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Kasprowicz: jogar em casa nos dá um impulso extra

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Marcin Kasprowicz na zona mista.
Foto: Divulgação/FIFA

A Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA 2026™ é um momento histórico para o futebol feminino na Polônia, por diversos motivos. O país não está apenas sediando pela primeira vez um grande torneio mundial feminino, como o evento representa o próximo grande passo para a geração liderada pelo técnico Marcin Kasprowicz. No Grupo A, as anfitriãs enfrentam três desafios distintos: Argentina, México e a estreante no torneio, Benin. Em entrevista à FIFA, Kasprowicz fala sobre o desenvolvimento de sua equipe, a importância de sediar a Copa do Mundo, as forças das adversárias do grupo e seu objetivo claro: vencer as partidas.

Veja a tabela de jogos da Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA 2026

FIFA: Como a seleção da Polônia evoluiu na preparação para este torneio?

Marcin Kasprowicz: Acima de tudo, esta é uma equipe mais experiente. As jogadoras realmente evoluíram, e eu também cresci como técnico. Isso não tem preço. Participar da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA™ na República Dominicana foi um desafio enorme e uma experiência de aprendizado para nós. Enfrentamos as melhores seleções do mundo, incluindo a Coreia do Norte, que viria a se tornar campeã mundial. Partidas como essa nos fazem avançar. Elas nos dão novos objetivos, um novo senso de motivação e nos permitem avaliar o desenvolvimento individual das jogadoras. Nos testar contra estilos de jogo diferentes e perfis de jogadoras diferentes nos torna uma equipe mais completa.

A Polônia vai disputar a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA pela primeira vez. O senhor sente que está fazendo história?

Sim, estamos fazendo história. A Copa do Mundo Sub-20 da FIFA é o torneio de base mais importante do mundo, e para a maioria das jogadoras, é o único torneio desse tipo em suas carreiras. Isso vai fechar uma etapa específica do nosso desenvolvimento. Já participamos de quatro Eurocopas, duas na categoria Sub-17 e duas na Sub-19, além da Copa do Mundo Sub-17, e agora estamos na Copa do Mundo Sub-20. Costumo dizer que o caminho que escolhemos foi o certo. Não é por acaso que chegamos a todos esses grandes torneios. Agora vamos jogar em um torneio que funciona quase como um fechamento, e que é a culminação de todo o nosso ciclo de desenvolvimento. Acredito firmemente que isso também vai acelerar o impulso das jogadoras e a transição delas para o futebol de clubes adulto, além do caminho para a seleção principal. As jogadoras que se destacarem certamente serão consideradas para convocações da seleção principal no futuro. Este também é o primeiro torneio de elite da história do futebol feminino a ser sediado na Polônia, e teremos um grande torneio, dentro e fora de campo.

Como o senhor avalia o Grupo A, que tem Argentina, Benin e México?

É um grupo difícil e as adversárias são fortes. A Argentina é uma equipe muito boa. Elas são capazes de vencer as melhores seleções, até mesmo o Brasil. Não é por acaso que se classificaram novamente para a Copa do Mundo e que temos a oportunidade de enfrentá-las. É uma história parecida com o México, contra quem jogamos um amistoso em Bielsko-Biala em junho. No entanto, é preciso lembrar que um amistoso é completamente diferente de uma partida de Copa do Mundo. O objetivo daquele jogo, porém, foi entender o time delas em campo, compreender seus pontos fortes e identificar suas jogadoras-chave. Foi um teste muito valioso, depois do qual posso dizer que são uma adversária muito forte. Por ser uma equipe totalmente nova neste nível, Benin será altamente imprevisível. As equipes podem reagir de formas muito diferentes à atmosfera de um torneio. Algumas podem ser paralisadas pelo nervosismo, mas outras encontram energia extra e adrenalina positiva. Precisamos encarar esta Copa do Mundo com humildade, total comprometimento e senso de responsabilidade. Nosso objetivo será vencer as partidas. Isso será um degrau no desenvolvimento futuro do futebol feminino polonês, e espero e acredito firmemente que este torneio vai tornar o futebol feminino ainda mais popular em nosso país. A Copa do Mundo deve inspirar mais meninas a começar a jogar. Depois, vamos vê-las progredir pelas categorias de base até o futebol adulto, nas competições organizadas pela Federação Polonesa de Futebol. Esse será outro objetivo, e um que pode ter um impacto mais amplo.

