
Quase 3 mil quilômetros separam Porto Alegre e Recife, cidades de regiões diferentes do Brasil que têm algo em comum: ambas receberão a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™. Em um intervalo de apenas três dias, a Seleção Brasileira passou pelas duas capitais e reuniu 57.830 torcedores em amistosos contra a Argentina, antecipando um pouco do ambiente que encontrará quando disputar o Mundial diante de sua torcida.
Foram 28.386 pessoas no Estádio Beira-Rio (Porto Alegre) para acompanhar a vitória brasileira por 3 a 1, e outras 29.444 na Arena Pernambuco (Recife), onde as equipes empataram por 2 a 2. Os confrontos representaram novas oportunidades para Arthur Elias testar jogadoras, desenvolver seu modelo de jogo e fortalecer a conexão com o público a poucos meses da Copa do Mundo Feminina – a primeira sediada na América do Sul.
“Todas as chances que a gente tiver de estar aqui, representando o nosso país, com a torcida nos abraçando, são sempre muito importantes para a nossa caminhada para a Copa do Mundo”, afirmou Bia Zaneratto após o segundo amistoso, em 13 de outubro.
A passagem por Porto Alegre e Recife deu continuidade a uma aproximação da Seleção com os futuros palcos do Mundial. Em junho, o Brasil já havia enfrentado os Estados Unidos em amistosos disputados em São Paulo, na Arena Itaquera, e em Fortaleza, na Arena Castelão, também estádios que receberão partidas da competição em 2027.
Enquanto os torcedores começam a experimentar o ambiente de uma Copa do Mundo em casa, Arthur Elias segue trabalhando para definir as jogadoras que representarão o Brasil no torneio. O treinador tem afirmado que já possui 74% da lista final em mente, mas os amistosos contra a Argentina mostraram que ainda há espaço para observações.
Entre a vitória em Porto Alegre e o empate em Recife, apenas duas jogadoras permaneceram na escalação titular: Isabela e Raissa Bahia. As outras nove posições tiveram mudanças, mas o Brasil procurou manter sua identidade dentro de campo, com pressão alta, intensidade na recuperação da bola e uma postura ofensiva.
“Está bem claro o modelo de jogo na cabeça de todas. Todas sabem o que precisam fazer. A gente está aprimorando isso cada vez mais para chegar na Copa bem”, afirmou Luany após o primeiro confronto, no qual ela fez um golaço na vitória por 3 a 1.
O rodízio, porém, também evidenciou aspectos que precisam ser aprimorados. Depois de vencer em Porto Alegre, com uma queda de rendimento na segunda etapa, o Brasil abriu 2 a 0 em Recife com gols de Bia Zaneratto e Gio Garbelini no primeiro tempo, mas permitiu a reação argentina e o empate por 2 a 2.
Daiana Falfán e Florencia Bonsegundo marcaram para as visitantes, que chegaram ao empate e sustentaram a igualdade mesmo depois de ficarem com uma jogadora a menos.
“Faltou efetividade. A gente criou muitas situações de gol, mas não foi feliz nas finalizações. O estilo do Brasil hoje é muito ofensivo e agressivo na marcação, então a gente está sempre muito exposta e precisa tomar cuidado com qualquer vacilo, porque é sempre uma contra uma em um duelo que a gente não pode perder”, analisou Zaneratto.
Luany acredita que os erros cometidos pela equipe nesta fase de preparação também são bons professores para o desafio que está por vir: “A gente tenta não falhar, mas fica como experiência para melhorar. O bom é que aconteça agora para que na Copa não aconteçam esses erros que podem nos prejudicar”.
Dentre as novatas que receberam oportunidades nos amistosos, estão três atletas que poucas semanas antes estavam disputando a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA 2026™ na Polônia: as meio-campistas Clarinha e Kaylane e a goleira Thais Lima.
Clarinha fez sua estreia pela Seleção principal ao entrar em campo no primeiro confronto, em Porto Alegre. Kaylane e Thais Lima, por sua vez, foram titulares no segundo amistoso.
“A gente sabe que a lista é larga e que o Arthur já tem uma base do que vai levar para a Copa do Mundo, mas a comissão tem dado suporte para todo mundo. Principalmente para mim, já que foi a minha primeira convocação para a Seleção principal”, contou Clarinha, cuja família acompanha sua carreira de perto.
Para Thais Lima, que costumava defender Portugal nas categorias de base antes de decidir jogar pelo Brasil, a experiência de atuar diante da torcida brasileira foi especialmente emocionante – vale lembrar que, em fevereiro de 2026, ela se tornou a goleira mais jovem a entrar em campo pela Seleção feminina principal em todos os tempos.
“O clima no estádio [Arena Pernambuco] estava muito legal. Eu fiquei muito nervosa quando entrei em campo e escutei todo mundo cantando o hino, fiquei toda arrepiada e estava quase chorando. É sempre uma alegria jogar no Brasil, no país do futebol”, contou a jovem goleira do Benfica à GE TV.
Enquanto Arthur Elias trabalha para definir as peças que estarão em campo no Mundial, os torcedores já ocuparam seu lugar na preparação, transformando os futuros estádios da Copa do Mundo Feminina em pontos de encontro com a Seleção Brasileira.
Como anfitrião do torneio, o Brasil estará no Grupo A e estreará no Estádio do Maracanã em 24 de junho; depois, irá a São Paulo para jogar na Arena Itaquera no dia 29, e fechará a fase de grupos em Brasília, no Estádio Nacional, em 4 de julho.
Publicado originalmente pela FIFA em 14/10/2026: Em clima de 2027, Brasil leva 57 mil a estádios da Copa separados por 3 mil km →