presidência.
Em 28 de novembro, para o triênio de 2027 a 2029. Osmar Stabile não disputa a reeleição.
Salários e direitos de imagem foram regularizados em outubro; as premiações seguem pendentes.