A jornalista Vanessa Le Moigne, da beIN Sports, pediu mais espaço para as meninas no futebol, em entrevista ao Actu.fr publicada nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026. Ela falou sobre o beIN Squad, projeto da emissora catari que foi ao clube de Cherbourg, na Normandia, na [França](/selecao/franca), para valorizar o futebol amador.
O beIN Squad está na terceira temporada. No início, a beIN Sports apenas patrocinava equipes amadoras e organizava ações pontuais com elas, contou Le Moigne ao Actu.fr. Depois, a emissora passou a usar sua estrutura de transmissão esportiva para exibir partidas amadoras em direto, dentro dos próprios clubes. O projeto começou pelo futebol masculino. Na temporada passada, pela primeira vez, colocou o futebol feminino em destaque, na região da Bretanha. Esta temporada, a vez é da Normandia, com Cherbourg escolhida pela história do time, pelo engajamento que desperta e pela presença nas redes sociais. A passagem por Cherbourg caiu no mês de Outubro Rosa, mas, segundo Le Moigne, isso não foi o critério de escolha ao marcar o encontro: a beIN Sports queria começar a temporada com força.
Questionada se o futebol feminino francês ainda tem caminho a percorrer, Le Moigne foi direta: não é Cherbourg que está atrasada, e sim a França inteira. Para a jornalista, é preciso permitir que toda garota que queira jogar futebol encontre um clube, em qualquer parte do país, o que exige campos, vestiários adaptados e investimento real das instituições. Ela disse preferir falar de equidade, não de igualdade: "é preciso abrir espaço para as meninas". Na entrevista, perguntou por que elas deveriam sistematicamente passar depois dos meninos, e defendeu que todo cidadão, incluindo pessoas com deficiência, tenha acesso ao esporte que quiser, perto de casa. Le Moigne também citou os bastidores do futebol amador: voluntários e jogadoras que trabalham fora das quatro linhas e, ainda assim, não faltam a treino nem a jogo, numa dedicação que, segundo ela, carrega mais virtude educativa do que o futebol profissional.
Para Le Moigne, a cobertura de mídia pode acelerar essa mudança, mas ainda não existe televisionamento suficiente do esporte feminino, nem sempre feito do jeito certo. Ela rebateu a tese de que a audiência não acompanha o futebol feminino: quando a transmissão recebe investimento, com boa realização, mais câmeras e histórias para contar, o público responde. Segundo a jornalista, a audiência do futebol feminino cresceu fortemente durante a Copa do Mundo Feminina na Austrália e a Eurocopa Feminina na Inglaterra, prova de que existe interesse real. Ela afirmou não ver por que o desempenho de uma mulher interessaria menos que o de um homem.
A fala de Le Moigne reforça a cobrança por estrutura (campos, vestiários, investimento) para meninas que querem jogar futebol na [França](/selecao/franca), e defende que a visibilidade na televisão ajuda a sustentar esse acesso. Para o Futebol Feminino francês, o recado da jornalista é que a desigualdade de base, não a falta de público, segue sendo o obstáculo central.
A emissora catari levou em conta a história do time, o engajamento que ele desperta e a presença nas redes sociais.
É um projeto da beIN Sports, em sua terceira temporada, que leva transmissão profissional a jogos do futebol amador: começou pelos meninos e, desde a temporada passada, também inclui o futebol feminino.
Porque, para ela, as meninas não deveriam sistematicamente passar depois dos meninos no acesso a campos e vestiários, e tratar as duas situações como iguais ignora essa desvantagem de partida.