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Bonsu: Brasil 2027 está na minha lista de desejos

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Josi Bonsu, da seleção de Gana, em 2026.
Foto: Divulgação/FIFA

— Gana vai disputar o Torneio de Repescagem da Copa do Mundo Feminina de 2027

— Bonsu marcou na vitória sobre a Costa do Marfim que classificou as Black Queens para o Torneio de Repescagem

— A internacional ganesa falou à FIFA sobre as chances de o país se classificar pela primeira vez desde 2007

“Pressão? Que pressão?”

Quando Josi Bonsu repete a frase famosa da inglesa Chloe Kelly, o sorriso no rosto dela já diz tudo: a internacional ganesa sente tanto prazer em falar sobre futebol quanto em jogar bola em campo.

“Eu levo as coisas numa boa, de modo geral, na vida”, contou à FIFA a jogadora nascida na Alemanha, convocada pela primeira vez para a seleção de Gana em 2025. Bonsu, que atua como zagueira pela seleção e como ponta pelo Young Boys, seu clube, explica que não sentiu pressão nenhuma ao cobrar, e converter, o pênalti que garantiu a vaga de Gana no Torneio de Repescagem da Copa do Mundo Feminina FIFA Brasil 2027™, na vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim durante a Copa Africana das Nações.

Depois de perder a classificação direta para a competição mundial ao cair por 2 a 1 diante do Malaui de Temwa e Tabitha Chawinga nas quartas de final, as Black Queens agora têm uma última chance de se classificar para sua primeira Copa do Mundo Feminina desde 2007, graças a Bonsu.

Para isso, porém, elas primeiro precisam terminar entre as duas melhores da fase preliminar do Torneio de Repescagem, na qual enfrentam Equador, Uzbequistão e Papua Nova Guiné de 28 de novembro a 5 de dezembro, e depois vencer a partida da fase final em fevereiro ou março de 2027.

Ainda que o caminho até o Brasil 2027 seja longo e cheio de curvas, Bonsu se energiza ao saber que o sonho continua ao alcance. Em entrevista à FIFA, a jogadora de 27 anos analisa sua campanha na WAFCON e projeta o Torneio de Repescagem.

FIFA: Em que estado de espírito você chegou para o jogo contra a Costa do Marfim?

Josi Bonsu: A gente estava todo mundo arrasado. Um, dois, talvez três dias depois do jogo [contra o Malaui], ainda estávamos para baixo porque sabíamos que tínhamos ficado tão perto de nos classificar pelas semifinais. Se classificar para a Copa do Mundo é um sonho para toda jogadora de futebol, mas a gente perdeu essa chance. E pareceu um pesadelo.

Por outro lado, sabíamos que ainda tínhamos sorte de esse jogo de repescagem (africana) estar acontecendo. Sabíamos que tínhamos que dar tudo, mesmo cansadas, porque poderíamos decidir se teríamos ou não uma chance na Copa do Mundo. A gente não fez isso no primeiro tempo, mas voltou forte no segundo.

O que foi dito no intervalo?

O técnico ficou meio bravo. A gente não seguiu o plano de jogo, mas o mais importante era que precisávamos brigar nos duelos, e não fizemos isso. O técnico só disse que aquilo não era suficiente. A gente sabia disso e deu um passo à frente no fim. Ele acreditou na gente e a gente provou que ele estava certo.

Ao cobrar o que seria o pênalti da vitória, você sentiu alguma pressão?

Agora vou citar a Chloe Kelly e dizer: “Pressão? Que pressão?” (risos). É engraçado porque eu nunca na vida tinha cobrado um pênalti até a seleção aparecer e o técnico me dizer que eu ia cobrar os pênaltis. Por sorte, converti todos. Eu levo as coisas numa boa, de modo geral, na vida. Então, contra a Costa do Marfim, eu só pensei: “Certo, eu vou cobrar”. Eu sempre tento não pensar demais. Então eu estava pensando: “só marcar”. E marquei.

O que você sentiu depois do apito final?

Foi um alívio. Dava para ver que todo mundo estava sorrindo. A gente sabia o que aquilo significava, foi muito bom. Significava que o sonho continuava vivo. Porém, mesmo com todo mundo feliz porque o sonho ainda estava de pé, também sabíamos que ainda havia um longo caminho pela frente. Está longe de acabar.

Agora vocês enfrentam Uzbequistão, Equador e Papua Nova Guiné no Torneio de Repescagem. O quanto você está ansiosa por isso?

Eu sempre fico ansiosa para jogar contra seleções que não jogam parecido com a gente. O Torneio de Repescagem não vai ser fácil, e não só porque a gente não conhece o estilo de jogo delas. Temos que lembrar que há um motivo para elas estarem na repescagem. Elas não caíram ali por sorteio. Elas conquistaram essa vaga, como a gente. Então, temos que levá-las a sério e ver aonde a vida vai nos levar. Espero que seja até a Copa do Mundo.

Quais são as qualidades de Gana?

Somos muito fortes fisicamente e tecnicamente. Talvez não as mais fortes se comparadas com outras seleções africanas. Por exemplo, joguei contra a Temwa (Chawinga) e pensei: “Bem, prazer em te conhecer” (risos). Eu tive que aceitar que ela era mais forte do que eu. Mas do ponto de vista técnico, acho que estamos entre as melhores.

O quanto você está confiante de que Gana vai se classificar?

A gente dizia que a adversária mais difícil provavelmente seria a Costa do Marfim. E já que vencemos elas, me sinto muito confiante de que conseguimos passar pela primeira fase (da repescagem). Acho que somos uma seleção muito boa, só não mostramos isso este ano, o que é triste.

O que significaria para Gana e para você pessoalmente disputar o Brasil 2027?

Gana é um país muito orgulhoso, e tenho certeza de que a torcida vai achar que podemos brigar pelo título. Às vezes, a torcida é otimista demais (risos). Mas acho que eles vão ficar muito orgulhosos se a gente se classificar. Para mim, pessoalmente… (Ela sorri) Já consigo imaginar chegando de avião no Brasil. Depois de jogar a Copa do Mundo, é mais um item riscado da minha lista de desejos.

Se você for ao Brasil, contra qual seleção ou jogadora você está mais ansiosa para jogar?

Eu realmente quero jogar contra a Alemanha, só para dizer: “Eu consigo entender o que você está dizendo” (risos). Ao mesmo tempo, joguei na Bundesliga por dois anos, então provavelmente conheceria todo mundo, e eu preferiria jogar contra alguém contra quem eu ainda não joguei. A Inglaterra, por exemplo. Eu amo o estilo de jogo delas. E a Jess Park. Eu não conhecia o estilo de jogo dela, mas achei que ela era boa.

Talvez contra o Brasil também, porque elas vão estar em casa e têm boas jogadoras, como a Kerolin, que acabou de assinar com o Barcelona; ela é muito boa. E se a Marta estiver lá, seria histórico. Quando a gente era jovem, ela era a única jogadora que todo mundo conhecia, então seria legal jogar contra ela. Mas eu quero primeiro me classificar antes de sonhar com essas coisas.

Publicado originalmente pela FIFA em 14/09/2026: Bonsu: Brasil 2027 está na minha lista de desejos →

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