Sempre dizem que experiência conta muito, e a jovem Linda Caicedo (nascida na cidade de Candelaria, Colômbia, em 22 de fevereiro de 2005) também já pode entrar nesse grupo. Mesmo tendo apenas 21 anos, a jogadora do Real Madrid e da Colômbia acumula quase sete anos desde a sua primeira convocação para a seleção principal e mais de três anos desde sua estreia pelo clube espanhol.
Em entrevista à FIFA, a atacante falou sobre o que significaria disputar a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027™, que seria sua segunda participação no principal torneio do futebol mundial. A Colômbia precisa de apenas um ponto nos próximos dois jogos para carimbar a sua vaga sem depender de outros resultados. A seleção recebe o Uruguai em 5 de junho e visita o Paraguai quatro dias depois.
FIFA: Em alguns dias, vocês enfrentarão o Uruguai, o seu próximo desafio para garantir a vaga. A Colômbia precisa apenas de um empate para confirmar a classificação em uma campanha invicta nas eliminatórias. Como você vê isso e há quanto tempo vocês já pensam nesse jogo?
Linda Caicedo: No dia em que terminamos o último jogo contra a Argentina, que se tivéssemos vencido já estaríamos com os dois pés na Copa do Mundo, já estávamos pensando na próxima Data FIFA em Cali contra o Uruguai. O empate basta para nós, mas temos muita vontade de vencer para honrar o nosso povo e conquistar seis pontos nesses dois jogos. Garantir o primeiro lugar e a classificação para a Copa do Mundo, que sem dúvida é o mais importante.
Você ainda tem 21 anos e já sonha em se classificar para sua segunda Copa do Mundo Feminina da FIFA. O que significaria disputar o grande torneio pela segunda vez sendo tão jovem?
Sinto que esse é o sonho de toda jogadora. O maior palco em que você pode estar. Sou muito privilegiada por poder ter a oportunidade de disputar minha segunda Copa do Mundo aos 22 anos [idade que terá durante o torneio], talvez agora com um pouco mais de experiência, apesar de ainda ser muito jovem. Com a expectativa de que nos dois últimos jogos que nos restam possamos garantir a vaga e ir lá para o Brasil.
Seu papel de liderança hoje é muito evidente, mas sua primeira convocação para a seleção principal aconteceu em novembro de 2019, quando você tinha 14 anos. Como você se lembra daquele momento e o que acha que viram em você para confiar em alguém tão jovem?
Talvez o mais importante naquele momento fosse meu futebol, os gols e a personalidade que eu tinha jogando com pessoas mais velhas do que eu. Minha primeira convocação não foi nada fácil, porque no fim das contas também era preciso me adaptar a um grupo e à convivência. Mas pouco a pouco fui conseguindo, me acolheram muito bem e acho que me transformaram em uma peça bastante importante na seleção.
A Colômbia chegou às quartas de final da Copa do Mundo Feminina em 2023, repetiu essa campanha um ano depois nos Jogos Olímpicos e, em 2025, perdeu nos pênaltis a final da Copa América. Como você vê a evolução do grupo?
Acho que em cada competição que disputamos tentamos dar o melhor. Temos consciência da grande equipe que temos. Isso fica muito evidente agora, com tantas jogadoras atuando no exterior, e isso fala muito sobre o talento colombiano. Além disso, essas quartas de final e depois o vice-campeonato da Copa América mostram um pouco da nossa evolução. Obviamente queremos mais, mas isso também fala da nossa Liga e de tudo o que construímos.
Em 2024, você marcou cinco gols pela seleção e, em 2025, outros cinco. Agora já está com dois em 2026. Sua evolução como artilheira ficou muito evidente. Como você trabalhou isso?
Acredito que, com o passar dos anos, as cobranças sobre mim aumentaram. Não é a mesma coisa que quando você acabou de chegar à seleção, quando talvez até não exista tanta expectativa, e agora você joga depois de aprender a lidar com essa pressão. Sempre que vou para a seleção quero dar o melhor de mim em gols, assistências, no aspecto coletivo e melhorar cada vez mais. Ainda poderia fazer muito mais.
Qual é o maior sonho que você ainda quer realizar pela seleção colombiana?
Conquistar um título pela minha seleção seria a coisa mais bonita. Tenho muitos e muitos sonhos, mas no nível de seleção, conquistar um título. Estive duas vezes muito perto, na Copa do Mundo da Índia [Sub-17] e agora na Copa América… Tenho essa convicção de que estamos crescendo cada vez mais, que o talento colombiano não tem limite e que vai chegar o momento em que os títulos virão por si só e serão muito comemorados.
O que você sente quando ouve "Brasil 2027" e pensa nesse próximo desafio?
Um sorriso. Pensar em jogar uma Copa do Mundo no Brasil faz você abrir um sorriso. Que sua família possa ir a um país onde o futebol é tão apreciado. É um sonho que está muito perto e não queremos que nos tirem isso. Nesse tipo de torneio surgem novas estrelas, é um torneio muito curto, existe muita expectativa, é muito prazeiroso… É algo único e minhas companheiras e eu queremos estar lá.
Em 2023, você conseguiu aproveitar esse torneio da forma como descreve ou imagina que em 2027 será diferente?
Por ser minha primeira Copa do Mundo, o nervosismo era muito maior. Agora já sei como funciona uma Copa do Mundo, como controlar minhas emoções, e acredito que aproveitaria muito mais. A pressão e o nervosismo diminuem. A ideia é aproveitar, mas primeiro precisamos vencer Uruguai e Paraguai, fazer as coisas bem feitas e depois pensar nesse lindo torneio.
Você já disputou a Copa do Mundo Feminina da FIFA™ nas categorias sub-17, sub-20 e principal. O que todas essas experiências representaram para o seu crescimento como pessoa e como jogadora?
Sou muito privilegiada por poder disputar tantos torneios pela minha seleção. Começando nas categorias inferiores e terminando na [seleção] principal. Obviamente cada torneio e cada cultura são diferentes, mas tudo isso me ajudou a crescer, ganhar mais experiência, e me sinto muito privilegiada e feliz por ter participado de todos esses lindos torneios.
Publicado originalmente pela FIFA em 30/05/2026: Linda Caicedo: "Pensar na Copa do Mundo no Brasil me faz sorrir" →