
A quatro minutos do fim, no Subaru Park, em Chester, na Pensilvânia, as coisas pareciam extremamente sombrias para os Estados Unidos no confronto de dois jogos contra a atual campeã da Copa do Mundo Feminina FIFA™, a Espanha.
Depois de perder por 2 a 0 para a La Roja na primeira partida da série, no Audi Field, em Washington, no sábado, a equipe de Emma Hayes enfrentava a perspectiva de duas derrotas seguidas.
Não era de forma alguma a preparação de que precisavam antes do próximo Concacaf W Championship, onde enfrentarão El Salvador em 27 de novembro por uma vaga na Brasil 2027.
Mas depois de ficar dois gols atrás pelo segundo jogo consecutivo, as Stars and Stripes se superaram para arrancar um empate valioso por 2 a 2, graças a duas jogadoras que retornavam à seleção, Ashley Sanchez e Mallory Swanson.
Impulsionados pela torcida, os Estados Unidos não desistiram depois do gol de empate de Swanson, aos 86 minutos, e até chegaram perto de vencer a partida no tempo de acréscimos, quando a finalização forte de Lily Yohannes foi desviada com categoria para fora pela goleira espanhola Misa Rodriguez.
Como a FIFA analisa, a reação do time diante da mais forte das adversárias deu um grande impulso moral na preparação das Stars and Stripes para a Brasil 2027.
No entanto, o domínio da Espanha nos dois jogos, com o uso pleno do elenco, também evidencia o trabalho que ainda precisa ser feito para que os Estados Unidos conquistem o quinto título da Copa do Mundo Feminina.
Os amistosos dos Estados Unidos contra a Espanha marcaram o retorno muito esperado de duas jogadoras veteranas.
Sanchez conquistou o retorno à seleção depois de uma temporada excepcional pelo North Carolina Courage, da National Women's Soccer League, na qual marcou 20 gols em 26 jogos.
Já Swanson fez suas primeiras aparições pelos Estados Unidos desde o retorno da licença-maternidade, no início deste ano. A medalhista de ouro olímpica em Paris 2024 integrou o grupo em dois amistosos no Brasil, em junho, mas não entrou em nenhuma das duas partidas.
Na derrota por 2 a 0 na partida de abertura contra a Espanha, as duas entraram no meio do segundo tempo, mas não conseguiram tirar os Estados Unidos do buraco. Na noite de terça-feira, porém, a história foi completamente diferente.
Com uma titularidade inesperada, Sanchez diminuiu o placar para os Estados Unidos logo depois do intervalo, ao cortar pela ponta esquerda e bater forte, no canto do gol.
Foi o primeiro gol dela pela seleção desde 2022, embora a comemoração tenha sido contida, já que a equipe ainda estava atrás no placar.
Swanson, que entrou no segundo tempo, finalizou de fora da área para empatar o placar quando o tempo já se esgotava, marcando seu primeiro gol pela seleção desde o gol que deu a medalha de ouro em Paris.
Com Hayes buscando acrescentar experiência a um elenco jovem, os retornos das duas não poderiam ter vindo em melhor momento.
"Estou muito feliz por elas. A Sanchez está de volta pela primeira vez depois de um tempo, e eu acho que ela mereceu aquele gol. Ela tem jogado de forma incrível pelo clube dela, e eu acho que ela aproveitou as oportunidades que recebeu, e ela se saiu muito bem", disse a meio-campista dos Estados Unidos Rose Lavelle à CBS Sports.
"Eu acho que, para a Mal, voltar depois de ter um bebê não é nada fácil, e ela faz isso com tanta elegância, e eu só estou feliz por elas duas. E para o time ter duas jogadoras que conseguem entrar num jogo assim e fazer isso é incrível para nós."
Com as americanas perdendo por 2 a 0 para a Espanha na partida de abertura, Yohannes assumiu a cobrança de um pênalti no segundo tempo, já com Lindsey Heaps substituída. A cobrança, porém, foi facilmente defendida pela goleira da La Roja, Adriana Nanclares.
Hayes foi direta na avaliação depois do jogo. "Aquilo meio que deu a sensação de que não ia entrar hoje", disse aos repórteres. "Mas eu não atribuo essas coisas à falta de sorte. Eu atribuo à má execução, incluindo o pênalti."
Yohannes foi uma das substitutas que entraram em campo no segundo tempo, no Subaru Park.
A meio-campista do Lyon, de 19 anos, deixou rapidamente a decepção para trás com uma atuação animada, incluindo a finalização no tempo de acréscimos, que quase se tornou uma história de redenção perfeita.
Sam Coffey e Naomi Girma eram duas das principais estrelas convocadas por Hayes para os amistosos contra a Espanha, depois de as duas terem ficado fora da série contra o Brasil por lesão.
Mas a história se repetiu, já que a volante do Manchester City e a zagueira do Chelsea desfalcaram as partidas por lesões no tornozelo e na panturrilha, respectivamente.
Por causa de uma série de falhas defensivas, que resultaram nos quatro gols da Espanha no total, ficou claro o quanto Coffey e Girma são valiosas para as chances de sucesso dos Estados Unidos no Brasil.
Hayes optou pela dupla de zaga formada por Tierna Davidson e Kennedy Wesley nas duas partidas, e a parceria recém-formada teve atuações irregulares.
A ausência de Coffey no meio-campo também fez falta, já que jogadoras como Alexia Putellas, Eva Navarro e Patri Guijarro estiveram em seu melhor nível de eficiência pela Espanha.
Faltando menos de um ano para a Copa do Mundo Feminina, os Estados Unidos ainda não têm uma goleira titular definida, com Claudia Dickey, do Seattle Reign, e Phallon Tullis-Joyce, do Manchester United, continuando a dividir a posição.
As duas jogadoras impressionaram no último ano, mas nenhuma se destacou na série contra a Espanha, com ambas sofrendo dois gols em cada partida.
A disputa constante por posições de titular tem sido uma marca registrada da passagem de Hayes pelos Estados Unidos. Hayes declarou recentemente que Dickey "está na frente" na disputa para ser a titular, mas a decisão, ao que parece, ainda não é final.
Publicado originalmente pela FIFA em 14/10/2026: EUA mostram espírito de luta em empate com a Espanha →