— A Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA foi realizada pela primeira vez na Nova Zelândia em 2008
— Coreia do Norte, Estados Unidos e Alemanha revelaram craques e causaram ótima impressão
— Mana Iwabuchi e Rafaelle estão entre as estrelas que despontaram num marco para o futebol feminino
O ano de 2008 registrou um marco para a FIFA, quando seu terceiro torneio de futebol feminino foi lançado com grande alarde. Pois, 17 anos depois da primeira edição da Copa do Mundo Feminina e seis anos depois do equivalente na categoria Sub-20, foi a vez de as garotas sub-17 terem seu próprio evento global, com 16 seleções nacionais dando o pontapé inicial.
Para aquela edição inaugural, coube à Nova Zelândia o papel de anfitriã. A ideia era preparar melhor os talentos emergentes para futuras competições internacionais. “Ter a chance de jogar em nível mundial quando você é jovem é valioso e importante”, disse a meio-campista japonesa Mana Iwabuchi à FIFA anos depois.
Das 16 equipes nacionais classificadas, uma em particular foi alvo de considerável atenção: a Alemanha, então campeã europeia sub-17. Com a sua seleção principal tendo vencido a Copa do Mundo Feminina da FIFA™ em 2003 e 2007 e o time sub-20 tendo feito o mesmo em 2004, a jovem geração alemã chegou ao torneio cercada de muita expectativa.
Especialmente quando os scouts e especialistas passaram a falar sem receio sobre como aquela equipe parecia contar com várias estrelas em potencia. Não demorou muito para que duas delas se anunciassem em grande estilo no Mundial.
Demonstrando grande compostura para sua idade, Alexandra Popp mostrou-se imensamente promissora na Nova Zelândia, enquanto sua companheira de equipe, Dzsenifer Marozsan, se mostrou tão letal na frente do gol que deixou a Oceania como a artilheira do torneio com seis gols.
No entanto, nem Marozsan, nem Popp conquistaram o título mundial em 2008 ou levaram para casa a Bola de Ouro como melhor jogadora do torneio.
Em vez das tão conceituadas alemãs, foi uma impressionante Coreia do Norte que saiu vitoriosa do primeiro Mundial Sub-17 Feminino. Em meados da década de 2000, o país parecia produzir uma safra inesgotável de jovens jogadoras talentosas em torno das quais a seleção nacional construía seu sucesso.
Enquanto as seleções principais da Coreia do Norte chegaram às quartas de final na Copa do Mundo Feminina de 2007, o time sub-20 conquistara o título mundial de 2006 na Rússia.
O domínio do país na época no futebol juvenil feminino, no qual continua sendo uma força até hoje, foi simbolizado por Jon Myong-hwa, que ganhou a Chuteira de Bronze na Nova Zelândia em 2008.
Kristie Mewis e Taylor Vancil lideraram a seleção dos Estados Unidos que eliminou a favorita Alemanha nas semifinais, mas na decisão não conseguiram resistir à valente e bem treinada Coreia do Norte, que venceu por 2 a 1 na prorrogação.
A Nova Zelândia 2008 também foi a primeira experiência no cenário mundial para uma série de jogadores que chegaram ao topo do jogo. Além de Popp, Mewis e Marozsan, o torneio testemunhou o surgimento de Iwabuchi.
A craque japonesa, agora aposentada, causou tanto impacto que foi premiada com a Bola de Ouro como melhor jogadora do torneio, apesar de sua equipe ter sido eliminada nos pênaltis nas quartas-de-final contra a Inglaterra.
A ex-estrela do Bayern de Munique, que venceu a Copa do Mundo Feminina três anos depois, tem boas lembranças da Nova Zelândia 2008, como contou à FIFA em 2016. “Um dos conceitos com a seleção feminina sub-17 do Japão era aproveitar o jogo e jogar. livremente, então gostei muito do torneio. As adversárias contra as quais jogamos também se concentraram nas habilidades individuais e no jogo, em vez de no ataque ou na defesa em equipe."
O torneio de 2008 também foi significativo para as anfitriãs. Quinze anos antes de o país sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023™ em conjunto com a Austrália, a Nova Zelândia viu o surgimento de uma estrela nacional: Rosie White. Com 110 partidas pela seleção e 24 gols internacionais em seu nome, ela ganhou as manchetes ao marcar o primeiro hat-trick na história da Copa do Mundo Feminina Sub-17 em vitória por 3 a 1 sobre a Colômbia, em Wellington.
“Até hoje, ainda é uma das minhas memórias favoritas”, disse White à FIFA. "Não percebi o quão importante seria realizar esta Copa do Mundo na Nova Zelândia e estar envolvida nela aos 15 anos. Isso me introdução ao futebol internacional de uma forma incrível."
A Nova Zelândia 2008 também viu as dinamarquesas Simone Boye e Pernille Harder estrearem no cenário mundial, junto com a bicampeã mundial Morgan Brian, dos EUA, Rafaelle Souza, que foi capitão do Brasil na Copa do Mundo Feminina do ano passado e uma das maiores nomes do futebol feminino inglês, Lucy Bronze.
Dado o volume de jogadoras talentosas que chamaram a atenção do mundo na Nova Zelândia 2008, a espera pela edição deste ano na República Dominicana é de ansiedade para conhecermos as estrelas de amanhã.
Publicado originalmente pela FIFA em 26/07/2026: Em 2008, Nova Zelândia marcou começo de nova era para o futebol feminino →