
Vitória Yaya já disputou duas edições de base da Copa do Mundo, conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, venceu a Libertadores, foi campeã da Copa América Feminina e assinou com o Paris Saint-Germain. É bastante coisa para uma jovem de 24 anos, mas o maior objetivo da meio-campista ainda está por vir: disputar a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027™ e buscar o título inédito para a Seleção em casa.
"É um sonho muito maior por ser disputada no Brasil. Ter participado de Copas do Mundo Sub-17 e Sub-20 gera uma bagagem muito boa para saber como a competição é acirrada, com um monte de equipes boas, mas acredito que nada se compara a uma Copa do Mundo profissional. Estou trabalhando muito para estar lá, porque vai ser muito especial, ainda mais por ser no Brasil", afirmou a meio-campista em entrevista à FIFA.
O sonho dela cresceu durante a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023™. Sem fazer parte daquele elenco que disputou o torneio na Austrália e na Nova Zelândia, Yaya acompanhou de longe a queda brasileira na fase de grupos e tomou uma decisão. "Quando o Brasil foi eliminado em 2023, coloquei na cabeça que estaria lá em 2027", disse.
Ela foi convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira principal aos 17 anos, em 2019, mas foi só depois da Copa do Mundo de 2023 que Yaya tatuou a frase a seguir:
Quando eu começar a acreditar em mim, ninguém me para.
Embora se esforce para manter os pés firmes no chão, Yaya admite que é difícil não imaginar a família e os amigos nas arquibancadas em 2027, mas tenta equilibrar a ambição com a consciência de que ainda precisa conquistar seu lugar na equipe. "Eu paro, respiro e falo: 'Vou trabalhar mais'. Quando o sonho e esses pensamentos chegam, eu coloco o objetivo na cabeça e os pés no chão. Sei que o trabalho devolve."
Um ano depois da eliminação do Brasil em 2023, Yaya foi parte do elenco que conquistou a medalha de prata olímpica em Paris 2024. "A cada jogo, a gente pensava em fazer melhor do que no anterior. Um passo de cada vez, um jogo de cada vez, lutando para ganhar. Essa é a mentalidade da nossa Seleção e da nossa geração", explicou.
A perseverança voltou a aparecer na final da Copa América de 2025, quando o Brasil superou a Colômbia nos pênaltis após empate por 4 a 4 e foi campeão. "Aquela final mostrou o que a nossa geração é. Enquanto tiver tempo, a gente vai lutar", resumiu ela.
Com essa mentalidade, a atleta espera que a Copa do Mundo deixe uma referência para as meninas mais novas. A jogadora costuma receber mensagens de crianças que sonham em um dia dividir o campo com ela e faz questão de responder que isso é possível.
"Uma parte das jogadoras do passado fez isso com a gente, foi presente, tirou foto, deu chuteira. Isso me deu uma motivação maior para ser quem sou hoje e me motiva a passar isso para outras crianças. Elas vão ver as jogadoras da Seleção na Copa do Mundo como uma possibilidade, um lembrete de que podem sonhar e realizar", comentou.
Desde 2025, Yaya leva sua intensidade ao meio-campo do Paris Saint-Germain. Sua versatilidade começou a ser construída no Brasil: atuava como segunda volante no São Paulo, no Santos e nas seleções de base, mas aprendeu a jogar como primeira volante no Corinthians e também pode avançar para exercer uma função mais ofensiva.
A inspiração para esse estilo vem desde os 13 anos, quando um treinador notou semelhanças com Yaya Touré e lhe deu o apelido que passaria a identificá-la. Intrigada, a jovem Vitória assistiu aos vídeos do marfinense no mesmo dia e quis ser Vitória Yaya.
"Ele era muito bom. Muito bom na marcação, nas arrancadas, nos passes, surreal. Entendi que, se o treinador queria me chamar de Yaya, era porque eu tinha muita semelhança ou potencial, ele me via daquela forma. Saí pesquisando tudo sobre o Yaya Touré e aceitei o apelido. Eu me inspiro muito nele", contou a jogadora, que sonha em conhecer o ídolo.
"Toda vez que falo de Touré, meu olho enche de água porque eu o tive e ainda tenho como referência. Se o visse pessoalmente, acho que choraria. Nem saberia o que dizer, nem se ficar fluente em francês", acrescentou Yaya, cujos sonhos são intermináveis.
Inspirada também pelos meio-campistas Patri Guijarro (jogadora do Barcelona feminino) e Vitinha (jogador do PSG masculino), ela quer fazer história no futebol europeu.
Em Paris, ela persegue a possibilidade de ser campeã intercontinental. O PSG trabalha para voltar à Liga dos Campeões Feminina da UEFA e disputar o título que abre caminho para a Copa dos Campeões Feminina da FIFA™ ---- competição que reúne anualmente as campeãs continentais, exceto nos anos do Mundial de Clubes Feminino da FIFA™, competição quadrienal cuja primeira edição será realizada em 2028.
"Antes, a Libertadores ou a Champions eram o ápice de tudo. Agora temos a chance de nos tornarmos campeãs mundiais. Para mim, é um sonho ser campeã do mundo com a Seleção e com o clube em que estou. A ambição cresceu", concluiu Yaya.
Publicado originalmente pela FIFA em 19/08/2026: Fã de Touré, Vitória Yaya trabalha para ser campeã mundial com Brasil e PSG →