
Pergunte a Alma Hilaj sobre sua posição e ela não consegue deixar de sorrir. Nascida em Shkoder em 2000, a mesma cidade albanesa do técnico Armir Grimaj (e onde será disputado o jogo de ida da semifinal da repescagem europeia da Copa do Mundo Feminina FIFA Brasil 2027™ contra o País de Gales), Hilaj desempenha uma espécie de papel duplo.
Ela joga regularmente como zagueira pela Albânia, enquanto atua no meio-campo pelo Genoa, da Serie B Femminile, posicionada logo à frente da defesa, com liberdade para ditar o jogo e tocar mais na bola. A versatilidade de Hilaj permite que ela veja o jogo de diferentes perspectivas, mas ela tem uma visão clara do que quer alcançar.
Isso inclui levar o Genoa de volta à Serie A Women e dar tudo contra o País de Gales no confronto da repescagem rumo à Brasil 2027. O jogo de ida acontece na Albânia em 9 de outubro, no Estádio Loro Borici, cidade natal de Hilaj, e o jogo de volta será na cidade galesa de Llanelli em 13 de outubro. As vencedoras enfrentam Noruega ou Romênia na final da repescagem, em dois jogos, em dezembro.
O País de Gales entra no confronto como favorito, depois de vencer a Albânia por 4 a 0 e por 1 a 0 no Grupo B1 da fase classificatória, no início deste ano. Antes do confronto de ida e volta, Hilaj conversou com a FIFA sobre enfrentar o País de Gales mais uma vez, seu sonho de levar a Albânia à Copa do Mundo Feminina FIFA pela primeira vez e sobre jogar futebol de clubes na Itália.
Alma Hilaj: É uma conquista enorme para nós [estar aqui]. Estamos felizes por estar envolvidas na repescagem e nunca tínhamos chegado a esta fase antes, então agora só temos que aproveitar a caminhada com calma e felicidade. Alcançamos nosso objetivo mínimo, e agora é sobre dar tudo de nós nesses dois jogos.
Somos um grupo muito bom. Já jogamos juntas há alguns anos e nos conhecemos muito bem. Temos qualidades excelentes apesar de algumas fraquezas. Jogamos um futebol brilhante nesses dois jogos, especialmente contra Montenegro. Poderíamos ter feito um pouco mais contra a Tchéquia, porque certamente não nos falta qualidade, mas há jogos em que não se consegue render no mais alto nível. No geral somos uma seleção mais forte que Montenegro, o que certamente ajuda.
Há uma diferença grande entre nós e elas, tanto como seleção quanto como grupo. No papel e em campo, elas mostraram que são mais fortes. O primeiro jogo no País de Gales foi ruim para nós. Foi quase um desastre, mas fizemos melhor no segundo. É verdade que perdemos esse também, mas tivemos várias jogadoras fora por lesão e por outros motivos. Poderíamos ter feito mais se estivéssemos com força total.
O País de Gales é uma seleção forte e melhorou bastante ao longo dos anos. Quando vimos o sorteio, não sabíamos bem o que esperar, porque havia outras seleções fortes no meio, como Portugal. No entanto, acho que o fato de já termos enfrentado elas e nos testado contra elas é uma vantagem para nós.
Nos conhecemos há muitos anos. Em termos de futebol, ele é provavelmente a pessoa que mais me conhece, desde quando eu tinha 16 anos. Também somos da mesma cidade. Ele sempre teve muita confiança no grupo e em mim em particular, mesmo em momentos em que eu não estava jogando tanto pelo meu clube ou as coisas não estavam indo particularmente bem para mim. Ele sempre acreditou em mim, deixando claro que, no que depende dele, só a opinião dele importa, não a de mais ninguém. Esse apoio ajudou todas nós a crescer. Ele conhece muitas de nós há muito tempo e sabe administrar o grupo da melhor forma possível.
Seria um sonho realizado. Classificar para a Copa do Mundo representa o auge da carreira de qualquer jogadora. Para a nossa federação, conseguir isso permitiria que todo o futebol desse um passo à frente. Vimos isso com o crescimento do futebol feminino no mundo depois das últimas edições da Copa do Mundo, e isso também ficou visível com a seleção italiana. Ainda temos muito espaço para melhorar, somos uma nação pequena no futebol e com muito trabalho pela frente, mas uma conquista dessas seria transformadora.
Eu não pensei muito nisso aos 16 anos. Movida pela paixão que tenho desde criança, eu só queria vir para cá e dar tudo de mim. Aprendi muito com as várias técnicas e companheiras com quem trabalhei. Na Itália, há um foco enorme no lado tático do jogo, uma área em que notei uma diferença grande em comparação com outros lugares. Acompanhei de perto a seleção italiana na Copa do Mundo Feminina. Foi ótimo ver em campo jogadoras com quem já dividi vestiário ou que já enfrentei como adversárias.
Comecei como zagueira, e essa é a posição em que jogo regularmente pela seleção, com alguns períodos como volante mais recuada. Quando vim para a Itália, avancei um pouco mais no campo, jogando com frequência como volante defensiva. Não há uma diferença muito grande entre as duas posições na hora de construir o jogo, mas os espaços e o tempo de bola são diferentes no meio-campo, e se toca mais na bola, o que eu gosto muito.
Nosso objetivo é muito claro e não escondemos isso: queremos vencer o campeonato e voltar à Serie A Women. Embora tivéssemos uma equipe muito boa no ano passado, encontramos algumas dificuldades pelo caminho. O grupo está unido e forte este ano, e estamos mirando o mais alto possível.
Publicado originalmente pela FIFA em 21/09/2026: Hilaj: Albânia tem que dar tudo na repescagem →