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Ngock: esta é uma grande oportunidade para o Camarões

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O Camarões está entre as 16 seleções que vão disputar a Copa Africana das Nações Feminina da CAF (WAFCON), de 25 de julho a 16 de agosto de 2026.

Monique Ngock, uma das principais jogadoras do Camarões, está determinada a aproveitar ao máximo esta nova chance.

Aos 21 anos, ela espera se apoiar na experiência das eliminatórias de 2023 na busca por uma vaga no Brasil.

Depois de disputar a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, Colômbia 2024™, Monique Ngock colocou os olhos no Brasil em 2027. Poucos meses atrás, a talentosa meio-campista achou que seus sonhos tinham sido destruídos quando o Camarões ficou fora da classificação para a Copa Africana das Nações Feminina da CAF (WAFCON) 2026 pela via tradicional, perdendo para a Argélia por 3 a 1 no placar agregado em dois jogos.

Agora, a possibilidade de disputar a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™, na América do Sul, voltou a estar sobre a mesa. Ngock e companhia receberam uma segunda chance da CAF, que anunciou que quatro seleções adicionais seriam reintegradas à competição continental: Costa do Marfim, Egito, Mali e as Leoas Indomáveis.

“Eu tinha acabado de voltar para o meu clube, o Fleury, quando ouvi a notícia”, recordou a camaronesa. “Foi a minha companheira, a jogadora maliana Aissata Traore, que veio me perguntar: ‘Você viu? Vamos jogar a WAFCON!’ Eu disse a ela: ‘Para de brincadeira, Aissata. Eu não gosto disso. Você sabe o estado em que eu estou. Eu não quero ouvir mais nada sobre a WAFCON.’ Mas aí ela insistiu: ‘Não, não, olha meu celular!’”

Traore estava dizendo a verdade. Para a alegria dos torcedores de futebol, Ngock vai ter outra chance de brilhar no centro das atenções no Brasil. Desde que se destacou no Reims, equipe da primeira divisão francesa, a meio-campista se tornou impossível de ignorar, às vezes dando a impressão de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tamanha é sua capacidade de cobrir cada centímetro do gramado.

“Eu gosto de ser levada ao limite, adoro um desafio e me saio bem sob pressão”, destacou Ngock, que se formou nas categorias de base do Canon Yaoundé e do Eclair Football Filles de Sa'a. “Mesmo quando eu não estou entre as titulares, eu continuo colocando pressão em mim mesma.

Então, quando as outras pessoas esperam ainda mais de mim, eu já estou mentalmente preparada para isso.” Ngock teve que se adaptar rapidamente às mudanças. Ela tinha apenas 17 anos quando chamou a atenção de Amandine Miquel, que a levou para o Reims. A França foi um choque cultural completo, mas ela se saiu bem o suficiente para entrar no time principal, tanto no clube quanto na seleção.

“Quando recebi minha primeira convocação, fiquei genuinamente surpresa”, disse ela. “Eu acreditava em mim mesma, mas também entendia que conquistar um lugar na equipe principal naquela idade era algo especial. Quando você se encontra ao lado das mesmas mulheres que costumava assistir na TV ou ouvir falar quando era criança, é uma experiência bem surreal.”

Ainda com 17 anos, a jovem promessa foi convocada por Gabriel Zabo para viajar ao Marrocos e disputar sua primeira WAFCON. Cercada por veteranas como Gabrielle Aboudi Onguene e Ajara Nchout, a versátil meio-campista acumulou experiência valiosa, apesar de sua equipe ter sido eliminada por 1 a 0 nas quartas de final para a Nigéria, então detentora do título.

“Antes de tudo, eu fui para aprender”, disse Ngock. “Eu disse a mim mesma: ‘Se eu acabar aparecendo na câmera, vou mandar um aceno para a minha família. Isso já é uma vitória.’ Eu não esperava ter tanto tempo de jogo. Mas as mais velhas realmente aumentaram minha confiança. Elas foram muito receptivas.

Em um certo momento, até me peguei pensando: ‘Espera, elas estão realmente me escutando?’” Agora, aos 21 anos, Ngock não é mais a irmã caçula do elenco. Embora o Camarões não tenha se classificado para a WAFCON de 2024, ela se firmou na primeira divisão francesa, onde as adversárias raramente gostavam de enfrentá-la no meio-campo.

Depois de três anos no Reims, ela se transferiu para o Fleury e ajudou a equipe a terminar em quinto lugar na primeira divisão francesa em 2025-26.

Suas boas atuações desde então renderam a ela uma transferência para o Washington Spirit, vice-campeão da NWSL. “Com o Spirit, eu sei que posso me tornar a melhor versão de mim mesma como jogadora”, disse Ngock à imprensa no anúncio de sua contratação.

“O histórico impressionante e a cultura criada pela equipe e pela comissão técnica fizeram do clube um destino muito atraente para mim, e eu mal posso esperar para começar.” Mais importante ainda, desde que entrou para a equipe principal, Ngock realizou uma ambição de toda a vida ao estrear no cenário global na Copa do Mundo Feminina Sub-20, na Colômbia, onde as jovens Leoas chegaram às oitavas de final, sendo eliminadas por 3 a 1 para o Brasil após a prorrogação.

“Eu nunca vou esquecer nossa partida contra a Colômbia”, recordou a dínamo do meio-campo, refletindo sobre a derrota de 1 a 0 na fase de grupos. “O estádio estava lotado. Foi a primeira vez que joguei na frente de um público completo. Ouvir eles cantando meu nome enquanto eu entrava em campo quase me fez chorar.

Foi aí que caiu a ficha de que eu tinha chegado ao grande momento.” A jovem estrela poderia até ter alcançado o auge do futebol feminino antes de completar 19 anos. Tendo participado das edições de 2015 e 2019 do grande evento global, o Camarões chegou muito perto de disputar a Copa do Mundo Feminina da FIFA Austrália e Nova Zelândia 2023™. No entanto, uma dolorosa derrota por 2 a 1 na final para Portugal, definida por um pênalti no minuto 94, no torneio de repescagem, encerrou o sonho.

“Quando sofremos aquele pênalti de última hora contra Portugal, foi um baque psicológico enorme”, admitiu ela. “Eu estava na iminência de ir a uma Copa do Mundo aos 17 anos. É a competição que eu sempre sonhei em disputar, e ela simplesmente escapou das minhas mãos.”

Apoiada pela mãe em cada revés, Ngock nunca ficou muito tempo abatida. Mesmo depois da decepção contra a Argélia, a resiliente jovem se recompôs e voltou aos trilhos. Então, com um pouco de sorte, a porta para o Brasil 2027 se abriu mais uma vez, ainda que apenas uma fresta.

Nesta WAFCON ampliada, com 16 seleções, a primeira da história a reunir tantas concorrentes, as equipes vão precisar chegar às semifinais para se classificar automaticamente para o grande evento global, e ao menos às quartas de final para manter vivas as chances de avançar para a repescagem.

“Quando eu soube que era oficial, fiquei tomada pela emoção. Ganhar outra chance é uma grande oportunidade para nós. Mas não podemos esquecer o que aconteceu, porque precisamos aprender com os nossos erros.”

Apesar de toda a sua energia sem limites, a jogadora de 21 anos também ficou mais sábia com a experiência. E quando o Camarões estrear a campanha contra a seleção do Mali, time da sua companheira, ela vai fazer o que sempre fez toda vez que veste a camisa do Camarões: dar absolutamente tudo, sem guardar nada.

Publicado originalmente pela FIFA em 22/06/2026: Ngock: esta é uma grande oportunidade para o Camarões →

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