O futebol feminino inglês ainda vive a fase de start-up no negócio: a receita cresce, mas falta a estrutura comercial que sustenta o jogo masculino, segundo análise publicada pela Littleton Chambers em 5 de março de 2026. O texto aponta a dependência dos clubes masculinos como o principal entrave.
Na temporada 2024/25, as 15 equipes femininas de maior receita somaram 158 milhões de euros, alta de 35% sobre a temporada anterior, que já tinha crescido no mesmo ritmo. A final da Eurocopa Feminina de 2025 teve audiência recorde de 12,2 milhões de pessoas na BBC, e o sucesso das Lionesses, a seleção da Inglaterra, aparece na análise como motor desse avanço.
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A Littleton Chambers lembra que a Football Association (FA) proibiu jogos de mulheres em campos filiados a ela em 1921, e a proibição durou até 1971. O relatório Play Gap, de 2025, estimou que esse veto de 50 anos custa ao futebol feminino 37,5 milhões de libras por ano em receita e investimento perdidos, e que sem ele a modalidade seria de 30% a 40% maior hoje.
A WSL nasceu em 2011. Em 2024, ela e a Women's Championship deixaram a FA e passaram para a Women's Professional Leagues Limited, criada para conduzir uma nova fase de crescimento.
A maioria das equipes femininas é ligada a um clube masculino, muitas vezes como subsidiária de uma empresa controladora. Para a análise, isso tira independência comercial e não favorece o crescimento de longo prazo.
Há quem tenha saído desse modelo. O London City Lionesses se separou do Millwall em 2019 e virou o primeiro clube totalmente independente da WSL. Comprado pela empresária Michele Kang em 2023, atraiu patrocinadoras como Nike e Mastercard, e hoje recebe investimento muito maior que clubes estabelecidos da liga, como West Ham e Leicester.
Arsenal e Chelsea seguiram caminhos opostos. O Arsenal adotou o modelo de clube único: a equipe feminina joga com frequência no Emirates e usa o mesmo marketing da masculina, o que fez crescer bastante a receita de dia de jogo. O Chelsea reestruturou o clube e pôs a equipe feminina ao lado da masculina, e não abaixo dela, com gestão, recursos e liderança comercial próprios.
Nas equipes femininas, a receita comercial costuma ser a maior fonte. A UEFA projeta que o valor comercial do futebol feminino na Europa pode crescer até seis vezes entre 2021, quando era de 116 milhões de euros, e 2033. Segundo a FIFA, só uma pequena parte das ligas e clubes femininos recebe investimento externo hoje.
A transmissão é a fonte de receita menos relevante, ao contrário do que acontece no masculino. A análise defende que os clubes não copiem o modelo dos homens, porque o público feminino acompanha cada vez mais por mídias não tradicionais: em 2024/25, 12 clubes da WSL tiveram quase 30% mais interações no Instagram que 24 clubes masculinos da EFL Championship. A FIFA registrou 3,2 bilhões de visualizações de conteúdo digital na Copa do Mundo Feminina de 2023.
O público também é outro: mais mulheres acompanham o jogo feminino que o masculino, e 53% das torcedoras e torcedores viraram fãs nos três anos anteriores. O Barclays, patrocinador da WSL, relata que o patrocínio deixou a marca mais próxima dos clientes.
Só na temporada 2023/24 a WSL e a Women's Championship criaram uma taxa de reconhecimento para compensar clubes que formam jogadoras em suas academias. Os valores vão de 500 a 5.000 libras. Karen Carney avaliou que a medida "must go much further to encourage and protect investment in the talent pipeline". A análise previa, para a temporada 2026/27, contratos formais de academia para atletas sub-16, para evitar que os grandes clubes da WSL levem jovens de divisões inferiores sem compensação.
Para a torcedora, a disputa sai do campo e vai para o balanço: crescer depende de clubes com gestão e patrocínio próprios, de transmissão adaptada a um público mais jovem e de base remunerada. O modelo inglês serve de vitrine para quem quer investir no futebol feminino em outros países.
O London City Lionesses, que se separou do Millwall em 2019.
As 15 de maior receita somaram 158 milhões de euros, alta de 35%.
Cinquenta anos, de 1921 a 1971.