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Huynh Nhu lidera o Vietnã em nova era

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Huynh Nhu reflete sobre sacrifício, liderança e momentos históricos no cenário global.

A capitã do Vietnã espera deixar um legado que inspire as futuras gerações.

A atacante de 34 anos falou com exclusividade à FIFA.

Longe dos holofotes, Huynh Nhu encontra conforto na simplicidade. Ouvir música, saborear a comida vietnamita e ligar para a família são pequenas rotinas que a ajudam a manter os pés no chão em meio às exigências do futebol de elite. Elas também a lembram de suas raízes e dos valores que continuam moldando sua trajetória.

“Minha família me ensinou humildade, trabalho duro e gratidão”, disse ela à FIFA. “O que quer que eu conquiste, sempre lembro de onde comecei.

É isso que me mantém com os pés no chão.” Essa humildade nunca a deixou, mesmo com gols, troféus e marcas pontuando uma carreira que já passa de uma década. Apesar dos recordes ligados a seu nome, incluindo ser a maior artilheira da história da seleção do seu país, Nhu continua incomodada com os holofotes voltados para ela.

“Não me vejo como a maior”, disse a atacante de 34 anos. “Sou apenas alguém que sempre dá o seu melhor pelo futebol vietnamita.

Se há algo do que me orgulhar, é ter tido a chance de jogar ao lado de gerações extraordinárias de jogadoras e contribuir, mesmo que de forma pequena, para o crescimento do futebol feminino no nosso país.”

A classificação do Vietnã para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023™ foi um dos capítulos mais emocionantes de sua vida. Como capitã, ela sentiu anos de esforço convergirem para um único momento inesquecível.

“É algo que nunca vou esquecer. Quando o apito final tocou, o time inteiro se abraçou.”

Para ela, a comemoração foi mais do que alegria: foi um alívio. Um alívio moldado por sacrifício, fé e perseverança. “Senti orgulho porque conquistamos algo que um dia pareceu tão distante do nosso alcance.”

Esse orgulho a acompanhou durante o torneio, mesmo quando o Vietnã enfrentou a realidade de competir contra as seleções mais fortes do mundo.

A presença na Copa do Mundo Feminina mostrou que o Vietnã ainda tem trabalho a fazer para alcançar a elite mundial, mas o que permanece mais vivo em sua memória não são as partidas. “O que mais lembro é o carinho da torcida que nos acompanhou e nos apoiou”, disse ela.

No plano pessoal, o torneio teve um significado ainda mais profundo. Pela primeira vez, ela conseguiu levar os pais ao estádio para vê-la atuar no maior palco do mundo.

“Vê-los na arquibancada é um momento que nunca vou esquecer. Isso me fez valorizar ainda mais essa jornada e me deu mais motivação para continuar lutando.”

Em 2022, Nhu fez história novamente ao se tornar a primeira jogadora vietnamita a atuar no exterior, ao se transferir para o Lank FC Vilaverdense, em Portugal.

A transição estava longe de ser fácil. “O idioma, a cultura, a velocidade do jogo: tudo era novo”, disse ela. “Houve momentos em que me senti solitária.”

Ainda assim, esse período longe de casa se tornou um capítulo decisivo em seu desenvolvimento pessoal e profissional. “Isso me ajudou a me tornar mais profissional”, explicou ela. “Isso me fez perceber que, com determinação suficiente, posso me adaptar a qualquer ambiente.”

Enquanto o Vietnã se prepara para a Copa da Ásia Feminina da AFC em março, torneio no qual foi sorteado no Grupo C ao lado de Japão, Índia e Taipé Chinês e que também serve como classificatório para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™, Nhu segue focada no objetivo coletivo.

“Não dou tanta ênfase às metas pessoais. O que mais quero é que o time jogue bem, permaneça unido e mantenha nosso espírito de luta.” Gols, ela insiste, são um bônus. “Se eu puder contribuir com gols ou simplesmente com minha experiência, isso já me deixa feliz.”

Essa mentalidade reflete sua compreensão de liderança. Como capitã, responsabilidade significa colocar o time acima de tudo. “Se o time vence e eu não marco, ainda fico feliz. O papel de uma capitã é inspirar e dar o exemplo, nos treinos e nas partidas.”

Cinco prêmios de Bola de Ouro do futebol feminino vietnamita reforçam seu status como uma das jogadoras mais premiadas do país. Cada um carrega um significado, embora o primeiro ocupe um lugar especial. “Foi um reconhecimento para uma garota que simplesmente dava o seu melhor todos os dias”, relembrou ela.

Mas ela não hesita em dividir o crédito. “Esses prêmios não pertencem só a mim”, disse a atacante nascida em Chau Thanh. “Eles são o resultado de um esforço coletivo, das minhas companheiras de equipe e de quem me apoiou silenciosamente nos bastidores.”

O mesmo vale para seu recorde como maior artilheira da história do Vietnã, com 70 gols em 121 partidas. As estatísticas ficam, mas as memórias importam mais. “Lembro mais dos momentos do que dos números. Cada gol está ligado a uma partida, uma emoção, um abraço de uma companheira. Números são só estatísticas, memórias duram para sempre.”

Para Nhu, voltar à Copa do Mundo Feminina significaria muito mais do que repetir uma conquista. “A Copa do Mundo não é só uma conquista. É uma fonte de inspiração para meninas acreditarem que podem sonhar grande.”

Cada aparição no cenário global, segundo ela, traz mais reconhecimento e investimento para o futebol feminino no Vietnã. E, ao olhar para o futuro, sua esperança é clara.

“Espero que as jovens jogadoras vejam que, com perseverança e esforço, podem chegar ao cenário mundial. Espero que o futebol feminino no Vietnã continue a crescer e que mais jogadoras tenham a oportunidade de competir no exterior.”

Publicado originalmente pela FIFA em 22/02/2026: Huynh Nhu lidera o Vietnã em nova era →

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