
Quando se é uma jogadora de futebol adolescente, a vida passa rápido como um contra-ataque relâmpago. Há um ano, Valeria Alvarado tinha acabado de estrear pelo Chivas na Liga MX Femenil do México. No mês seguinte, ela já jogava a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2025™.
O torneio no Marrocos foi seu primeiro contato com o cenário global num "ano cheio de experiências e aprendizados", mas o ritmo do jogo faz o foco mudar rápido para o que vem a seguir. "Quero conquistar meu lugar no Chivas, continuar trabalhando e ser consistente", disse ela à FIFA ao relembrar aquela campanha histórica.
A campanha do El Tri no Uruguai 2018, quando chegou até a final antes de cair diante da Espanha, continua sendo o ponto alto das seleções de base femininas do México. Na edição mais recente, a equipe de Miguel Gamero voltou a mostrar que podia competir no cenário mundial, terminando em segundo lugar num grupo exigente, com Coreia do Norte, Holanda e Camarões, para avançar ao mata-mata. As coreanas terminaram em primeiro no grupo, depois de infligir ao México sua única derrota na fase.
Alvarado teve papel fundamental no torneio, dando a assistência para o gol da vitória de Citlalli Reyes contra a Holanda na fase de grupos, antes de voltar a ser decisiva nas oitavas de final, cobrando o escanteio que Berenice Ibarra cabeceou para o gol contra o Paraguai. Tendo sido titular em todas as partidas do México, exceto uma, ela foi uma das jogadoras mais confiáveis da equipe no caminho até a medalha de bronze, conquistada ao vencer o Brasil nos pênaltis.
A meio-campista de 18 anos conversou com a FIFA para relembrar sua aventura africana e fala sobre as exigências do futebol internacional e os desafios que está enfrentando agora.
Valeria Alvarado: A principal coisa foi nossa união, acreditar em nós mesmas e nos apoiarmos umas às outras, onde quer que estivéssemos. Sempre demos confiança umas às outras e acreditamos que éramos as melhores.
Sabíamos que a torcida sempre teria grandes expectativas por causa da tradição do México, mas aproveitamos cada momento. Encaramos cada partida passo a passo e acreditamos em nós mesmas. Todas confiamos nas jogadoras ao nosso lado e lutamos por cada bola, o que acho que foi fundamental.
O lado físico. Essa foi a principal coisa: perceber que existem outras seleções fora do México se esforçando para melhorar e o quanto algumas equipes são rápidas.
As duas equipes estavam desesperadas para vencer porque era nossa partida de abertura. Obviamente, queríamos mostrar que éramos uma equipe forte. Não conseguimos o resultado, mas foi uma partida incrivelmente intensa. Nunca paramos de lutar, continuamos tentando, tivemos finalizações e criamos bastante chances, mas simplesmente não deu certo para nós.
A união no nosso grupo, as amizades que fiz e poder visitar outro país que eu nunca imaginei que teria a chance de ver. Isso é o que eu levo disso.
Isso me ajudou muito mentalmente, principalmente com a pressão e o nervosismo. Quando voltei ao ritmo de jogo no Chivas, lembrei a mim mesma que eu já tinha participado de jogos importantes e só precisava encará-los da mesma forma que na Copa do Mundo.
Há muitos exemplos com quem posso aprender no Chivas. Tento observar todas as minhas companheiras de equipe, das mais experientes às que estão começando agora. Tenho vontade de aprender algo novo todos os dias observando elas. Caro Jaramillo é uma fonte de inspiração especial. Jogamos na mesma posição e eu gosto muito do estilo de jogo dela.
Eu diria para elas nunca pararem de aproveitar cada partida, nunca pararem de lutar e entenderem que cada jogo vai ser desafiador. Se sofrerem um resultado ruim, não podem deixar isso abalá-las. É preciso continuar se superando, porque o México merece estar bem no topo.
Publicado originalmente pela FIFA em 29/09/2026: As lembranças de Alvarado sobre a medalha do México no Marrocos →