
— A próxima Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA acontece na Polônia entre 5 e 27 de setembro
— Quarteto de seleções africanas disputa o torneio: as tradicionais Nigéria e Gana, ao lado das estreantes Benin e Tanzânia
— As sempre presentes Falconets já chegaram duas vezes à decisão do título
Depois da ampliação para 24 seleções estreada na edição anterior, disputada na Colômbia há dois anos, quatro países voltam a representar o continente africano na próxima edição da Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA™, agora em solo polonês. A Nigéria, presente nas 11 edições do torneio (incluindo as de 2002 e 2004, quando a competição ainda se chamava Campeonato Mundial Sub-19 Feminino da FIFA), estará ao lado das experientes Gana e das estreantes Benin e Tanzânia. Com a contagem regressiva para a competição deste ano avançando, relembramos os feitos mais marcantes das representantes da CAF neste palco de tanto prestígio.
Qualquer conversa sobre a competição feminina Sub-20 da FIFA passa, inevitavelmente, pela presença constante e notável da Nigéria no torneio. As Falconets foram as únicas representantes do continente africano na edição inaugural de 2002 e voltaram a ser em 2004, lançando as bases para as demais seleções do continente. Depois de sair da estreia no Canadá com muitos aprendizados e um ponto conquistado, as nigerianas obtiveram sua primeira vitória dois anos depois, em solo tailandês, diante do poderoso Brasil. Apesar dos gols das então promessas Marta e Cristiane pela Seleção, a Nigéria fechou uma vitória histórica por 3 a 2, com um gol de Akudo Sabi aos 90 minutos garantindo o resultado para a equipe comandada por Felix Ibe Ukwu. Embalada por esse resultado, a melhor seleção da África somou um ponto na partida seguinte, contra a Itália, com outro gol salvador de Sabi no fim do jogo carimbando a vaga nas quartas de final, contra a futura campeã Alemanha. Na disputa, muito equilibrada, um gol de empate de Anja Mittag aos 86 minutos levou o confronto para a prorrogação, e a Alemanha venceu nos pênaltis.
Seguindo os passos da Nigéria, a República Democrática do Congo se tornou a segunda seleção africana a aparecer na renomada Copa do Mundo Sub-20 Feminina. As Leopardas estiveram em duas edições seguidas (2006 e 2008), nas quais não conseguiram somar um único ponto. Ainda assim, chegaram perto de estrear com pontos em sua primeira participação, perdendo por um gol de diferença nos dois primeiros jogos da fase de grupos: um pênalti de Kelley O'Hara selou a derrota por 2 a 1 para os Estados Unidos, semifinalistas da competição, e um gol de Amandine Henry decretou a vitória da França por 1 a 0.
A edição de 2010, na Alemanha, marcou a estreia de uma terceira representante africana, Gana, que se tornou a primeira seleção do continente a vencer logo em sua primeira participação. No grupo com Coreia do Sul, Suíça e Estados Unidos, as ganesas não avançaram apesar de somarem quatro pontos. Depois de estrear com um empate por 1 a 1 diante dos Estados Unidos, Gana bateu a Suíça por 2 a 0 na última rodada da fase de grupos, com gols das duas Elizabeths: Addo e Cudjoe.
Nigéria e Gana ocuparam as duas vagas da CAF em cada uma das seis edições disputadas entre 2010 e 2022. Mesmo com toda a tradição no torneio, porém, Gana nunca passou da fase de grupos. Já a Nigéria se firmou como a maior força do continente na competição global.
Na quinta edição do torneio, Desire Oparanozie liderou a Nigéria até a final, onde esperava a Alemanha, campeã em 2004. As anfitriãs venceram por 2 a 0, com Alexandra Popp, em grande fase, abrindo o placar e chegando a dois dígitos de gols somados no torneio. Aquele vice campeonato seria só uma prévia do que estava por vir para as nigerianas.
