Pelada com a Nara

O fim do futebol hétero top

Pelada com a Nara
Ele achou que era o protagonista. Elas acharam graça. ⚽📸
Ilustração: Axl para Ginga36

O termo "hétero top" nasceu graças à maravilhosa guerra de memes no contexto da eleição presidencial de 2018, a mesma que elegeu Jair Bolsonaro. O eleitor jovem de direita que apoiava Jair inspirou o "starter pack" do homem de sapatênis, perfume importado e vodka com energético. Quando penso nessa figura jogando bola, enxergo suas canelas finas porque, afinal, homem que é homem não malha da bunda pra baixo.

O termo ficou restrito a nichos da internet até 2022, quando o Big Brother Brasil nacionalizou a expressão. O participante Gustavo inaugurou o “orgulho hétero top" logo no seu vídeo de apresentação, se autodeclarando "branco e bem-sucedido", perseguido pela "lacrolândia". 

A busca pelo termo no Google disparou. De lá para cá, o interesse foi caindo e, hoje, está nos mesmos patamares de quando nasceu. Junto com a queda na busca pelo termo, veio a queda de Jair, hoje em prisão domiciliar, e a derrocada do futebol hétero top. 

Para além do 7x1 em campo, fora dele a lista de derrotas é bem mais grave. Robinho foi condenado por estupro coletivo na Itália e segue preso em Tremembé. O goleiro Bruno foi condenado pelo homicídio de Eliza Samúdio e cumpre pena em regime semiaberto. Daniel Alves foi condenado por estupro em Barcelona, mas está solto. Que desgraça.

No futebol feminino, a história é inversa. Aqui dá para a gente respirar. E celebrar. Ir a pé ao estádio feliz, com a mulherada, com a criançada, com a velharada, com os gays, lésbicas, e toda a lacrolândia. E voltar mais feliz ainda.

Afinal, o futebol feminino brasileiro já conquistou mais de duas dezenas de títulos, fora o show inacreditável da Marta, que liderou o ranking de maior artilheira da história das Copas do Mundo por 7 anos consecutivos, entre homens e mulheres, com 17 gols, sendo superada pelo Messi neste ano. É bonito demais de ver.

Agora, estamos prestes a ir às urnas novamente escolher entre Lula e Bolsonaro Júnior. Aos 80 anos, Lula vira e mexe esbarra publicamente nos fantasmas do próprio alter ego hétero top, mas parece enfrentá-los, também publicamente, com sinceridade. Já o outro lado bota mais energético nessa vodka. A gente não merece isso. Espero que a eleição presidencial de 2026 seja o colapso definitivo da heterotopia no Brasil. E que, em 2027, o país do futebol se torne, de uma vez por todas, o país do futebol… feminino.


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