
— O Brasil está pela primeira vez na final do Mundial Feminino Sub-17 da FIFA
— A Seleção eliminou o Canadá nos pênaltis com atuação decisiva da goleira
— Ana Morganti uma maturidade admirável e é adorada por suas companheiras.
Quando ela saiu da República Dominicana um ano antes, Ana Morganti havia impressionado muitos olheiros, mas infelizmente sua vivência e exposição foi muita curta lá, já que o Brasil foi eliminado na primeira fase da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA™ pela primeira vez em sua história.
Este ano, no Marrocos, a promissora goleira já pode dizer que curte ao extremo sua aventura no Mundial, mostrando tudo o que é capaz de fazer, já que sua equipe foi a primeira a garantir vaga nas semifinais. Num jogo duro contra o Canadá, as jogadoras de Rilany Silva tiveram que recorrer à disputa de pênaltis, durante a qual uma defesa de Morganti fez toda a diferença para garantir a vitória.
"É o sentimento mais absurdo que já tive na vida. Estou muito feliz, principalmente porque acredito muito no que estamos fazendo", disse a goleira à FIFA. "Claro que sempre ficamos receosas de como vai ser o jogo, sempre ficamos ansiosas, mas tinha certeza de que sairíamos com o resultado positivo, por tudo aquilo que construímos, aquilo que somos."
Tanto as jogadoras canadenses quanto as brasileiras estavam particularmente concentradas durante a decisiva disputa de pênaltis, apesar da tensão repentina que tomou conta do gramado do Estádio Olímpico de Rabat. Em uma sessão em que todas as jogadoras estavam determinadas a balançar as redes, foi necessária uma defesa com a canela de Ana Morganti, apesar da potente cobrança de Bridget Mutipula. A revelação do Corinthias estava mais do que pronta para a ocasião.
"Sempre tento mentalizar, ler, mas é importante ressaltar o trabalho que é feito com nossas goleiras", afirmou Ana. "O Fabrício é o preparador que está com a gente, preparando a gente para todos os cenários. Nós nos incentivamos a buscar formas melhores para defender. Ali, com a perna, com a canela, tenho certeza de que também estava a perna da Josi, da Jhenni(fer) e do Fafá (Fabrício".
Provavelmente, você precisa ver a goleira pessoalmente para entender o quão excepcional é a jovem jogadora Ana Morganti, que une carisma, maturidade e sinceridade de forma admirável para alguém tão jovem. Isso, claro, para não falar de seu talento em campo.
Um dos momentos cruciais da partida foi quando ela se aventurou para fora da sua área para interceptar um contra-ataque perigoso do Canadá. Melisa Kekic poderia sair na cara do gol. Com notável serenidade e arrojo, a goleira chegou antes na dividida e, depois da disputa, decidiu mergulhar momentaneamente sobre a bola sem tocá-la com a mão, o que teria resultado em um cartão vermelho e provavelmente mudado o rumo do jogo.
"A gente treina bastante sair em cobertura. A gente treina bastante isso, que é um jogo mais arriscado, que mata algumas pessoas do coração, mas que para nós é completamente natural. Então foi um momento que, por incrível que pareça, é pensado", disse.
"Claro que não pensava em ter dificuldade naquele momento, mas sou treinada para saber sair de situações como essa. Tinha muita confiança em tudo o que fiz naquele momento. Com certeza dá aquele gelo no coração, mas é para isso que a gente treina."
Dentro do vestiário, a jovem brasileira é unanimemente admirada; os elogios que recebeu na zona mista foram prova suficiente disso.
"Não tenho palavras para descrever a Morganti", disse a capitã Kaylane à FIFA. "Ela é sensacional, e pude acompanhar um pouco o seu desenvolvimento. Ela é a nata das goleiras. É isso. Estou muito feliz por ela, por tudo o que construiu e por tudo o que conquistou."
"Quando acaba o jogo, a Ana Morganti estava com um sorrido no rosto. Isso mostra muito quem ela é", observa a técnica Rilany Silva. "É o momento que ela mais adora. Ela lida muito bem com pressão. Ela está muito preparada para o que o [futebol de] alto rendimento vai trazer para ela."
Embora tenha convertido o quinto e último pênalti, a jovem zagueira Andreyna sabia perfeitamente que devia a vitória à sua goleira.
"A Ana é uma pessoa fantástica e eu a admiro muito como atleta", disse a brasileira sobre sua goleira. "Ela é excelente em pênaltis, sabemos disso desde que jogamos contra ela [no clube]. Quando estamos na Seleção, ela é uma força com a qual podemos contar, e fiquei muito feliz em vê-la fazer aquela defesa."
Sempre gentil, a jovem goleira acredita que, desde a eliminação precoce da Seleção na República Dominicana, sua evolução foi principalmente "mental". "O que mudou mais foi meu psicológico, um trabalho feito com as psicólogas do clube e com a Alícia aqui. Melhorei muito psicologicamente e tecnicamente, mas o ponto chave foi o psicológico. É o que me faz ser decisiva nesses momentos quando necessário, para me reerguer", afirma.
Classificada para a primeira semifinal de sua história, a Seleção não pretende parar por aí e está determinada a superar a Coreia do Norte na próxima quarta-feira. Embora o desafio seja significativo, com seu anjo da guarda diante do gol, nada parece impossível para esta Seleção.
"A Rilany fez um trabalho maravilhoso. Nós todas estamos engajadas no nosso objetivo, estamos focadas em fazer história", conclui Ana Morganti.
Publicado originalmente pela FIFA em 01/11/2025: Ana Morganti vibra com Brasil na semi: "Sentimento absurdo" →