Redação GINGA36

Marie-Louise Eta quer ser julgada só pelo trabalho

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Marie-Louise Eta, de 35 anos, foi a primeira mulher a comandar um time masculino de primeira divisão entre as cinco grandes ligas da Europa, ao assumir interinamente o comando do Union Berlin em abril, após a demissão do técnico Steffen Baumgart, contou a treinadora alemã ao Guardian. Nesta temporada, ela comanda a equipe feminina do clube, depois da passagem de cinco jogos que fez história na Bundesliga masculina.

Como foi a passagem pelo time masculino

A missão de Eta era manter o Union Berlin na primeira divisão, e ela cumpriu: duas vitórias, um empate e duas derrotas em cinco jogos, com o time terminando a temporada na 11ª posição. O Union perdeu os dois primeiros jogos sob o comando dela, contra o Wolfsburg e o RB Leipzig, empatou com o Colônia e venceu o Mainz por 3 a 1, fora de casa. Ao fim dessa partida, Eta levantou os braços e se juntou aos jogadores para aplaudir a torcida do Union. Encerrou a passagem interina com uma vitória por 4 a 0 sobre o Augsburg.

Não era a primeira vez que a treinadora fazia história no clube. Antes de assumir o time principal, ela já havia se tornado a primeira mulher a atuar como assistente técnica na Bundesliga masculina, e em 2024 chegou a comandar a equipe do Union em uma partida. O técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany, descreveu a chegada dela ao cargo interino como algo capaz de abrir portas para mulheres mais jovens que querem se tornar treinadoras.

“Eu quis impressionar pelo meu trabalho, não por ser mulher”

Eta diz que a passagem pelo time masculino nunca foi, para ela, sobre fazer história, e sim sobre ajudar o grupo a voltar a vencer junto. A treinadora reconhece que a atenção da mídia sobre o gênero dela tornou os primeiros jogos muito intensos, envolvendo não só futebol, mas também a discussão sobre mulheres no esporte.

“Eu quis impressionar pelo meu trabalho, pela minha performance e pela minha abordagem como treinadora, não porque sou mulher ou porque deveria representar ou encarnar algo especial. Eu quis ser julgada pelos mesmos padrões que meus colegas homens”, disse ao Guardian.

Quando foi anunciada no cargo, Eta recebeu abuso sexista e depreciativo nas redes sociais, que o Union Berlin condenou publicamente e descreveu como embaraçoso e insano. Houve também muita positividade: mulheres e garotas escreveram para ela dizendo que a trajetória as encorajou a acreditar no próprio potencial e a perseguir seus objetivos. Para Eta, não deveria ser o gênero a decidir uma carreira no futebol, mas o desempenho e a qualidade do trabalho entregue.

O time feminino do Union Berlin nesta temporada

O plano sempre foi que Eta assumisse a equipe feminina do Union Berlin nesta temporada. Ela quer construir um time que jogue com coragem, energia e intensidade, capaz de ditar os jogos e ser dominante, sem abandonar o compromisso com o desenvolvimento das jogadoras e com um estilo de futebol que o grupo reconheça como seu.

A temporada começou difícil, com o Bayern de Munique como primeiro adversário: o Union perdeu por 4 a 1 e não somou pontos nos quatro primeiros jogos, mas desde então venceu o RB Leipzig e o Stuttgart, além do Magdeburg pela copa. As mudanças táticas acompanharam essa busca por identidade: Eta começou com um 4-4-2 e depois passou para um 4-3-3. A formação mudou, mas a ambição permaneceu a mesma.

O que muda

Para o Union Berlin, a passagem de Eta pelo comando do time masculino criou um precedente na Bundesliga alemã, e a aposta do clube agora é sustentar essa mudança também na equipe feminina. Para garotas que acompanham o futebol feminino, a trajetória de [Marie-Louise Eta](/atleta/marie-louise-eta) funciona como prova de que o caminho até o comando técnico depende do trabalho entregue dentro de campo, não do gênero de quem o entrega.

Para entender

O que torna Marie-Louise Eta pioneira na Bundesliga?

Ela foi a primeira mulher a comandar um time masculino de primeira divisão entre as cinco grandes ligas da Europa, ao assumir interinamente o comando do Union Berlin em abril.

Qual foi o resultado da passagem dela pelo time masculino?

Duas vitórias, um empate e duas derrotas em cinco jogos, com o Union terminando a temporada na 11ª posição.

O que Eta faz agora no Union Berlin?

Nesta temporada, ela comanda a equipe feminina do clube.

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