
O mundo do futebol sempre elogiou a pressão do implacável tiki-taka, mas o paciente tic-tac de um relógio parece ser a abordagem colombiana na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Polônia 2026™. Nesta quinta-feira (17), até os 44 minutos do segundo tempo, a equipe sul-americana ainda procurava um caminho para as quartas de final.
Diante da anfitriã Polônia, em Bielsko-Biala, as colombianas encontraram uma adversária difícil de superar e uma torcida que empurrava as donas da casa. Faltava pouco tempo, mas, para uma equipe que fez da paciência uma de suas características, o tempo é aliado.
Foi quando a bola desviou em Martyna Bartczak e terminou no fundo da rede polonesa. O gol contra definiu a vitória colombiana por 1 a 0 e manteve viva uma campanha construída sem pressa, inclusive quando as coisas não saem como planejado.
“Este é um time que sabe aguentar. Tivemos paciência e enfrentamos uma adversária com muitos recursos”, disse o técnico Carlos Paniagua à FIFA. “Quando jogamos contra Portugal [na fase de grupos], tivemos cinco ou seis chances claras de gol e não convertemos nenhuma. Hoje, eu disse ao grupo para ter paciência e organização porque, a qualquer momento, ganharíamos a partida.”
A explicação do treinador ajuda a contar a trajetória colombiana na Polônia. Depois de estrear com vitória por 3 a 1 sobre a Costa Rica, a equipe empatou por 0 a 0 com Portugal – e esbarrou várias vezes na goleira portuguesa Nair Pina, um dos destaques da segunda rodada. Depois, na última rodada, sofreu uma derrota por 3 a 0 para a atual campeã RPD da Coreia e avançou na segunda colocação do Grupo E.
A necessidade de respirar fundo e insistir reapareceu nas oitavas de final – ou melhor, resistir era ainda mais importante do que insistir diante da Polônia, já que a equipe da casa pressionou e teve grandes chances salvas pela goleira colombiana Luisa Agudelo.
Além disso, a Polônia havia chegado ao mata-mata embalada por três vitórias em três jogos na fase de grupos. Porém, a equipe europeia foi eliminada diante de sua torcida por uma Colômbia acostumada a esperar e resistir.
“Este time se caracteriza por isso, por sempre lutar até o final. Sempre tentamos, nunca deixamos de seguir em frente e, no fim, conseguimos o gol”, afirmou a capitã Juana Ortegón. Chegar às quartas também coloca a Colômbia diante de uma barreira conhecida.
Há dois anos, jogando em casa na edição sediada em solo colombiano, a seleção alcançou exatamente a fase de quartas de final. Em Cali, diante de quase 40 mil pessoas, a Colômbia ficou duas vezes em vantagem sobre a Holanda, mas sofreu o empate e acabou eliminada nos pênaltis. Juana Ortegón estava naquela equipe.
Agora, o sonho continua longe de casa. A capitã admite que o troféu é o grande objetivo para todas elas, mas evita olhar além do próximo jogo – que será contra a Nigéria.
“Vamos jogo a jogo. Estamos muito felizes porque chegamos às quartas de final. Pensaremos na Nigéria agora, mas este time sempre vai competir para ganhar. Queremos realizar o sonho de sermos campeãs mundiais, mas é jogo a jogo”, respondeu.
O próximo passo será no domingo (20), em Lodz. Do outro lado estará a Nigéria, que chega às quartas depois de vencer a Inglaterra por 3 a 0. A vitória nigeriana não surpreende, mas a largura do placar deixa claro que a seleção africana merece respeito.
“É uma adversária muito física, que hoje surpreendeu com um placar elástico contra uma equipe europeia como a Inglaterra”, analisou Paniagua. “Temos que recuperar nosso grupo, que teve um desgaste importante diante de uma adversária tão forte como a Polônia. Sabemos que será uma partida dificílima.”
Ortegón concordou com o treinador. “São fortes e rápidas. Vamos recuperar o jogo para analisá-lo e pensar nessa grande partida, para fazermos um grande trabalho.”
Há ainda outro sonho acompanhando algumas das jovens colombianas: a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027™ aparece no horizonte de uma geração que vai criando casca em competições como o Mundial Sub-20 e se aproxima da seleção principal.
Carlos Paniagua citou como exemplos três nomes do atual elenco que já passaram pelo processo da equipe principal: Fernanda Viafara, Juana Ortegón (eleita Jogadora da Partida contra a Polônia) e Maithe López. O torneio na Polônia pode ser parte do caminho dessas jovens até o maior palco do futebol feminino.
“São jogadoras com uma projeção muito grande para estarem na Copa do Mundo. María Fernanda Viafara, Juana Ortegón, Maithe López. São jogadoras que já estiveram no processo da seleção. Tomara que estejam no Brasil 2027 representando nosso país”, disse.
Juana Ortegón, uma das citadas, comentou que a possibilidade é justamente o que a categoria sub-20 deve representar: competir pelo presente e preparar o futuro.
“Para nós, é um sonho. É o propósito da categoria Sub-20 e, claro, é um objetivo e um sonho que temos. Trabalharemos para chegar lá.”
Publicado originalmente pela FIFA em 17/09/2026: Jogo a jogo, uma Colômbia paciente e sonhadora está em busca do título →