
Gio Garbelini, atacante do Atlético de Madrid nascida em São Paulo, sonha em disputar a Copa do Mundo Feminina 2027 no país onde nasceu, contou ela em entrevista ao AS publicada nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. Ir ao torneio, disse, é a motivação extra da temporada, e todas as jogadoras pensam nisso.
A atacante, nascida em 2003, deixou o Brasil aos três anos e defendeu seleções de base da Espanha e dos Estados Unidos antes de escolher a seleção principal do Brasil.
Gio saiu do Brasil para viver nos Estados Unidos e chegou à Espanha aos 11 anos, idade em que entrou nas categorias de base do Atlético de Madrid. Vestiu a camisa da seleção espanhola de base e da norte-americana, mas na seleção principal pesaram as origens.
Ao AS, explicou que o Brasil é parte dela mesmo sem ter crescido nem jogado lá: é a família, são os pais. Vestir a camisa, contou, é motivo de orgulho pela história das seleções masculina e feminina do país e porque Marta sempre foi seu ídolo. Jogar ao lado dela, disse, sempre foi um desejo.
A atacante resumiu o que significa a Copa no próprio país: “Jogar o Mundial no Brasil seria um sonho. Acho que poder vivê-lo com a minha família, com toda a gente de lá, vai ser algo muito especial e que vai fazer crescer o futebol feminino brasileiro.”
Para Gio, ainda há muita margem para melhorar, tanto nas oportunidades para as jogadoras quanto na visibilidade, e o torneio deve servir para que depois se continue investindo e dando voz à modalidade no país.
Entre as favoritas ao título, apontou Espanha, Inglaterra e França, e afirmou que será um Mundial que vai mudar o futebol. Sobre a seleção, lembrou que vestir a camisa do Brasil sempre traz grandes expectativas e que o caminho é trabalhar bem, crescer como equipe e chegar o mais preparada possível. No Brasil, disse, quando há futebol, tudo para e as pessoas deixam de trabalhar.
Depois de passar por Madrid CFF, Barcelona e Arsenal, Gio voltou ao clube onde se formou e está na terceira temporada seguida no Atlético de Madrid. Nesta temporada, tem um gol e uma assistência.
O mais difícil, contou, foi se adaptar desde pequena às mudanças de país, de idioma e de ambiente. Segundo ela, essas mudanças também a ajudaram a crescer, e é quem é hoje por causa delas.
Amanda Sampedro, sua primeira treinadora na base do Atlético, hoje é assistente da comissão técnica do time. Gio disse que aprendeu muito com ela, que as duas acham graça da situação e que a chegada de Amanda trouxe ao banco a identidade do clube.
No vestiário, a alegria brasileira aparece com Luany e Lauren, e Fiamma coloca muita música brasileira, que todas gostam. Para Gio, a Espanha é uma porta de entrada na Europa para as brasileiras: as jogadoras que ela viu na Liga F se adaptaram bem, sobretudo no Madrid CFF, que sempre tem brasileiras no elenco.
Um ano antes da entrevista, Gio saía pela primeira vez de uma sala de cirurgia, depois de fraturar a fíbula num jogo da Champions League contra o Manchester United. Foi a primeira lesão importante da carreira, e ela contou que o apoio das companheiras pesou num momento em que a jogadora se sente muito sozinha. Voltou sem dor e sem incômodo.
Gio não procurou ajuda psicológica durante a recuperação, mas já tinha feito acompanhamento antes e defendeu falar com profissionais de saúde mental: segundo ela, a diferença aparece.
Para a torcedora, é mais uma brasileira formada fora do país que coloca a Copa em casa como objetivo da temporada e diz que trabalha no dia a dia para isso. Para a seleção, a atacante do Atlético de Madrid se apresenta como mais um nome em busca de espaço no grupo que o Brasil leva à Copa do Mundo Feminina 2027.
Atacante do Atlético de Madrid nascida em São Paulo em 2003, que cresceu nos Estados Unidos e na Espanha e escolheu defender o Brasil na seleção principal.
Espanha, Inglaterra e França.
Uma fratura na fíbula sofrida num jogo da Champions League contra o Manchester United, um ano antes da entrevista ao AS.