A Seleção Brasileira Feminina Sub-17 começou bem a Copa do Mundo da categoria. No domingo (18/10), o Brasil venceu o Canadá por 6 a 2, de virada, em Salé, no Marrocos, pela primeira rodada do Grupo C. Greise Kelly marcou duas vezes, e Helena Rodrigues, Nicolly Manuel, Marcela Bontorim e Pepê completaram o placar. Gana e Noruega são as próximas adversárias.
O Mundial vai até 7 de novembro e acontece a menos de um ano da Copa do Mundo Feminina 2027, a primeira disputada no Brasil. Para a geração comandada por Rilany Silva, o torneio no Marrocos também é vitrine. É ali que as jovens mostram se estão prontas para os próximos passos, até a Seleção principal de Arthur Elias.
Pular da Sub-17 direto para uma Copa do Mundo adulta é raro. Arthur Elias já afirmou que cerca de 70% da lista para 2027 está definida.
O caminho entre a base e a equipe adulta, porém, está aberto. Em junho de 2026, as comissões técnicas da Sub-17 e da Sub-20 participaram dos treinos da Seleção principal em Itu (SP), em um período de integração entre as categorias. A geração anterior já mostrou esse trânsito: a atacante Evelin, artilheira do Sul-Americano Sub-17 de 2025, foi chamada para completar o grupo da Seleção principal. A goleira Ana Morganti, que defendeu o pênalti decisivo contra o Canadá no Mundial de 2025, esteve na lista de treinamento da equipe adulta em Itu, em junho de 2026.
Aos 16 anos, Gigi Pires disputa sua primeira Copa do Mundo Sub-17. A FIFA apontou a meio-campista como a jogadora brasileira para acompanhar no torneio. Segundo a entidade, Gigi Pires marcou três gols no Sul-Americano e atua atrás da atacante, com facilidade para aparecer na área e finalizar. No Brasileiro Feminino Sub-17 de 2026, soma 12 gols pelo São Paulo. Fora dos números, ela diz que quer orientar as companheiras mais novas e “ser uma líder dentro de campo”.
Laura Dupont lidera a artilharia do Brasileiro Feminino Sub-17 de 2026, com 15 gols. Ela está no ciclo da Seleção há mais tempo: já tinha sido chamada para a preparação da Copa do Mundo Sub-17 de 2025.
Destaque da estreia, Greise Kelly marcou dois gols e participou de outros lances decisivos na vitória sobre o Canadá.
As duas disputam a segunda Copa do Mundo Sub-17 seguida. No Mundial de 2025, ambas converteram cobranças na disputa de pênaltis que levou o Brasil à primeira semifinal da história da categoria.
Sofia Gamonal marcou o gol de empate na final do Sul-Americano contra a Argentina e tem oito gols no Brasileiro Feminino Sub-17 de 2026.
As duas balançaram a rede na final do Sul-Americano e repetiram o feito na estreia do Mundial.
Duas atletas já jogam fora do Brasil: a goleira Andressa Macedo, do FC Wichita (Estados Unidos), e a meio-campista Indy Botasso, do FC Nordsjælland (Dinamarca).
Rilany Silva conhece os dois lados da linha lateral. Ex-lateral, construiu parte da carreira na Europa e defendeu a Seleção Brasileira como atleta. Como treinadora, comandou a Sub-17 feminina do Benfica, em Portugal, entre 2019 e 2024, e passou pelo Corinthians em 2024. No início de 2025, foi auxiliar técnica do time adulto do Cruzeiro, até assumir a Seleção Sub-17, em março daquele ano.
Em entrevista à CBF, Rilany Silva contou que começou a pensar na carreira de treinadora nos últimos anos como atleta, quando passou a se interessar mais pela parte tática e pelo trabalho fora de campo.
No primeiro Mundial no cargo, em 2025, levou o Brasil à semifinal pela primeira vez. A equipe terminou em quarto lugar, a melhor campanha do país na categoria. Em maio de 2026, conquistou o hexacampeonato Sul-Americano Sub-17: cinco vitórias, um empate, 21 gols marcados e seis sofridos, com vitória por 3 a 2 sobre a Argentina na final, em Assunção, no Paraguai.
A lista tem jogadoras de cinco clubes brasileiros, uma atleta do futebol dos Estados Unidos e outra da Dinamarca. São três goleiras, cinco defensoras, seis meio-campistas e sete atacantes.
Goleiras: Nathalia Borges (Corinthians), Isa Dossena (Ferroviária) e Andressa Macedo (FC Wichita, EUA)
Defensoras: Andreyna (Ferroviária), Kaillany Ranifah (Corinthians), Eloisa Feijó (São Paulo), Emilly França (Ferroviária) e Isadora Rech (Internacional)
Meio-campistas: Sarah Coelho (São Paulo), Carol Melo (Corinthians), Gigi Pires (São Paulo), Pepê (Corinthians), Indy Botasso (FC Nordsjælland, Dinamarca) e Helena Rodrigues (São Paulo)
Atacantes: Nayane Souza (Ferroviária), Laura Dupont (Internacional), Letícia Pinho (Flamengo), Greise Kelly (Ferroviária), Sofia Gamonal (São Paulo), Marcela Bontorim (Ferroviária) e Nicolly Manuel (Flamengo)
18 de outubro: Canadá 2 x 6 Brasil 21 de outubro: Gana x Brasil 24 de outubro: Brasil x Noruega
A Copa do Mundo de 2026 tem 24 seleções, em seis grupos de quatro. Avançam às oitavas de final as duas primeiras de cada grupo e as quatro melhores terceiras colocadas. Daí em diante, é mata-mata até a final, em 7 de novembro. Esta é a 10ª edição do torneio. O Brasil ainda busca o primeiro título mundial na categoria.