
A organização internacional Goleadoras ensina futebol a meninas de sete a 17 anos para desenvolver habilidades socioemocionais como autoestima, disciplina e liderança, em programas que já passaram por Estados Unidos, Colômbia e [Venezuela](/selecao/venezuela). A fundadora, a atriz e modelo venezuelana Eglantina Zingg, detalhou o projeto em entrevista à agência EFE em Oeiras, na região metropolitana de Lisboa, publicada pelo HolaNews neste sábado, 26 de setembro de 2026.
“Criamos uma metodologia por meio do jogo lúdico do futebol com a qual se pode ensinar a essas meninas ferramentas socioemocionais que são fundamentais para a vida em geral. A disciplina, a resiliência, o trabalho em equipe ajudam a ter mais autoestima, mais liderança e uma atitude e comunicação melhores”, disse Zingg.
Zingg cresceu na Amazônia venezuelana, onde uma bola de futebol era seu brinquedo mais comum. Foi com ela que fez amizade com crianças de comunidades indígenas da região, mesmo sem falar o mesmo idioma ou vestir roupas parecidas. A experiência, contou, ensinou a ela ainda criança que pessoas têm mais coisas em comum do que aquilo que as divide, e virou a base da metodologia que hoje aplica na Goleadoras.
A organização já soma 16 anos de atuação e mais de 10 mil meninas beneficiadas, segundo o HolaNews. As alunas têm entre 7 e 17 anos e vêm de realidades sociais e econômicas diferentes, incluindo zonas de alta violência, famílias imigrantes e refugiadas. Para Zingg, o projeto tem um efeito multiplicador: as meninas levam o que aprendem nos treinos para suas famílias e comunidades.
Cada unidade da Goleadoras adapta a formação junto a aliados locais, mas as necessidades das comunidades se repetem: falta de oportunidades e busca por um sentido de pertencimento. O foco não está no resultado esportivo, mas Zingg não descarta que surjam talentos do futebol entre as alunas: para ela, não é possível falar em futebol feminino sem antes garantir esse primeiro apoio às meninas. A ideia, segundo a fundadora, é dar a elas um lugar para começar e para onde voltar, o que torna o programa sustentável a longo prazo.
A Goleadoras chegou à Europa há três anos, por meio de uma parceria com o Sporting, clube da primeira divisão portuguesa, e Zingg não descarta expandir o projeto a outros países, como a Espanha. Nesta semana, ela participou do Portugal Football Summit, fórum que reúne nomes do futebol português e internacional, e recebeu neste ano o prêmio da Fundación Starlite, na categoria Transformação Social.
Em paralelo, a Goleadoras anunciou apoio às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela neste ano, que deixaram milhares de mortos e feridos. A organização vai implementar um programa de atenção psicossocial para crianças afetadas pelos tremores, com o objetivo de ajudá-las a superar o trauma por meio do jogo e da criação de novos vínculos de apoio.
Para as meninas atendidas pela Goleadoras, o projeto oferece uma porta de entrada ao futebol que não depende de resultado esportivo, mas de ferramentas para a vida fora de campo. Para o futebol feminino, a experiência reforça que o desenvolvimento de talentos passa por programas de base que também cuidam da parte social das jogadoras. Para a Venezuela, o apoio às vítimas dos terremotos amplia o alcance da organização para além do esporte, na resposta a uma tragédia que atingiu o país de origem de Zingg neste ano.
Uma organização internacional que usa o futebol para ensinar habilidades socioemocionais a meninas de sete a 17 anos, fundada pela atriz e modelo venezuelana Eglantina Zingg.
Há três anos, por meio de uma parceria com o Sporting, clube da primeira divisão portuguesa, com Portugal como porta de entrada ao continente.
Com um programa de atenção psicossocial voltado a crianças afetadas pelos tremores que atingiram o país neste ano, para ajudá-las a lidar com o trauma por meio do jogo.