Como o senhor prepara as jovens jogadoras para o momento em que ouvirão o hino nacional polonês em casa pela primeira vez?

Somos uma equipe muito forte mentalmente. Anos trabalhando juntos fazem com que, por um lado, não tenhamos medo de nenhuma adversária, e por outro, mostremos a todas um respeito imenso. Sabemos que muita coisa depende de nós, da nossa mentalidade competitiva e futebolística. Espero e acredito que a experiência que acumulamos nos últimos quatro anos vai valer a pena na Copa do Mundo. O ponto crucial será acertar a convocação da equipe para o torneio. O condicionamento físico e manter as jogadoras saudáveis também serão vitais. Quanto ao aspecto mental, estou muito tranquilo. Faremos de tudo para garantir que a equipe seja movida pela ambição e pela vontade de vencer.

Na fase de grupos, vocês vão enfrentar Benin, outra estreante. O senhor encara jogos assim de forma diferente em comparação a enfrentar uma adversária mais experiente?

Sem dúvida será um tipo diferente de desafio. Argentina, México e Benin são três equipes muito diferentes entre si, com estilos de jogo distintos. Benin será estreante, então a empolgação e a atmosfera serão totalmente novas para elas, e ninguém sabe como vão reagir. Para nós, porém, a partida mais importante será contra a Argentina. É o jogo de abertura da Copa do Mundo, então naturalmente é ali que está nosso foco. Tudo conta na fase de grupos. Cada ponto, cada gol marcado e sofrido, cartões vermelhos e amarelos, tudo importa e é preciso estar preparado para isso. Acredito que a experiência da República Dominicana também vai valer a pena aqui. Estamos muito felizes por jogar na Polônia. Já disputamos tantos torneios e partidas na frente da nossa torcida que esse tipo de atmosfera não nos abala. Pelo contrário, nos dá um impulso extra.

Independentemente dos resultados, como o senhor quer que esta seleção da Polônia seja lembrada?

Quero que a equipe seja pragmática. Em um torneio como este, é preciso simplesmente jogar um futebol eficaz. No ano passado, terminamos em quinto lugar na Eurocopa disputada na Polônia, o que significa que conquistamos nossa vaga na Copa do Mundo por mérito, não apenas por sermos o país-sede. Isso mostra a força da nossa equipe e o grande potencial das nossas jogadoras. Não temos ideia de como as partidas vão se desenrolar. As adversárias podem se fechar na defesa, ou podem jogar de forma mais aberta. No fim das contas, porém, o que importa é o resultado. Um futebol eficaz e eficiente vai determinar até onde chegaremos.

O que mais dá ao senhor confiança de que a Polônia pode desempenhar um papel importante neste torneio?

O início do torneio será crucial. Se começarmos bem, estou convencido de que podemos ir longe. Vale notar que as vencedoras de grupo, teoricamente, têm um caminho mais fácil nas fases eliminatórias. Por enquanto, porém, o foco está na fase de grupos. Queremos jogar três grandes partidas e vencer todas elas, mas o jogo mais importante é Polônia contra Argentina. Estamos nos preparando para isso com detalhes meticulosos, trabalhando na melhor estratégia e no plano de jogo para conseguir o resultado que queremos.

Daqui a dez anos, essas jogadoras poderão dizer que foram a primeira geração a disputar uma Copa do Mundo Sub-20. Acima de tudo, o que o senhor quer que elas levem desta experiência?

Mais do que tudo, quero que todas as jogadoras, a comunidade do futebol feminino polonês em geral e a torcida saiam felizes. Os treinos, as partidas, a preparação e os resultados farão parte da experiência de aprendizado. Isso não tem preço. Temos uma grande equipe e grandes pessoas ao nosso redor. Todos nós nos beneficiamos de passar tanto tempo juntos e fazer o que mais amamos, competir, vencer e compartilhar toda essa emoção. É uma pena que haja um limite no tamanho do elenco, porque eu levaria com prazer 30 ou 40 jogadoras. Eu adoraria levar todas elas. Vamos levar 21 jogadoras para o período de treinamento, selecionando as melhores da Polônia e as que atuam no exterior. Os clubes delas também serão fundamentais para garantir que as jogadoras cheguem à concentração em boa forma física e com bastante ritmo de jogo.

Publicado originalmente pela FIFA em 25/08/2026: Kasprowicz: jogar em casa nos dá um impulso extra →

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