
Maricarmen Reyes caiu no choro depois de balançar a rede contra a Jamaica. A mãe assistia da arquibancada enquanto a meio-campista marcava em grande estilo seu retorno ao México, depois de passar quase dois anos longe do cenário internacional por causa de uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA). Também tinha sido um período difícil para a família, com a mãe concluindo o tratamento contra um câncer de mama. Tudo isso fez daquela uma noite cheia de emoção para Reyes, que finalmente pôde comemorar a volta aos gols pela seleção.
“Essa é a minha filha!”, gritou a mãe na arquibancada, como já tinha feito em tantas outras ocasiões. Desta vez, porém, a emoção era outra. “Imagine só, é a coisa mais maravilhosa do mundo”, disse ela ao canal de mídia da seleção mexicana depois da partida. “Ela sofreu, eu sofri... Imagine só... Eu tremia e soluçava [depois do gol dela].”
“Tive um ano especialmente difícil por causa da lesão e de tudo o que aconteceu com a minha mãe, mas, graças a Deus, esses tempos ficaram para trás”, disse Reyes, que joga pelo Tigres na Liga MX Femenil, onde já deixou sua marca com oito gols nesta temporada.
A espera acabou para Reyes, enquanto ao México resta um último obstáculo. Depois de concluir a preparação com dois amistosos contra a Jamaica, uma vitória por 4 a 3 da seleção caribenha seguida de um triunfo por 3 a 1 do El Tricolor, o grupo volta a se reunir daqui a um mês para enfrentar o Haiti, com uma vaga na Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027™ em jogo, depois de ter ficado de fora das duas últimas edições do principal torneio feminino da FIFA.
“Estamos muito animadas com a partida”, admitiu Reyes. “Só queremos entrar em campo e jogar.” Superado este último teste, o foco agora é garantir que todas as jogadoras disponíveis no momento sigam em condições para 28 de novembro, data aguardada com ansiedade pela torcida depois de uma turnê que levou a equipe a várias cidades mexicanas que raramente recebem partidas internacionais de qualquer nível. Os jogos em Aguascalientes e Querétaro tiveram resposta entusiasmada do público, com quase 40 mil pessoas somadas.
A equipe de Pedro López sentiu dois golpes importantes, com a perda das zagueiras titulares Greta Espinoza e Ivonne Gutiérrez por lesões no ligamento cruzado anterior. As duas vão desfalcar a seleção no confronto decisivo contra o Haiti e devem ficar afastadas por vários meses.
Para reforçar as opções na defesa, o técnico chamou recentemente Alexandra Godínez, Jana Gutiérrez e Ana Mendoza. Elas se juntam à experiente capitã Rebeca Bernal, que agora joga na Women’s Super League pelo Manchester United, onde tem aproveitado bem as oportunidades e já marcou seu primeiro gol.
Na primeira partida contra a Jamaica, o México foi pego de surpresa e sofreu dois gols nos primeiros 20 minutos, um deles da atacante estrela Khadija ‘Bunny’ Shaw. As transições rápidas das Reggae Girlz expuseram a dificuldade do El Tri em se recompor na defesa.
Mesmo assim, o México reagiu, buscou a recuperação depois de sair atrás no placar e transformou um jogo de mão única num duelo eletrizante de 4 a 3. Segundo López, isso mostrou que sua equipe é capaz de se reerguer na adversidade.
O México desenvolveu essa resiliência ao longo de um processo de reconstrução que, no início, girou em torno de recuperar a confiança e reencontrar o hábito de vencer depois da decepção de não se classificar para a última Copa do Mundo Feminina da FIFA™, como reconheceu a também capitã Kenti Robles.
“Elas nos testaram na primeira partida e nos colocaram em situações muito parecidas com as que vamos enfrentar, o que nos deu um desafio a responder no segundo jogo”, explicou López depois da vitória por 3 a 1 no segundo amistoso. “Fomos mais consistentes e sólidas, o que nos permitiu criar tanto quanto na partida anterior e dar menos oportunidades às adversárias.” Numa noite em que Reyes comemorou entre lágrimas, Lizbeth Ovalle converteu uma cobrança de falta espetacular e a veterana Charlyn Corral fez sua parte para garantir o resultado.
López explicou na entrevista coletiva que sua prioridade, por ora, é manter o núcleo de jogadoras que fez parte deste ciclo. Com o confronto do mês que vem contra as haitianas no Campeonato W da Concacaf, em que só a vitória serve, cada vez mais perto, o treinador espera que suas comandadas continuem competindo no mais alto nível, embora reconheça que ainda há tempo para as circunstâncias mudarem.
Enquanto o México ajustava sua abordagem, a comissão técnica também acompanhava de perto as próximas adversárias. Integrantes da equipe de apoio viajaram à França para assistir aos dois amistosos do Haiti contra Japão e Austrália, que terminaram em derrotas pesadas para a seleção caribenha.
Com o México de olho no confronto decisivo de 28 de novembro, no Texas, López pode tirar muitos pontos positivos da preparação. Suas jogadoras passaram pelos últimos jogos sem lesões e com a motivação renovada. “Ouvi o Estádio Corregidora [em Querétaro] rugir de empolgação, algo que as jogadoras conquistam com o esforço que dedicam e com cada corrida que fazem. Se continuarem assim, a energia que transmitem às companheiras e à torcida é incrivelmente poderosa, e isso vai nos ajudar no futuro.”
Publicado originalmente pela FIFA em 14/10/2026: México mostra resiliência antes de eliminatória decisiva →