
Para seu sétimo aniversário, Abril Rius tinha um único desejo: jogar futebol. Como muitas de suas referências no futebol feminino, sua própria trajetória começou em circunstâncias humildes. Crescendo em Ullastrell, uma vila perto de Barcelona, as oportunidades eram limitadas: "Comecei jogando em campos de terra com os meninos porque não havia time feminino", contou à FIFA.
Aquele desejo de aniversário se revelou o ponto de partida de sua carreira no futebol. Poucos anos depois, o Barcelona veio buscá-la, tendo identificado nela um talento em formação: "Estou no clube há oito anos, e estou muito feliz de jogar pelo time que sempre sonhei em representar."
Uma vez fechada a transferência da promessa para o gigante catalão, seu clube da infância, onde ela deu os primeiros passos no futebol, se despediu dela com uma promessa: "Vamos te seguir aonde você for. Ullastrell sempre será sua casa." Essas palavras ganham um significado especial agora que Rius se prepara para mostrar seu futebol na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026™, que será sua primeira experiência no cenário global.
Com apenas 17 anos, a zagueira já se tornou uma líder clara pelo clube e pela seleção, dentro e fora de campo. Essa maturidade se reflete em sua forma de encarar o jogo: "No começo, eu só jogava por diversão. Com o tempo, percebi que posso viver de futebol e que, com trabalho duro e dedicação, posso alcançar todos os objetivos que eu mesma estabeleço."
Dois títulos, em 2018 e 2022, e um vice-campeonato em 2024 reforçam a tradição recente da Espanha na competição Sub-17. Depois de uma derrota dramática nos pênaltis nas oitavas de final na última edição, a técnica Mila Martinez está no comando para sua segunda campanha na Copa do Mundo Feminina Sub-17, com o objetivo de recolocar a La Rojita firmemente na disputa pelo cobiçado título.
Com a Marrocos 2026 programada para começar em 17 de outubro, Rius conversou com a FIFA sobre sua trajetória até aqui e suas expectativas para o grande evento global.
Abril Rius: Tenho muito orgulho de jogar pelo meu país. É um sonho realizado. Há poucos anos, eu assistia às jogadoras mais velhas disputarem esse torneio e, sinceramente, eu nunca poderia imaginar que um dia eu mesma estaria participando dele. Muito disso vem do trabalho que eu faço dia após dia, assim como do apoio que recebo da minha família.
Foi muito especial porque pude compartilhar essa aventura com as meninas. Tive experiências inesquecíveis e aprendi muito com elas. Garantir a classificação para o Campeonato Europeu fora de casa, contra Portugal, foi especialmente marcante, assim como o próprio torneio, em que garantimos nossa vaga na Copa do Mundo.
São referências para mim. Isso vale tanto para as jogadoras da seleção feminina quanto para os jogadores da seleção masculina. Quando você é criança, sonha em chegar nesse nível, e eu vou dar tudo o que tenho para conseguir. O que me inspira é a forma como jogam, competem e entendem o jogo.
Somos um grupo muito unido, e também somos extremamente ambiciosas e trabalhadoras. Estamos de olho em vencer esta Copa do Mundo, e vamos dar tudo para trazer o troféu para casa.
Esta é minha primeira Copa do Mundo, e eu quero aprender o que é preciso para enfrentar de igual para igual as melhores seleções do planeta, como lidar com a pressão, dar o meu melhor, continuar melhorando e, acima de tudo, aproveitar ao máximo essa experiência.
Eu imagino que vai haver muita pressão, porque todo mundo vai querer vencer e a disputa vai ser acirrada, mas também vamos viver experiências incríveis juntas, e vai ser um momento muito especial para todo o grupo.
Eu sonho em chegar ao mais alto nível, conquistar espaço no time principal do Barcelona e, no futuro, representar meu país na categoria principal.
Publicado originalmente pela FIFA em 01/10/2026: Rius: a Espanha vai dar tudo para trazer o troféu para casa →