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Alexia Putellas, vencedora da Bola de Ouro, ajudou a mudar a mentalidade de todos no London City Lionesses e a fechar um patrocínio com a Nike, na avaliação do diretor-executivo Martin Semmens, informou o Guardian nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026. No domingo seguinte, o clube recebe o Manchester City em Hayes Lane, em Bromley.
A página do London City no Instagram somou 34 milhões de acessos entre a noite de segunda-feira, quando Putellas ganhou o prêmio, e a tarde de quinta-feira, segundo Semmens. A própria jogadora tem 3,7 milhões de seguidores na rede, mais do que um clube masculino do tamanho do Porto, compara o Guardian.
O clube independente, que pertence à empresária Michele Kang, está em terceiro lugar na WSL (Women's Super League), a primeira divisão, dois anos e meio depois de terminar em oitavo na segunda. Fica a três pontos de Chelsea e Manchester City, e Semmens diz que a meta é montar um elenco que esteja sempre entre os três primeiros.
London City e Manchester City reúnem sete das 30 primeiras colocadas do ranking da Bola de Ouro. Para o dirigente, este é provavelmente o principal jogo do futebol feminino no mundo naquele fim de semana.
Semmens reconhece que Putellas, campeã do mundo com a Espanha e quatro vezes campeã europeia com o Barcelona, e a marca dela foram decisivas para o acordo com a Nike. O clube afirma que é o maior patrocínio de frente de camisa do futebol feminino e que vale mais do que os US$ 4 milhões (3 milhões de libras) por ano do patrocínio do Atlanta, nova franquia da NWSL.
O dirigente descreve a estratégia como investir primeiro em tudo e fechar o grande contrato comercial depois, em vez de esperar a torcida crescer e o dinheiro chegar. Essa foi, segundo ele, a visão de Kang: investir logo para provar que o clube seria capaz de atrair esses acordos.
Contratar uma jogadora que passou 14 anos no Barcelona não seria simples, mesmo com o dinheiro de Kang. Semmens, ex-diretor-executivo do Southampton, conta que a resposta inicial de Putellas foi pedir que esperassem até ela terminar de ganhar uma Champions League com o Barcelona.
Ele cita o que, na opinião dele, convenceu a jogadora: a independência de um ambiente que coloca as mulheres em primeiro lugar, a força de Londres como cidade, a WSL vista como a marca em crescimento e a chance de deixar um legado, abrindo caminho para jovens jogadoras em Londres. Pesou também o impacto de Kang.
“Bem, ela disse que ia fazer tudo isso e fez. Então eu quero fazer parte disso”, relatou Semmens sobre o que ouviu de Putellas.
Os gastos do clube levantam questões. O prejuízo operacional de mais de 10 vezes a receita em 2024-25, temporada em que o London City subiu como campeão da segunda divisão, causou estranheza no restante da liga.
Depois disso, a WSL criou um teto salarial. A folha das jogadoras de cada clube não pode passar de 80% da receita, somados a até 4 milhões de libras ou a mais 25% da receita, o que for maior.
Na temporada passada, em que o London City terminou em sexto, o regulamento da liga previa que não haveria punição por estourar o teto, só naquela edição. A partir desta temporada, a infração pode custar pontos, um dos motivos que tornavam imprescindível aumentar as receitas comerciais.
Semmens afirma que o clube está 100% dentro das regras. Ele diz que o objetivo é dar lucro em até cinco anos e compara os investimentos do ano passado a um fundo de start-up.
Para o clube, o contrato com a Nike permite seguir investindo em jogadoras e em estrutura sem depender só do dinheiro de Kang, segundo Semmens, numa temporada em que estourar o teto salarial já pode custar pontos na tabela.
O clube afirma que vale mais do que os US$ 4 milhões por ano do patrocínio do Atlanta, da NWSL.
A punição passou a ser possível nesta temporada para quem estourar o limite. Semmens diz que o clube cumpre as regras.