Redação GINGA36

Viviane Asseyi conta como Zidane inspirou sua carreira

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A atleta Viviane Asseyi, em 2025.
Foto: Katie Chan / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A atacante francesa Viviane Asseyi, do West Ham, decidiu aos quatro anos que seria jogadora profissional, depois de ver a França vencer o Brasil na Copa do Mundo de 1998. Ela contou a história ao Guardian, em entrevista publicada nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026.

O pedido foi feito à mãe logo depois do jogo. “Compre uma bola para mim. Quero jogar futebol. Quero ser como o Zidane”, lembrou Asseyi. A mãe chegou a comprar primeiro uma bola barata, de plástico leve, achando que a filha não perceberia a diferença. Não deu certo: a menina exigiu a mesma bola que Zinedine Zidane usava.

Como a família recebeu o sonho?

Com muita risada, segundo a atacante, que descreve a família como gente que ri muito uns dos outros. Ela era muito magra, e os parentes perguntavam como ia jogar contra meninas e meninos muito mais fortes. Mesmo rindo, estavam todos do lado dela.

Na escola, quando a professora perguntava o que cada criança queria ser, Asseyi respondia sempre a mesma coisa: jogadora profissional, como Zidane. O futebol feminino não tinha visibilidade naquela época, e os professores achavam que ela estava maluca. Os amigos entendiam, porque todos jogavam, e ela ia para a escola todos os dias para jogar com eles.

O que Clairefontaine representou para ela?

A mãe a inscreveu em clubes da Normandia, onde Asseyi cresceu. O caminho terminou no centro nacional de futebol da França, em Clairefontaine, depois de uma série de testes que, segundo ela, aprovam algo entre 13 e 15 jovens de todo o país. Para Asseyi, aquele lugar era a seleção, o melhor lugar onde uma jovem pode estar, e por onde passou também Kylian Mbappé.

Quando chegou a carta de aprovação, a mãe e toda a família choraram em volta dela. Ela foi a única que não chorou, porque estava concentrada no futebol e na chance de viver o sonho todos os dias.

Em Clairefontaine, meninos e meninas recebem o mesmo tratamento, estudam e comem juntos. Asseyi foi colega de turma do goleiro Alphonse Areola, que hoje também está no West Ham, e da mesma geração de Raphaël Guerreiro, que defendeu Portugal. Na escola, o ídolo de Guerreiro era Cristiano Ronaldo, com quem ele depois ganhou a Eurocopa. A rotina longe de casa, vendo a família só nos fins de semana, preparou a atacante para a vida itinerante de jogadora.

Por onde ela passou até o West Ham?

Asseyi jogou por Rouen, Montpellier, Marseille e Bordeaux antes de passar dois anos na Alemanha, no Bayern de Munique. Trocou a Baviera por Londres em 2022 e está na quinta temporada no West Ham, onde soma 117 jogos. Deve superar o recorde de Kate Longhurst, que tem 130 partidas pelo clube na era da Women's Super League.

Aos 32 anos, é vice-capitã e uma das mais experientes do elenco, com papel na definição da cultura do grupo. Diz que encontrou no clube uma segunda família, porque se sente valorizada e vê respeito mútuo em toda parte. O West Ham tem duas vitórias nos sete primeiros jogos da temporada, e Asseyi atribui a falta de regularidade ora ao lado mental, ora a pequenos detalhes. Ela tem certeza de que os resultados vão melhorar.

Quem é a crítica mais dura dela?

A mãe, Sidonie. As duas conversam por telefone depois de cada jogo, quase como um ritual. Depois da derrota por 3 a 0 para o Brighton, fora de casa, Asseyi ligou irritada, e a mãe respondeu rindo que ela tinha jogado muito mal. Segundo a atacante, aquilo ajudou: a mãe sabe que pode dizer tudo a ela, e ela segue trabalhando para melhorar.

Por que ela quer ser referência?

Na infância, o ídolo de Asseyi era a tenista Serena Williams. Hoje, como jogadora negra com visibilidade, ela diz que não entendia o quanto uma atleta pode inspirar até começar a receber mensagens nas redes sociais de gente agradecendo. Ela quer fazer isso cada vez mais. A mãe sempre lembrou a ela que muita gente a observa e que ser um bom exemplo ajuda a próxima geração a não desistir.

O que muda

Para a torcida do West Ham, a atacante que chegou de Munique em 2022 caminha para se tornar a jogadora com mais partidas pelo clube na era da Women's Super League, num momento em que o time busca regularidade. Para o futebol feminino, a trajetória dela mostra uma menina que ouviu de professores que o sonho era loucura e virou referência para outras meninas.

Para entender

Quem inspirou Viviane Asseyi a jogar futebol?

Zinedine Zidane. Aos quatro anos, ela viu a França vencer o Brasil na Copa do Mundo de 1998 e pediu à mãe uma bola.

Em quais clubes Viviane Asseyi jogou?

Rouen, Montpellier, Marseille, Bordeaux e Bayern de Munique, antes de chegar ao West Ham em 2022.

Que recorde ela pode bater no West Ham?

O de Kate Longhurst, com 130 jogos pelo clube na era da Women's Super League. Asseyi soma 117.

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