Desde a véspera da final da CONMEBOL Libertadores Feminina 2026, Byanca Brasil tinha uma palavra na cabeça: acreditar. Levou-a para a preleção do Cruzeiro, acompanhada de um compromisso coletivo que deveria valer qualquer que fosse o placar. Mas ela ainda não sabia quantas vezes aquela convicção seria posta à prova diante do Corinthians, o maior campeão da história da versão feminina do torneio.
“Estou desde ontem com uma palavra na cabeça: acreditar. Foi o que falei na preleção. Se estivéssemos perdendo ou ganhando, iríamos acreditar. E a gente acreditou”, afirmou a atacante, que não conseguia parar de chorar após conquistar o título continental feminino pela primeira vez com o Cruzeiro na temporada de estreia do clube no torneio.
E justo ela, que já tinha dois títulos de Libertadores no currículo (por Corinthians/Audax e Palmeiras), reagiu como se esse fosse o mais especial de sua galeria pessoal. A emoção foi tanta que Byanca deixou o campo prometendo à esposa que agora, sim, o casal terá um filho. E o sentimento que ela declarou pelo Cruzeiro provou a força desta noite na história de sua vida: “Eu amo esse clube. Te amo, Cruzeiro, te amo!”
E há motivos práticos para celebrar tanto essa conquista. Além da honra de erguer o troféu inédito, a vitória por 5 a 4 nos pênaltis (após empate por 4 a 4 no tempo normal) também deu ao Cruzeiro as vagas para a disputa da Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2027™ e do Mundial de Clubes da FIFA 2028™ – o Corinthians também está classificado para este segundo torneio por ter vencido a Libertadores em 2024 e 2025.
Um relato por texto como este pode fazer a façanha do Cruzeiro parecer fácil. Porém, entre a conversa de Byanca Brasil na preleção antes do jogo e o último pênalti da decisão, o Corinthians chegou a abrir 3 a 0 de vantagem até o início do segundo tempo. As Cabulosas ensaiaram uma reação com dois gols de Byanca Brasil e Vitória Calhau, mas o Timão ainda marcou pela quarta vez e tentou jogar um balde de água fria.
A dupla formada por Gabi Zanotti e Vic Albuquerque (dois gols cada) parecia imparável e imbatível. Mas, do outro lado, estava um time que foi apelidado de Cabuloso por algum motivo. Ketlin marcou aos 29 minutos do segundo tempo, e Letícia Ferreira fez o gol do empate por 4 a 4 aos 45 da etapa final. Assim, a decisão foi para os pênaltis.
Engana-se quem pensa que a disputa foi mais fácil do que o tempo regulamentar. A goleira corintiana, Lelê, defendeu a cobrança de Pri Back, mas Jaque Ribeiro chutou para fora na sequência. Nas alternadas, Lorena Bedoya também errou o alvo, assim como Gisela Robledo. A definição só veio depois de Milena Ferreira converter sua batida, porque aí Camila Rodrigues defendeu a cobrança de Gi Fernandes e garantiu o título.
A resistência demonstrada em campo havia sido construída ao longo da competição. Mas Vitória Calhau, que marcou de pênalti durante o jogo e voltou a converter na disputa por penalidades, admitiu que a confiança nem sempre foi tão firme quanto seus chutes.
“Nem a gente acreditava no começo que seria possível. Mas nosso time se uniu muito desde que chegou aqui, com jogos sensacionais e resiliência”, contou a zagueira. “Sou muito resiliente. Estamos muito felizes, não tenho nem palavras para descrever.”
Para Byanca, o percurso até o título também passou por dúvidas que iam além das dificuldades de enfrentar o Corinthians. Muito antes de marcar o primeiro gol do Cruzeiro e dar assistência para o terceiro, a atacante havia considerado não disputar o torneio.
“No Cruzeiro eu vivi de tudo, mano. Meu pior momento, meu melhor momento. Só eu sei o que passei com todas as críticas. Quantas vezes pensei em não vir para essa competição”, revelou a jogadora, que ainda continuava chorando.
Ao explicar o que a sustentou, Byanca falou da fé, agradeceu à família e lembrou as companheiras que ficaram no Brasil. Havia um pedido delas que dependia desta conquista: o Cruzeiro queria voltar à Libertadores no ano seguinte. Agora, mais do que isso, as Cabulosas terão dois torneios globais da FIFA pela frente em 2027 e 2028.
“Elas me pediram isso. Eu só quero agradecer a Deus, a minha família, ao meu pai por ter ensinado a fazer isso em campo, à minha esposa. Vida, te amo, agora o filho vai sair.”
A celebração também teve espaço para reconhecer quem estava do outro lado. Superar o multicampeão Corinthians é para poucas, e o adversário mostra o tamanho da conquista cruzeirense. Afinal, o Timão ainda é o maior campeão da Libertadores Feminina. Além disso, Byanca estendeu seu reconhecimento à atuação das alvinegras fora de campo.
“O Corinthians é uma grande equipe, respeito máximo por tudo que elas fazem por nós e por toda a voz que usam para brigar por coisas para a gente [no futebol feminino], agradeço muito por isso. Mas dessa vez deu a gente, por merecimento”, acrescentou.
A palavra “acreditar” levada à preleção só teve força porque o Cruzeiro se mostrou inconformado com a derrota e, assim, resistiu ao terceiro gol corintiano, ao quarto e aos pênaltis desperdiçados por sua própria equipe. O Cabuloso acreditou na fé de Byanca.
Por fim, a mesma atacante que agora é tricampeã da Libertadores – e que antes chegou a pensar em não ir à competição em 2026 – já sabe o lugar que essa noite ocupará em sua trajetória para sempre: “Eu amo esse clube, agora estou na história do Cruzeiro.”
O título dá ao Cruzeiro, na temporada de estreia do clube no torneio, vagas na Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2027 e no Mundial de Clubes da FIFA 2028. As Cabulosas passam a ter dois torneios globais da FIFA pela frente. O Corinthians, que segue como maior campeão da Libertadores Feminina, também está classificado para o Mundial de 2028, por ter vencido o torneio em 2024 e 2025.
O Cruzeiro venceu por 5 a 4 nos pênaltis, após empate por 4 a 4 no tempo normal. O Corinthians chegou a abrir 3 a 0 até o início do segundo tempo, e Letícia Ferreira marcou o gol de empate aos 45 da etapa final.
A conquista garante vagas na Copa dos Campeões Feminina da FIFA 2027 e no Mundial de Clubes da FIFA 2028.
A atacante é tricampeã da Libertadores, com títulos por Corinthians/Audax, Palmeiras e Cruzeiro.
Publicado originalmente pela FIFA em 01/11/2026: De onde o valente Cruzeiro tirou força para vencer a final que parecia perdida →