
— Hasbo é a única formada por Harvard a já ter jogado uma Copa do Mundo — a meio-campista da Dinamarca disputou a Austrália/Nova Zelândia 2023 — a estrela do Boston Legacy vê um futuro brilhante sob o novo técnico Michelsen Josefine Hasbo deixou sua marca no futebol mundial como a única formada por Harvard a ter jogado uma Copa do Mundo FIFA ou uma Copa do Mundo Feminina da FIFA.
Depois de retornar recentemente à cidade que adotou como lar, para jogar pelo Boston Legacy, equipe de expansão da National Women's Soccer League (NWSL), a meio-campista agora busca novas conquistas ao liderar a Dinamarca rumo a uma segunda fase final mundial consecutiva.
As dinamarquesas iniciam a campanha de classificação para a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 com um confronto em casa contra a Sérvia em 3 de março, seguido de uma viagem à Itália quatro dias depois, em um grupo que também inclui a Suécia.
Elas buscam a reação sob o comando do novo técnico Jakob Michelsen depois de uma campanha decepcionante na UEFA Women's EURO 2025, na qual perderam as três partidas da fase de grupos.
Os sinais de recuperação, no entanto, apareceram em duas vitórias seguidas sobre a Finlândia em outubro, seguidas de um empate sem gols com a Noruega.
Hasbo era estudante em Harvard quando ajudou a Dinamarca a chegar às oitavas de final da Austrália/Nova Zelândia 2023.
Formada em economia, ela jogou profissionalmente pelo Gotham FC desde então, incluindo a primeira edição da Copa das Campeãs Feminina da FIFA, antes de fechar recentemente a transferência para o Legacy.
A jogadora de 24 anos conversou com a FIFA sobre suas memórias da Copa do Mundo Feminina, as esperanças de classificação da Dinamarca para o Brasil 2027 e sua inspiração para se tornar jogadora de futebol.
Josefine Hasbo: Foi uma experiência incrível. É incrível finalmente ter um torneio que reúne alguns dos melhores times de todos os continentes para ver de verdade qual é o nível e poder comparar [entre si]. No geral, estou feliz com a estrutura, com as ótimas instalações e com o investimento por parte da FIFA. Quando algo é totalmente novo, leva tempo para resolver [as coisas] em termos do nosso calendário com a NWSL. Mas acho que tivemos ótimas semanas de preparação na Espanha antes do torneio. O lema do Gotham é sempre construindo, nunca terminado. E foi meio que essa a sensação depois daquele torneio também.
Esse é definitivamente o objetivo agora. Estou muito orgulhosa e muito animada para começar um novo legado, especialmente um legado em uma cidade com a qual tenho uma conexão muito próxima. Estou muito animada para o futebol feminino fazer parte dessa cena esportiva competitiva que existe em Boston. E, pelo tempo que já tenho com o time, sinto que estamos indo em uma direção muito boa.
Eu não acho que isso me faz [mais]. Quer dizer, talvez algumas pessoas discordem de mim, mas não acho que isso me torna [mais] especial em comparação com todas as outras jogadoras que tornam uma Copa do Mundo especial por si só. Tive muita sorte de contar com uma ótima rede de apoio que conseguiu me ajudar a equilibrar as duas disciplinas [acadêmica e esportiva] ao mesmo tempo. E, no fim das contas, ter uma Copa do Mundo como meu estágio foi algo que achei muito, muito fascinante de poder fazer parte.
Acho que teve muitos momentos, dentro e fora de campo. Recebemos uma recepção incrível na nossa base em Perth, e você se sentia parte daquilo, mesmo estando tão longe de casa. Perth parecia nossa casa durante aquelas semanas. Nossa, que experiência incrível.
Em campo, houve dois momentos bem particulares... quando Amalie Vangsgaard marcou contra a China no primeiro jogo, e o alívio de conseguir um bom começo no torneio bem no finalzinho do jogo. Estávamos lutando, lutando, lutando, e aquele alívio foi algo extraordinário de sentir.
Tivemos esse embalo durante todo o torneio, e isso basicamente nos levou às oitavas de final, e o jogo contra a Austrália foi, no fim, algo à parte. O apoio que as Matildas tiveram durante o torneio foi incrível de ver, do ponto de vista do crescimento do futebol feminino. Não vencemos aquele jogo. Mas só de ver 78.000 pessoas nas arquibancadas, o apoio foi incrível.
É um grupo muito forte, seleções que respeitamos muito. E o mais importante, no fim das contas, é manter a disciplina e a consistência em todos os jogos. Acho que também é um grupo bem interessante, porque acredito que muitas seleções podem tirar pontos umas das outras. Então acho que a coisa mais importante seria manter a consistência na nossa forma de jogar.
Como jogadora, é sempre muito interessante ter um técnico novo. Você aprende algo novo a cada vez. E quando um técnico chega em um ambiente novo, é sempre com uma perspectiva nova. O impacto dele foi bem imediato, olhando para nossos jogos contra a Finlândia para permanecer no Grupo A da Liga das Nações, e vencemos aqueles dois jogos. Então, no geral, na minha avaliação até agora, tem sido uma contribuição muito positiva.
Ainda estamos nos conhecendo, leva tempo para alguém novo impactar o ambiente. Mas acho que ele tem feito isso de forma muito eficiente até agora. Mal posso esperar para ver como isso vai continuar, com a mentalidade vencedora dele e como queremos usar o elenco de jogadoras que temos.
É meio que um minitorneio dentro da sua temporada, quase, em que você precisa ficar muito concentrada e focada. Por outro lado, não é uma corrida curta, né? É meio que uma maratona, porque se estende ao longo da temporada, e muita coisa pode acontecer em termos de adversárias, lesões de jogadoras e o que isso significa para o nível competitivo delas. Então acho que é um privilégio, até certo ponto, primeiro poder representar seu país, mas também, em segundo lugar, poder competir em um nível tão alto contra algumas das melhores jogadoras do mundo. Isso é algo que me impulsionou até onde estou hoje.
Acho que é o meu amor pelo jogo que me trouxe até onde estou hoje. E também acho que tem uma sorte associada ao fato de que minha melhor amiga, quando eu tinha sete anos, jogava futebol. Eu queria participar no pátio da escola, e aí uma coisa foi levando à outra. Mas o verdadeiro impulso para chegar a esse próximo ambiente de elite foi porque amo o jogo e porque tenho um impulso interno de querer me superar e me desafiar.
Agora, sendo uma jogadora mais madura no jogo, acabo tendo contato com muitas personalidades e jogadoras maravilhosas; a Pernille Harder, por exemplo, da nossa seleção dinamarquesa. É incrível estar perto dela, e ela realmente tem sido uma das jogadoras da Dinamarca que empurrou os limites do que podemos fazer no futebol dinamarquês. Então eu provavelmente apontaria ela.
Publicado originalmente pela FIFA em 02/03/2026: Hasbo: Michelsen tem mentalidade vencedora →