Na edição seguinte, em 2012, no Japão, a equipe comandada por Ndem Egan chegou às semifinais. Depois de liderar o grupo, a Nigéria, invicta, superou o México por 1 a 0 na prorrogação, nas quartas de final. As nigerianas caíram diante das futuras campeãs, os Estados Unidos, por 2 a 0, e ainda amargaram outra decepção ao perder por 2 a 1 para as anfitriãs na disputa pelo terceiro lugar.
Quando a competição voltou ao Canadá em 2014, a Nigéria, inspirada pela artilheira Asisat Oshoala (mais sobre ela na próxima seção), foi ainda mais longe e chegou à decisão do título. Nas três edições, as nigerianas alcançaram a final duas vezes (2010 e 2014) e pararam nas semifinais na outra ocasião (2012), consolidando-se como a grande força do continente.
Como mencionado acima, a Nigéria chegou à final na edição disputada há 12 anos, quando a Alemanha voltou a ser algoz, com uma vitória por 1 a 0 na prorrogação. Apesar da derrota dolorosa, as nigerianas puderam se consolar com o desempenho da artilheira Oshoala.
A então jovem do Rivers Angels só balançou as redes na terceira partida, com um pênalti que selou a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, mas, a partir da fase eliminatória, ninguém mais conseguiu pará-la. Ela marcou dois gols, um de cabeça e outro com um chute preciso, na goleada por 4 a 1 sobre a Nova Zelândia nas quartas de final, e depois anotou quatro gols na vitória por 6 a 2 sobre a Coreia do Norte na semifinal.
Mesmo sem conseguir balançar as redes alemãs na decisão, a artilheira de sete gols conquistou o Chuteira de Ouro adidas. A atleta, então com 19 anos, ainda levou para casa outro prêmio ao conquistar a Bola de Ouro adidas, reconhecimento por seu desempenho como a melhor jogadora do torneio. Até hoje ela é a única jogadora africana a ter recebido essa honraria.
Depois dessas atuações de destaque, a veloz atacante deu início à ascensão meteórica na carreira de clubes, que teve como ápice uma passagem repleta de títulos pelo Barcelona. A temida centroavante está atualmente no Al Hilal, da Arábia Saudita, clube que a contratou do Bay FC, da National Women's Soccer League.
Na primeira edição da competição com 24 seleções, disputada na Colômbia há dois anos, as tradicionais Nigéria e Gana foram acompanhadas pelas estreantes Camarões e Marrocos. Enquanto a estreia das marroquinas terminou em três derrotas por 2 a 0, as Leoas Indomáveis tiveram uma campanha de estreia empolgante.
Os quatro pontos de Camarões no Grupo A foram suficientes para ficarem entre as quatro melhores terceiras colocadas e avançarem às oitavas de final, onde levaram o poderoso Brasil à prorrogação antes de perder por 3 a 1. A equipe de Monique Ngock teve uma fase de grupos particularmente impressionante, na qual Naomi Eto se revelou ao mundo com atuações de encantar. Autora de dois gols no empate por 2 a 2 na estreia contra o México, a veloz atacante marcou um gol na vitória histórica por 2 a 0 sobre a Austrália. Na partida seguinte, abriu o placar com um gol de oportunista contra as brasileiras.
Com quatro gols no torneio, Eto (que parece compartilhar com o compatriota e quase xará Samuel o gosto por balançar as redes) teve papel fundamental para que a primeira participação de Camarões na competição Sub-20 garantisse seu lugar entre os destaques reunidos aqui. A artilheira segue em ascensão, agora na seleção principal, e deixou sua marca ao dobrar a vantagem do Camarões na vitória por 3 a 0 sobre o Malaui neste domingo, na final da Copa Africana das Nações Feminina, quando o Camarões conquistou o título continental pela primeira vez.
Publicado originalmente pela FIFA em 18/08/2026: Histórias de sucesso da África na Copa do Mundo Sub-20 Feminina →