Das 21 jogadoras polonesas que hoje vivem a experiência única de disputar uma Copa do Mundo em casa, quase metade já atua no exterior. Algumas se juntaram ao VfL Wolfsburg ou ao Real Madrid, enquanto outras jogam pelo Koge, da Dinamarca, ou pela Roma, da Itália. Jagoda Cyraniak, por sua vez, é a única que joga na França, onde se juntou em janeiro à ambiciosa seção feminina do Olympique de Marseille.
"Eu queria ir para o exterior porque senti que era o próximo passo da minha carreira", disse a zagueira de 20 anos à FIFA. "Eu tinha alcançado um nível na Polônia em que senti que não conseguiria me desenvolver muito mais, então senti que precisava me mudar e competir num ambiente mais forte, com jogadoras que pudessem me exigir mais."
Ela escolheu o Marseille, seguindo os passos de várias jogadoras da seleção polonesa que se mudaram recentemente para a França para continuar seu desenvolvimento, entre elas Klaudia Jedlinska, Ewelina Kamczyk, Nadia Krezyman e Gabriela Grzybowska.
"Eles querem fazer do Olympique de Marseille um dos maiores clubes do futebol feminino", disse ela. "Obviamente há uma história enorme por trás do clube no lado masculino, e eles querem desenvolver o lado feminino também. Eles querem investir e realmente focar no futebol feminino. Então pensei que poderia ser o lugar perfeito para mim."
Mas, como muitas de suas companheiras polonesas, a ex-jogadora do Katowice também descobriu os desafios de uma primeira experiência no exterior.
"Sinceramente, foi difícil para mim", admitiu. "No clube, porém, não foi um problema, porque as meninas foram muito amigáveis e acolhedoras. Mas quando você vai para o exterior, não tem sua família nem seus amigos com você. Você não conhece a cidade nem o ambiente. E depois tem o idioma. Eu não falava francês. Tive talvez uma semana em que tive uma pequena crise. Chorei muito porque foi difícil para mim. Mas acho que lidei bem com isso."
Hoje, ela não tem arrependimentos sobre sua decisão e fica feliz em incentivar outras jovens jogadoras a dar o mesmo passo.
"Eu diria a elas que precisam ser corajosas e saber o que querem. Se tiverem 100% de certeza do que querem, vão saber que não é uma decisão ruim. Eu tomei minha decisão com o coração, então sabia que era a decisão certa. Não fiquei pensando demais."
Antes de voltar a um Marseille agora treinado por Nicolas Chabot, que fez um início promissor na nova temporada com duas vitórias, Cyraniak está vivendo uma experiência única no solo onde cresceu como jogadora de futebol.
"É uma grande experiência. Estou jogando aqui com a seleção e com meninas que conheço há alguns anos. Também é o nosso último torneio nesse nível para algumas de nós, porque muitas jogadoras não vão poder jogar no ano que vem. É incrível. Os torcedores e todas as pessoas que nos apoiam têm sido incríveis."
Na quinta-feira, em Bielsko-Biala, a Polônia enfrenta a Colômbia nas oitavas de final, com uma vaga nas quartas de final em jogo. Para Cyraniak, o jogo terá uma dimensão a mais, já que ela vai enfrentar uma de suas companheiras no Marseille, Sintia Cabezas.
"Vai ser divertido. Eu estava torcendo para que fosse a Colômbia, porque temos a oportunidade de reencontrar nossas amigas e competir contra uma equipe de outro continente. Isso é incrível. Na verdade, fico feliz por estarmos jogando contra a Colômbia porque Sintia Cabezas é minha companheira no Marseille. Estou muito feliz. Eu a vi no hotel e foi ótimo."
Contra as sul-americanas, a mais francesa das jovens jogadoras polonesas vai buscar usar a experiência que ganhou na Première Ligue desde o início do ano para fazer a diferença pelo lado esquerdo. E, se mais provas fossem necessárias, mostrar que alguns meses na Canebiere já a tornaram uma jogadora ainda mais forte.
Imagem cedida pelo OM
Cyraniak tem muitos sonhos desde que era pequena: jogar na Inglaterra, disputar a National Women's Soccer League (NWSL) e, claro, disputar a Copa do Mundo Feminina FIFA™.
Enquanto a Polônia 2026 dá a ela um gostinho do que é competir num grande torneio global, a jovem lateral espera viver a edição adulta da Copa do Mundo Feminina um dia. Tendo participado da seleção principal no início da campanha eliminatória para o Brasil 2027, a ex-jogadora do GKS Katowice acredita firmemente que a Polônia ainda pode garantir sua vaga na América do Sul.
"Vamos disputar a repescagem em outubro [contra a Bélgica] e estamos realmente ansiosas para isso", disse ela. "Queremos vencer e enfrentar a Irlanda [que precisa primeiro vencer o Cazaquistão na primeira fase da repescagem] na próxima repescagem, e depois queremos ir para o Brasil. Esse é o nosso sonho."
Parte de uma nova geração de talentos que complementa uma equipe ainda liderada pela extraordinária Ewa Pajor, Cyraniak abraça a ambição que fica evidente em toda a seleção polonesa.
"Não temos medo de dizer isso [que queremos nos classificar para o Brasil 2027]", disse ela. "É disso que estamos falando abertamente. Seria algo enorme e histórico para o futebol polonês. Também estamos fazendo história aqui. Até agora, vencemos todos os jogos e espero que continue assim. Esse é o objetivo."
Para Jagoda Cyraniak, portanto, uma Copa do Mundo Feminina pode muito bem levar a outra.
Publicado originalmente pela FIFA em 15/09/2026: Jagoda Cyraniak, a águia polonesa que abre as asas na França →