
Natural de Montenegro, no Rio Grande do Sul, Isa Haas está de volta ao seu estado, mas, pela primeira vez, com a Amarelinha. A zagueira passou bons anos morando em Porto Alegre, capital gaúcha, e agora retorna à cidade para participar da primeira passagem da Seleção Feminina pelo Estádio Beira-Rio na história.
“Eu estou muito emocionada. É um momento especial para o futebol feminino do Rio Grande do Sul. Será um presente muito importante para a galera que acompanha a modalidade desde sempre aqui. Estou feliz por fazer parte disso”, disse.
A equipe comandada pelo técnico Arthur Elias enfrentará a Argentina em um amistoso no sábado (10), às 16h30, no Beira-Rio. Na sequência, a delegação segue para Recife, onde encara novamente as argentinas na terça-feira (13), na Arena Pernambuco.
“Porto Alegre representa muito no futebol feminino brasileiro. Tem grandes times, tem um incentivo muito grande e tem grandes pessoas por trás da modalidade aqui, que merecem esse espaço e credibilidade. O Rio Grande do Sul já vinha sendo um exemplo dentro do futebol feminino, e trazer a Seleção para cá faz total sentido”, afirmou.
Isa Haas também relembrou suas origens no futebol. No início da trajetória, recebeu uma bolsa de estudos para jogar futsal em São Leopoldo, cidade próxima à capital gaúcha. Na época, a zagueira estava focada na vida acadêmica, mas seu pai, Vilmar, teve a ideia de levá-la para uma seletiva no Internacional. Inicialmente, ela não tinha interesse em seguir carreira no esporte, mas, a pedido do pai, fez a peneira e foi aprovada.
“Meu pai é uma das grandes influências para as coisas acontecerem. O apoio da família é 100% necessário e importante nesse processo. Hoje, muitos pais mandam mensagem para o meu pai perguntando como foi esse processo, e eu vejo isso de uma forma muito bonita, porque a nossa trajetória está servindo de exemplo para essa geração mais nova”, contou.
Em entrevista exclusiva à CBF TV, Isa Haas contou que, se pudesse dizer algo para si mesma no passado, diria para acreditar no processo e seguir com confiança.
“Vai. Porque eu não queria ir para a seletiva. Eu falei para o meu pai que eu não queria ir e por isso ele tem tanta influência. Eu até me emociono, porque foi justamente aí que ele me pediu para tentar uma última vez. Eu diria para ela: ‘Vai sem medo que vai dar certo’.”
Anos após decidir levar o futebol como profissão, Isa Haas alcançou um feito que jamais imaginou. Cria da base do Internacional, a zagueira chegou ao Cruzeiro no início de 2025. No final do mesmo ano, assinou contrato com o América do México, tornando-se a maior venda do clube mineiro no futebol feminino e a terceira maior da modalidade no Brasil.
“Foi um momento que me emocionou muito. Quando estamos inseridas no futebol, sabemos o quanto a posição de zagueira é difícil, tanto no contexto de cobrança dentro do próprio sistema quanto de oportunidades que chegam. A gente vê o pessoal mais da frente (meio-campistas e atacantes) tendo mais oportunidades. Me sinto muito privilegiada e até hoje não acredito nisso”, finalizou.