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Dunn: pareceu o momento perfeito para se aposentar

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Crystal Dunn, da seleção dos Estados Unidos.
Foto: Divulgação/FIFA

Dunn se aposenta depois de uma carreira icônica pela seleção feminina dos Estados Unidos — Estrela versátil conquistou a Copa do Mundo Feminina da FIFA e o ouro olímpico — "Eu sempre tive que equilibrar ser egoísta e altruísta", ela conta à FIFA Crystal Dunn consolidou seu legado como uma das estrelas mais altruístas a atuar pela sempre vitoriosa seleção dos Estados Unidos, atacante nata que deixou as ambições pessoais de lado pelo bem coletivo para se tornar campeã da Copa do Mundo Feminina da FIFA™ e campeã olímpica como lateral. Aos 33 anos, que anunciou recentemente sua aposentadoria do esporte, ela teve um início impressionante na carreira internacional, estreando no cenário global na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Nova Zelândia 2008™ e ajudando os Estados Unidos a vencer a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA™ no Japão quatro anos depois. Mas depois de fazer a transição para a equipe principal em 2013, Dunn encontrou dificuldade para se firmar num elenco recheado dos Estados Unidos e foi a última jogadora cortada do elenco da Copa do Mundo Feminina da FIFA Canadá 2015™. Ela logo descontou a frustração nas zagueiras adversárias na National Women's Soccer League (NWSL), vencendo a Chuteira de Ouro com 15 gols em 20 jogos pelo Washington Spirit, além de ganhar o prêmio de Jogadora Mais Valiosa (MVP) daquele ano. O canivete suíço de 1,55 m também fez questão de aprimorar seu jogo para nunca mais ficar de fora de um elenco de Copa do Mundo, tornando-se uma das melhores laterais-esquerdas do futebol internacional feminino ao longo de quase uma década, apesar de atuar totalmente fora de posição. Ao todo, Dunn disputou 160 jogos pelos Estados Unidos, participou de duas Copas do Mundo Femininas da FIFA, vencendo o título na França 2019, e de três Torneios Olímpicos de Futebol Feminino, onde ficou com o bronze em Tóquio 2020 e o ouro em Paris 2024. Após o anúncio da aposentadoria, a ex-jogadora do Paris Saint-Germain conversou com a FIFA sobre suas reflexões sobre a carreira, como tirou proveito da versatilidade, sobre se tornar campeã mundial e sobre seus planos para continuar no esporte.

FIFA: Por que você sentiu que era o momento certo para se aposentar? Crystal Dunn: Obviamente, a um ano da Copa do Mundo, de certa forma [a decisão] pegou as pessoas de surpresa, mas pareceu um momento muito bom. Sempre dei muito valor à família, aos amigos, à proximidade com as pessoas que realmente me apoiaram na carreira. Acho que, basicamente, chegou um momento em que eu não conseguia mais dar ao esporte do jeito que eu queria, do jeito que sei que é necessário para se manter no mais alto nível. Foi uma decisão difícil, mas fico feliz que tenha sido minha decisão, e consegui me despedir sentindo que talvez ainda tivesse um pouco mais a dar, mas num momento em que já tinha feito o suficiente. Já perdi tantos momentos da vida do meu filho e senti que o momento era perfeito. Conversei com várias amigas aposentadas e elas sempre dizem: 'Nenhum momento é realmente perfeito quando você dedicou tanto do seu tempo e da sua vida a um esporte.' Mas esse foi o momento mais perfeito, com tantos momentos do futebol pela frente. Agora eu posso ser torcedora desse esporte para o qual dei tanto de mim.

Você teve a chance de olhar para trás e refletir sobre a carreira? Sim, bastante. Conquistei muito, persegui muitos objetivos e sonhos. Acho que a gente nunca chega a comemorar de verdade ao longo do caminho... você ganha um prêmio e já está correndo atrás da próxima coisa. Então basicamente você não tem tempo para apreciar tudo o que fez, tudo o que conquistou e superou. Acho que a melhor coisa em me aposentar é basicamente [dizer para mim mesma]: 'Você fez o suficiente.' Acho que nunca senti que tinha feito o suficiente, e a aposentadoria me fez pensar que realmente fiz tudo, persegui tudo, e me sinto quase livre dessa mentalidade que a maioria das atletas tem, que é: 'Você tem que buscar mais, tem que continuar, você não está cansada, não está machucada...' O que eu senti foi a liberdade de respirar fundo e dizer: 'Você fez mais do que o suficiente', e isso foi muito bom.

Qual foi a importância de disputar várias Copas do Mundo de categorias de base para construir as bases da sua carreira? Foi muito importante. Para mim, representar os Estados Unidos ainda jovem, com responsabilidades... você está disputando uma Copa do Mundo de base. Lembro de estar no vestiário me preparando para esses grandes momentos com jogadoras que depois se tornaram profissionais ao meu lado, e todas nós lembramos como levávamos aquilo a sério, sempre da melhor forma. Parecia que estávamos representando a seleção principal. É interessante que eu fiz parte da primeira Copa do Mundo Feminina Sub-17. Isso me fez sentir tão velha! Mas também me deixou muito orgulhosa, porque fui pioneira em muitos sentidos e ajudei a construir as bases para nossa federação e para a importância de ser profissional desde jovem. Isso é o primeiro degrau da sua jornada. Ficamos em segundo lugar na Sub-17 e fiz parte de duas edições da Sub-20, ajudando a equipe a vencer em 2012. Ficamos eufóricas, e várias dessas jogadoras depois atuaram comigo na NWSL, e sempre puxávamos aquele assunto do nada, relembrando o momento de levantar o troféu no Japão. São memórias incríveis que vou guardar para sempre.

