A receita global do futebol feminino vai passar de US$ 1 bilhão em 2027, prevê a FIFPRO, sindicato mundial que representa as jogadoras profissionais, em relatório sobre as condições de trabalho no futebol feminino repercutido nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, pelo Mundo Deportivo. O mesmo estudo alerta que o crescimento não se traduz de forma equitativa em melhores condições para as atletas.
Muitas jogadoras seguem com contratos precários e salários baixos, e quase metade delas pensa em deixar o futebol por questões de saúde mental, como o estresse.
Em 2024, o futebol feminino gerou US$ 581 milhões em receitas no mundo (cerca de 519 milhões de euros). Pela projeção da FIFPRO, a modalidade ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão em apenas três temporadas.
O relatório atribui o salto aos recordes de audiência e de público nos estádios e ao perfil das próprias jogadoras, que sustenta a viabilidade comercial do esporte. Como resultado, segundo o sindicato, alguns clubes já geram receitas de uma indústria em crescimento exponencial.
Boa parte do crescimento vem das ligas nacionais. A liga dos Estados Unidos, a NWSL, gerou 253 milhões em receitas em 2025, 18% a mais que no ano anterior. A liga inglesa, a WSL, deve superar os 100 milhões.
Entre os clubes, quem lidera a lista de receitas com o time feminino é o Angel City, dos Estados Unidos, fundado entre outras pessoas pela atriz Natalie Portman: US$ 38 milhões em 2025. Barcelona e Real Madrid estão entre as vinte equipes que mais faturaram. O Barcelona aparece em quinto lugar, com US$ 24,9 milhões, alta de 28% sobre a temporada anterior, e o Real Madrid somou quase 14 milhões.
A FIFPRO prevê que o período de 2027 a 2031 seja o mais rentável da história da modalidade, porque terá grandes torneios internacionais todos os anos, com exceção de 2030.
A sequência começa com a Copa do Mundo no [Brasil](/selecao/brasil). Em 2028, os Jogos Olímpicos acontecem em Los Angeles. Em 2029, há três torneios continentais: a Eurocopa na Alemanha, a Copa da Ásia no Uzbequistão e a competição da Concacaf, a confederação da América do Norte, Central e Caribe, em sede ainda não definida. Em 2031, a Copa do Mundo passa a ter 48 seleções. O calendário completo está em [Competições](/secao.html?sec=geral).
O relatório ouviu 791 jogadoras de 40 países durante a temporada 2025-26. Só 62% delas se consideram profissionais. O salário médio mensal no mundo é de US$ 2.570 (cerca de 2.297 euros).
Por isso, 90% concluíram a educação obrigatória e mais da metade tem diploma universitário: é a alternativa para ganhar a vida além do futebol. Os principais motivos que levam uma atleta a abandonar a carreira são financeiros, o estresse psicológico e a dificuldade de conciliar o trabalho com a vida pessoal.
Nas entrevistas, as jogadoras disseram que o crescimento trouxe pressões novas, como mais carga de trabalho e o assédio nas redes sociais, e que os clubes não têm as medidas de proteção necessárias para lidar com essas mudanças.
Alex Culvin, responsável pelo futebol feminino da FIFPRO, reconheceu que o esporte deu passos importantes, mas avaliou que ainda falta muito e que muitas jogadoras vivem grande incerteza na carreira.
“Quando as jogadoras têm condições de trabalho que protegem a saúde delas, isso tem efeito positivo no rendimento. Quanto mais ajudarmos as jogadoras a desenvolver todo o seu potencial, mais o futebol feminino vai se beneficiar”, disse Culvin.
Para a torcedora, os números confirmam que o futebol feminino virou um negócio de bilhão, com o ciclo mais rico começando pela Copa do Mundo no Brasil. Para os clubes e as federações, o relatório da FIFPRO deixa uma cobrança: o dinheiro que entra precisa chegar ao salário, à saúde mental e à proteção das jogadoras, que hoje ganham em média US$ 2.570 por mês e, em boa parte, ainda não se veem como profissionais.
Mais de US$ 1 bilhão em receitas globais, segundo a FIFPRO, contra US$ 581 milhões em 2024.
O Angel City, dos Estados Unidos, com US$ 38 milhões. O Barcelona ficou em quinto, com US$ 24,9 milhões.
O salário médio mensal no mundo é de US$ 2.570, e só 62% das 791 jogadoras ouvidas se consideram profissionais.