Quem acompanhou a França diante da Venezuela em Rabat, na noite de domingo, teria toda a razão para achar que estava vendo em dobro. Emma e Lea Motyka jogaram lado a lado pela direita da França. Mesmo sobrenome, mesmo porte físico, mesmo clube: as gêmeas, que jogam pelo OL Lyonnes, dividem muito mais do que uma camisa. Ao atuarem juntas na estreia das Bleuettes na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026™, elas acrescentaram mais um capítulo a uma história que escrevem juntas há anos. A lateral Emma usou a braçadeira de capitã, enquanto a irmã, Lea, jogando pela ponta, converteu um pênalti e marcou o segundo gol da vitória da França por 2 a 0. Não surpreende que tenha sido um gol que Emma comemorou com orgulho redobrado. “Fiquei muito feliz quando ela marcou. Sinceramente, jogar com a sua irmã é incrível. A gente tem uma ótima conexão. A gente se conhece de cor, então é claro que isso ajuda a gente a se entender bem em campo”, disse ela, antes de elogiar a gêmea, eleita a melhor jogadora da partida. “Ela é brilhante. Tenho muito orgulho dela.”
Por terem crescido juntas, dividido o dia a dia e jogado nos mesmos times, as irmãs passaram a conhecer intimamente os pontos fortes e o estilo de jogo uma da outra. É um entendimento que torna as tabelas entre elas quase automáticas e a parceria pela direita ainda mais eficiente. “A Emma é como o meu duplo, ela é como eu. A gente tem essa conexão, a gente sabe do que a outra é capaz, então jogar juntas só pode ser uma coisa boa”, disse Lea. O primeiro gol em Copa do Mundo seria especial para ela de qualquer jeito. “É uma sensação incrível. Só estar juntas nesta Copa do Mundo já é surreal. Mas nós duas começarmos o jogo e eu marcar: é uma estreia dos sonhos.”
A sintonia entre elas não passou despercebida pelas companheiras. Maelys Ane convive com as duas todos os dias, tanto no Lyon quanto na seleção, e também marcou na vitória sobre a Venezuela. O laço entre as três vai muito além do futebol. “Seja no Lyon, seja aqui com a França, nós três estamos juntas o tempo todo. Elas são como irmãs para mim”, explicou. Ainda assim, é a relação entre as gêmeas que mais a impressiona. “Sinceramente, nunca vi uma conexão como a delas. Elas se encontram de olhos fechados. Elas se dão tão bem fora de campo que isso tinha que aparecer dentro dele.”
O técnico da França, Franck Plenecassagne, por sua vez, fez questão de ressaltar que as duas jogadoras conquistaram a vaga no elenco por mérito. “Antes de mais nada, elas estão aqui porque são jogadoras talentosas, não porque são irmãs”, disse, sorrindo. Dito isso, o vínculo entre elas é um trunfo de verdade. “Quando elas jogam lado a lado, dá para ver a conexão entre as duas. A maioria das nossas melhores jogadas no primeiro tempo saiu pelo lado delas”, afirmou o técnico, que acompanha a evolução das duas há vários anos.
Por mais suada que tenha sido, a vitória deu às Bleuettes um impulso de confiança no início da campanha na Copa do Mundo Feminina Sub-17. “Foi difícil, mas vitória é vitória, então vamos aproveitar”, disse uma Emma aliviada após a estreia. Lea, por sua vez, quer dar sequência ao começo animador quando a França enfrentar o Japão na quarta-feira. “Espero continuar assim e marcar muitos outros gols.” A aventura no Marrocos está só começando, mas as irmãs Motyka já deram uma amostra do que as torna uma força tão grande: ambição compartilhada, uma percepção inata do jogo uma da outra e uma conexão quase telepática em campo. Quem estava na arquibancada pode ter achado que via em dobro, mas o que viu de fato foram duas jogadoras que sabem colocar o vínculo entre elas a serviço do time.
Publicado originalmente pela FIFA em 18/10/2026: Irmãs Motyka fazem da França uma força →