
— A meio-campista da Noruega Lisa Naalsund fala à FIFA
— Estrela do Birmingham City de olho na primeira Copa do Mundo Feminina
— Seleção enfrenta a Romênia na repescagem europeia
Lisa Naalsund nasceu sete dias antes de a Noruega ser coroada campeã da Copa do Mundo Feminina FIFA™ de 1995.
“Uma grande inspiração” é como ela descreve aquela equipe, que teve figuras lendárias como Hege Riise, Marianne Pettersen e Linda Medalen.
“Sabemos que as equipes da Noruega foram à Copa do Mundo, atuaram no mais alto nível e conquistaram títulos”, acrescenta a meio-campista. “Talvez um dia isso aconteça de novo.”
Para Naalsund e a geração atual, o foco imediato é garantir a vaga da Noruega na fase final do ano que vem, no Brasil. A seleção se prepara atualmente para a primeira rodada da repescagem da UEFA contra a Romênia, em jogos de ida e volta, com as partidas marcadas para os dias 9 e 13 de outubro. Se a Noruega avançar, vai enfrentar País de Gales ou Albânia em dois jogos na fase seguinte, com a vitória garantindo vaga na Copa do Mundo Feminina.
Naalsund não está se adiantando.
“Não podemos dar nada como garantido”, diz ela sobre a Romênia, próxima adversária, que está 39 posições abaixo da Noruega, 14ª colocada, no Ranking Mundial Feminino FIFA/Coca-Cola.
“Do jeito que as seleções estão competindo em todo lugar hoje, se a gente cair um pouco que seja, elas podem passar no nosso lugar. Temos que estar muito focadas e fazer nosso trabalho direito.”
Para Naalsund, de 31 anos, disputar uma Copa do Mundo Feminina representa uma espécie de busca pessoal. Ela é hoje presença regular nas convocações da técnica da Noruega, Gemma Grainger, mas ainda não jogou no maior palco de todos.
“Eu fui à Eurocopa no ano passado e isso foi algo muito grande”, explica ela. “Eu deveria ter ido à Eurocopa antes dessa [em 2022], mas me machuquei pouco antes. Depois, na Copa do Mundo de 2023, fui chamada como jogadora de treino, mas não fui selecionada para o elenco final. Eu tinha chegado tão perto tantas vezes. Então, quando joguei a Eurocopa, foi uma sensação muito boa, porque era algo pelo qual eu trabalhei a vida toda. A Copa do Mundo agora é outra coisa que estou buscando e sonhando em fazer. Espero conseguir viver isso.”
O fato de o Brasil sediar o torneio acrescenta mais uma camada de entusiasmo.
“Eu nunca fui ao Brasil e é um país muito legal. Sinto que a torcida vai aparecer de verdade e pode ser bem barulhento! É um pouco longe para a minha família, mas, se a gente se classificar, espero que elas possam vir também. É sempre melhor quando elas estão lá.”
Disputar uma Copa do Mundo Feminina ainda pode ser uma meta não realizada, mas Naalsund tem uma lista impressionante de conquistas na carreira. Duas vezes campeã norueguesa pelo Brann, ela se transferiu para o Manchester United em 2023 e ajudou o clube a conquistar seu primeiro grande título um ano depois, com a conquista da FA Cup Feminina. Naalsund também ajudou o United a se classificar para a Liga dos Campeões Feminina da UEFA, competição em que o clube chegou às quartas de final na última temporada.
Ela deixou o Manchester United em julho de 2026, para se juntar ao Birmingham City, time recém-promovido à Women's Super League (WSL).
“Eu me encaixei no time muito rápido”, diz Naalsund. “Foi algo instigante para mim vir para cá e construir alguma coisa. É uma mentalidade diferente, um clima diferente do que eu tinha no United. Quando falei com o clube antes de assinar, vi que eles têm ambições muito altas. Eles querem crescer a cada ano e tentar se estabelecer de verdade na WSL, e depois, com sorte, competir no mais alto nível no futuro. Fui muito bem recebida aqui até agora. Isso me deu uma sensação muito positiva.”
A adaptação de Naalsund à vida em Birmingham foi facilitada pelo fato de sua noiva, a internacional inglesa Millie Turner, também ter se transferido do United para o clube no início deste ano.
“Temos muita sorte de ter tido a oportunidade de fazer isso”, diz ela. “Eu não conseguiria pensar em uma situação melhor.”
Naalsund elevou seu nível de jogo a novas alturas desde a transferência para a WSL. Meio-campista completa, ela tem passes variados, precisos e incisivos. A norueguesa tem excelente resistência física e é igualmente capaz de fazer arrancadas até o terço final do campo ou travar os ataques adversários com desarmes e interceptações decisivas.
“Eu realmente cresci como jogadora no Reino Unido”, diz ela. “Pude jogar contra os melhores times do mundo e as melhores jogadoras do mundo. Aprendi com os erros, até mesmo tentando e falhando. Aqui tudo acontece muito mais rápido. Precisamos pensar rápido, precisamos fazer as coisas mais rápido.”
Em nível de seleção, Naalsund está rodeada de qualidade de elite em uma Noruega liderada pela dupla de superestrelas Ada Hegerberg e Caroline Graham Hansen. O ataque da seleção é particularmente forte e também conta com as companheiras de WSL Elisabeth Terland e Julie Blakstad, além do ícone da seleção Guro Reiten.
Ser liderada em campo pela capitã Hegerberg, diz Naalsund, dá à equipe uma dose extra de confiança.
“A Ada tem uma personalidade muito forte. Ela faz o trabalho, exige de cada jogadora, e não aceita nada menos do que o melhor. Então, se algo não está bom o suficiente ou se algo precisa mudar, ela sempre vai lutar para conseguir o que precisamos para elevar o nível nos treinos e nas partidas. Ela lidera pelo exemplo.”
A Noruega, claro, será amplamente favorita na próxima repescagem da Copa do Mundo Feminina contra a Romênia. Se as escandinavas garantirem a vaga para o Brasil 2027, desafios ainda mais difíceis vêm pela frente, na busca por ir longe no torneio e até igualar a geração campeã de 95.
Com tanto talento à disposição, será que a Noruega pode voltar a derrubar as melhores do mundo?
“Talvez, em anos anteriores, quando jogávamos contra as melhores equipes, estivéssemos longe delas”, diz Naalsund. “Agora, mesmo quando o resultado não vem, conseguimos criar chances e realmente competir contra elas. Acho que é só uma questão de tempo, quanto mais acertarmos nossa tática e nossa união dentro e fora de campo. Estamos indo na direção certa.”
Publicado originalmente pela FIFA em 06/10/2026: Naalsund fala sobre a confiança da Noruega, a vida na WSL e a influência de Hegerberg →