A seleção colombiana de futebol feminino venceu a Venezuela por 1 a 0 em amistoso, no sábado, 10 de outubro de 2026, resultado que se soma a uma sequência de conquistas internacionais da Tricolor, segundo o jornal colombiano La Patria. Jornalistas, um dirigente e dois técnicos ouvidos pela publicação explicam os fatores que sustentam essa arrancada da seleção no futebol feminino sul-americano.
A Colômbia é a atual campeã da Liga de Naciones Feminina da CONMEBOL, conquistada em 2026 com gol de Ana María Guzmán e que garantiu à seleção vaga na [Copa do Mundo Feminina 2027](/copa-do-mundo-feminina-2027/), no Brasil. A Sub-20 colombiana terminou em terceiro lugar no Mundial da Polônia, em setembro de 2026, resultado que se soma ao vice-campeonato mundial da Sub-17 na Índia, em 2022, e ao título dos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019.
A jornalista Nathalia Prieto, CEO do site especializado Fémina Football, que já cobriu diferentes mundiais, destaca o talento das jogadoras colombianas, mas aponta a confiança como o fator decisivo: segundo ela, as jogadoras entram em campo convencidas de que podem vencer qualquer adversária. Prieto afirma ainda que a seleção do Brasil, principal referência do futebol feminino sul-americano, já reconhece o avanço da Colômbia: depois da final da Copa América, Marta, maior ídolo da história do futebol feminino no [Brasil](/selecao/brasil), chegou a destacar o desenvolvimento alcançado pelas colombianas.
Prieto lembra que o crescimento atual não nasceu com esta geração. Patricia Vanegas, Adriana Pardo, María Peña, Liliana Zapata e Miriam Guerrero integraram a primeira seleção colombiana formada para competições internacionais, montada depois da disputa do primeiro campeonato nacional do país. Dirigentes como Margarita Martínez, Claudia Díaz e Carolina Pineda impulsionaram, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, projetos de formação e escolinhas de futebol feminino que sustentam os resultados vistos hoje na liga profissional e na seleção colombiana.
O técnico Jhon Alber Ortiz, do Deportivo Cali, tricampeão da liga feminina colombiana, credita parte do avanço à continuidade do campeonato profissional desde 2017, mesmo em meio a dificuldades econômicas e organizativas. Segundo ele, clubes como Deportivo Cali, Santa Fe e Atlético Nacional investiram em processos competitivos e na formação de novas gerações, o que elevou o preparo físico das jogadoras e reduziu a distância da seleção colombiana para as potências europeias. Ortiz também cita o crescimento do público: a final da liga reuniu 20 mil pessoas nas arquibancadas, número que ele espera ver dobrar nos próximos anos, depois de um período em que, segundo ele, só as famílias das jogadoras apareciam nos estádios.
O ex-técnico das seleções colombianas Felipe Taborda, hoje responsável pelo projeto feminino do Internacional de Palmira, lembra que, antes da criação da liga profissional feminina, em 2017, as jogadoras dependiam de clubes amadores e de torneios organizados pela Difútbol, a divisão amadora do futebol colombiano, como Generaciones Palmiranas, Formas Íntimas, Gol Star de Bogotá e Botín de Oro de Bucaramanga. Para ele, os contratos profissionais e a experiência de colombianas em clubes da Espanha, da Inglaterra, dos Estados Unidos, do México e do Brasil elevaram o nível da seleção, mas isso ainda não é suficiente. "Colômbia já precisa ganhar títulos. Não basta somente chegar às finais ou estar perto de conquistá-los", afirma Taborda, que defende reforçar a preparação psicológica das jogadoras e criar, na federação colombiana, uma diretoria de desenvolvimento exclusiva para o futebol feminino.
O estatístico Rey Buitrago, também da Fémina Football, atribui os resultados à vontade permanente das jogadoras colombianas de conquistar novos títulos. Ele lista, entre as conquistas mais importantes, o título sul-americano Sub-17 de 2008, o vice-campeonato do Mundial Sub-17 da Índia em 2022 e o terceiro lugar do Mundial Sub-20 da Polônia, e defende um trabalho de base mais longo e competitivo, nos moldes do Brasil, da formação até a liga profissional. Buitrago cita Ingrid Guerra como exemplo do talento que pode reforçar o futuro da seleção.
Para a seleção colombiana, a sequência de resultados recentes consolida o status de potência emergente do futebol feminino sul-americano e aumenta a pressão para transformar boas campanhas em títulos antes da Copa do Mundo Feminina 2027. Para o torcedor, o crescimento da liga profissional e o investimento dos clubes na formação indicam que a base que sustenta esse nível segue em expansão.
Com o título da Liga de Naciones Feminina da CONMEBOL, conquistado em 2026 com gol de Ana María Guzmán.
O título da Liga de Naciones de 2026, o terceiro lugar da Sub-20 no Mundial da Polônia, o vice-campeonato da Sub-17 na Índia em 2022 e o título dos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019.
Segundo Felipe Taborda, reforçar a preparação psicológica das jogadoras e criar, na federação, uma estrutura de desenvolvimento exclusiva para o futebol feminino.