
“Desde muito pequena, eu amava ser goleira,” revelou Oriana Cristancho em entrevista à FIFA. “Com o tempo, percebi que é uma posição incrivelmente difícil. Pode ser bem ingrata, mas comecei a me apaixonar por ela.”
A promessa do Universidad de Chile fala com uma maturidade acima da idade, resultado de uma carreira repleta de conquistas precoces, incluindo o início na CONMEBOL Copa Libertadores Femenina em 3 de outubro do ano passado: um dia depois de completar 16 anos.
A Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026™ promete ser outro marco na carreira de Cristancho. A promissora goleira está determinada a aproveitar o que pode ser uma experiência única na vida. O Chile se prepara para sua terceira participação na competição, já que a Sub-17 de La Roja não aparece na lista do torneio desde a eliminação ao fim da fase de grupos em 2022.
Cristancho decidiu vestir as luvas depois de experimentar uma série de atividades esportivas, e rapidamente se sentiu em casa entre as traves, dando o salto para o profissionalismo pelo Universidad de Chile, clube de Santiago, quando tinha apenas 15 anos.
Com pouco mais de uma semana para o Chile estrear na campanha do Marrocos 2026 contra a Austrália, a capitã conversou com a FIFA sobre o que a técnica Vanessa Arauz está construindo, suas aspirações para o torneio e a responsabilidade de vestir a braçadeira de capitã.
Oriana Cristancho: Estamos felizes e não vemos a hora de começar, mas também sabemos do peso que carregamos nos ombros ao representar nosso país em uma Copa do Mundo. Estamos em ótima forma. Somos um grupo muito unido, e estamos ansiosas para defender as cores do Chile.
Tudo começou depois de uma final que disputei nas categorias de base. Um dos treinadores da seleção que esteve naquela partida veio até mim e disse que gostaria de me observar nas categorias de base da seleção. Duas semanas depois, recebi a convocação. Fiquei muito feliz, porque esperava por essa oportunidade havia um tempo. Isso foi há cerca de dois ou três anos, quando eu tinha 14 anos.
Acho que um dos meus maiores ícones chilenos é Christiane Endler. Eu olho para a carreira que ela teve e como ela orgulhou nosso país ao representar o Chile em torneios e jogar em ligas no exterior.
Uma coisa que realmente me ajudou foi a experiência de jogar ao lado de jogadoras mais velhas no time principal do Universidad de Chile, assim como nas diferentes categorias da seleção, no time principal e na Sub-20. Isso me ensinou a lidar com a frustração e com a pressão. Quando estou com a Sub-17, procuro usar minha experiência para ajudar o máximo que posso.
Foi um jogo emocionante. Como goleiras, vemos tudo acontecer na nossa frente. Nos sentimos um pouco impotentes quando as coisas não estão funcionando para o time, e não há muito que possamos fazer além de nos comunicar e estar ali pelas nossas companheiras. Foi muito frustrante e foi uma partida muito equilibrada. O jogo se aproximava do final. Quando conseguimos aquele gol, todas ficaram muito animadas, porque nenhuma de nós já tinha se classificado para uma Copa do Mundo.
É verdade que estamos em um grupo difícil, mas sabemos muito bem como é duro enfrentar esse tipo de equipe. Jogar contra elas vai nos ajudar a medir nosso nível frente a seleções desse porte. Sabemos que podemos jogar de igual para igual com elas, então é bom enfrentar uma competição tão forte na fase de grupos.
Depois do Campeonato Sul-Americano, nossa preparação envolveu excursões e amistosos contra Estados Unidos e Canadá, que nos ajudaram na parte tática. Continuamos nos entendendo como grupo, seguindo unidas e trabalhando duro. Várias das meninas também ganharam experiência na Sub-20, na Sub-17 e na Sub-15, o que nos ajudou a chegar preparadas para a Copa do Mundo. Acreditamos que podemos fazer uma boa campanha.
A técnica [Vanessa Arauz] sempre reforçou a importância dos valores humanos. Isso nos ajudou a confiar na comissão técnica e a acreditar no que estamos fazendo, tanto tecnicamente quanto taticamente. Isso nos dá a confiança para fazer o que precisamos e crescer individualmente e como equipe.
Já conversei com outras jogadoras que viveram isso, e elas dizem que é incrível e que não há nada parecido. É isso que eu imagino que vai ser, com base no que vi na TV e nas redes sociais. Parece um evento especial, diferente de tudo que já vivi. Todo mundo me disse para simplesmente aproveitar. É algo que as pessoas costumam dizer sobre torneios internacionais: levar as coisas a sério, mas também se divertir.
Quero que a gente vá o mais longe possível, que compita no mais alto nível, que ganhe todos os jogos que puder e que mantenha nosso nível de desempenho, estando uma pelas outras como equipe. No que depende de mim, quero fazer tudo o que puder para ajudar o time a avançar. Sei que existe um prêmio de melhor goleira, mas isso é algo que vai se resolver sozinho conforme o torneio avança. Só quero fazer a minha parte e dar o meu melhor para ajudar o time.
Publicado originalmente pela FIFA em 08/10/2026: Cristancho: o Chile não vê a hora de começar →