Um momento decisivo foi quando você não foi convocada para a Copa do Mundo Feminina de 2015. Como você superou aquele momento? Não fui a primeira a ser cortada de um elenco e não serei a última. É um momento difícil de lidar, porque você imaginava que uma realidade ia acontecer e, de repente, seu nome não é chamado. Você tem duas opções: fica remoendo, culpando todo mundo e não assume responsabilidade pelo que pode melhorar... e eu escolhi o caminho de pensar: 'Essa foi a opinião dessa pessoa naquele momento, e isso não me define.' Depois tive um dos anos mais bem-sucedidos da minha carreira profissional, vencendo a Chuteira de Ouro e o prêmio de MVP. Tive uma carreira muito interessante, em que precisei equilibrar duas identidades diferentes em campo. Fui uma jogadora de ataque e também representei a seleção principalmente como lateral. Quando olho para trás, penso: 'Como eu consegui? Como me mantive firme? Como assumi essas duas identidades tão diferentes e ainda acreditei que conseguiria render e estar no mais alto nível pelo meu time?' Quando fiquei de fora da Copa do Mundo Feminina de 2015, decidi que o céu era o limite para mim. Nunca fugi de nenhum desafio. Fui cortada, sim, mas fui atrás de provar por que deveria estar no elenco e provar por que sou uma jogadora de ponta. Esse foi um momento decisivo na minha carreira, e decidi me reinventar e investir em mim mesma. Fiquei muito orgulhosa de mim mesma por ter feito isso naquele momento.

Qual foi a importância da sua versatilidade para ter uma carreira internacional longa e bem-sucedida? Sempre tive que equilibrar ser egoísta e altruísta. Claro que eu queria jogar na posição em que me sentia melhor, mais livre ou mais confortável. Mas essa não foi minha realidade logo no início da carreira. Definitivamente houve dificuldades ao longo do caminho para lidar com aquela sensação de 'não estou jogando onde eu quero jogar' e 'e se eu não for boa nessa posição? E se eu não entrar no time porque estou jogando numa posição secundária?' Quando percebi que era ali que a técnica queria que eu jogasse, pensei: 'Agora é a hora de mostrar quem eu sou.' No início, como lateral, tive que decidir jogar a posição do jeito mais autêntico possível para mim. Precisei realmente me entregar ao que aquela posição significava, e quanto mais cedo fiz isso, mais me adaptei à função. Mas definitivamente não foi fácil. Joguei toda a minha carreira profissional como atacante e só atuei como lateral quando estava na seleção. Eu tinha metade dos treinos e sessões naquela posição, mas quando tive técnicas que acreditaram em mim, senti que conseguia realmente impactar o time no jogo.

Quais são suas principais lembranças da Copa do Mundo Feminina de 2019? Tantas lembranças. Uma delas foi: 'Fui cortada em 2015, esse é o meu momento, Crystal, não estraga tudo, porque você trabalhou muito duro para chegar até aqui.' Eu era titular e relativamente jovem, jogando ao lado de todas aquelas veteranas que já tinham passado por aquilo antes de mim, e lembro bem de me apoiar nelas para me guiarem na direção certa. Entrar numa Copa do Mundo pela primeira vez não tem ensaio de verdade para aquele momento, e você vai aprendendo na hora. Eu só pensava: 'Faça bem o seu trabalho, é só isso que pedem de você.' Com certeza fiquei nervosa, mas acho que consegui bloquear bem qualquer barulho externo e me apoiei nas minhas companheiras para atravessar os momentos difíceis.

Qual foi a importância de ser um exemplo para mulheres negras no futebol feminino dos Estados Unidos? Eu não me coloquei uma pressão extra para ser um exemplo. Acho que, para mim, mostrar o que mulheres negras podiam fazer no esporte acontecia pela ação. Sempre competi com a ideia de que a visibilidade é muito poderosa, e enquanto eu estiver atuando, em campo e visível, sei que isso impacta uma menina que se parece comigo e que talvez não acredite que pode estar nesse esporte ou que talvez não acredite que esse esporte era para ela. Sempre fui uma defensora das mulheres negras nesse esporte, e agora vejo que as mulheres negras no futebol não precisam mais lutar pelo que eu tive que lutar, e não precisam mais olhar ao redor e não ver ninguém parecido com elas. Acho isso muito poderoso. Eu não fugi de ser uma das poucas.

Você tem planos de continuar no esporte? Tenho muitos caminhos que acho que posso seguir, e é tudo tão novo estando aposentada. Pensei bastante, e embora eu queira continuar no jogo, isso precisa ser autêntico. Deixei uma carreira em que viajava muito e tenho um filho que, às vezes, eu mal via. A melhor forma de entrar nessa próxima fase da minha vida e nova carreira é priorizar o que realmente importa para mim, que é ter um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Comentar jogos é uma função interessante e, de certa forma, parece com o que eu vivia, estar na TV, nos holofotes, analisando o jogo, então com certeza há alguns interesses parecidos ali. Mas eu adoraria me aventurar como proprietária, fazer parte de uma organização apaixonada pelo esporte é algo que eu gostaria de pesquisar melhor e encontrar um bom encaixe.

Publicado originalmente pela FIFA em 15/02/2026: Dunn: pareceu o momento perfeito para se aposentar →

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