
— Atenção, Brasil: a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™ começa daqui a 500 dias
— Jill Ellis, Diretora de Futebol da FIFA, fala sobre os melhores momentos de sua carreira
— A bicampeã mundial fala dá seus palpites sobre o que esperar do torneio dentro
Jill Ellis dispensa apresentações. Sob sua liderança, a Seleção Feminina dos EUA conquistou a Copa do Mundo Feminina da FIFA™ duas vezes, em 2015 e 2019. Ela também foi mentora de jogadoras formidáveis como Abby Wambach, Megan Rapinoe, Carli Lloyd, Hope Solo, Alex Morgan, Julie Ertz e Rose Lavelle, para citar apenas algumas.
"Quando você dá um passo para trás, [você se lembra] das pessoas com quem compartilhou essa jornada", relembra a treinadora de 59 anos, que agora é Diretora de Futebol da FIFA. Faltando 500 dias para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™ no Brasil, a bicampeã mundial compartilhou suas memórias dos títulos de 2015 e 2019, explicou como manteve a seleção americana no topo e o que espera de uma Copa do Mundo Feminina "épica" no Brasil, onde acredita que "haverá algumas surpresas e algumas zebras".
Jill Ellis: Não se trata necessariamente do panorama geral de ganhar um troféu ou passar por um torneio – são as pessoas com quem você compartilhou essa jornada: as jogadoras, as conversas, a comissão técnica. Em 2015 e 2019, foram duas jornadas muito diferentes. Eu era completamente jovemem 2015, apenas tentando aprender conforme seguíamos em frente. Em 2019, tivemos muito mais tempo para nos preparar e construir uma equipe. Mas, no fim das contas, novamente, o fica mais são as pessoas com quem você compartilhou essa jornada.
Outra coisa é que, quando penso nesses torneios, penso em pequenos momentos e detalhes: as reuniões até tarde da noite com minha comissão, em que pedíamos sorvete às duas da manhã para nos manter acordadas, ou pizza, mesmo, até as reuniões individuais com as jogadoras para definir algo muito específico em que precisaríamos nos concentrar durante o jogo. Então, mesmo sendo algo tão grandioso, você realmente se lembra desses pequenos detalhes ao longo do caminho.
Acho que, em 2015, ter Abby Wambach e Christine Rampone – duas estrelas, duas referências do futebol feminino – entrando em campo numa final da Copa do Mundo Feminina da FIFA e encerrando suas carreiras, essencialmente, como campeãs mundiais… Isso é algo que sempre me emociona muito. É um momento especial. De 2019, com certeza, o jogo contra a França no Parc des Princes: a energia, o que estava em jogo, a qualidade da partida, as jogadoras em campo. Esse também foi um momento muito especial nessa trajetória.
Acho que os Estados Unidos estão acostumados a ter um grande alvo nas costas. A seleção já havia ganhado Copas do Mundo, ganhado medalhas olímpicas, então quando os EUA entram em uma grande competição, existe essa expectativa. Essas jogadoras entram em um ambiente competitivo todos os dias. Elas são testadas, precisam provar seu valor e são preparadas para enfrentar a pressão intensa de um campeonato mundial. Eu sempre digo que, se conseguirmos maximizar quem somos e o que podemos fazer, o resultado virá naturalmente.
Essa é uma ótima pergunta. Como manter o sucesso? Porque chegar ao topo do pódio é muito, muito difícil e pouquíssimas equipes conseguiram. Mas fazer isso repetidamente... Às vezes, o sucesso não é um bom professor. As pessoas meio que se esquecem dos riscos que estavam dispostas a correr e da ousadia das decisões quando estavam tentando ganhar pela primeira vez. E aí, às vezes, quando você ganha algo, adota a postura de "Ah, preciso proteger esse título, não pode escapar".
Então, o que realmente enfatizamos com nossas jogadoras foi: "Não estamos defendendo nosso troféu em 2019; estamos atacando o próximo, precisamos ser ousadas, dispostas a correr riscos e não jogar com nada a perder". Trata-se de estabelecer as exigências de ter esta ideia: "Podemos ser melhores amanhã do que somos hoje?" E, novamente, toda essa mentalidade faz parte da cultura da seleção feminina dos EUA.
Talvez eu possa falar um pouco sobre algo pessoal. Acho que um dos momentos de maior orgulho que já vivi foi ter minha filha e minha esposa comigo, porque elas vivenciam essa jornada. Toda jogadora e toda treinadora dirão que a família está realmente nessa jornada com você. Eles vivem cada vitória e sofrem cada derrota. Então, vê-las depois dos jogos e compartilhar essa felicidade com a família é um momento realmente incrível.
A cada edição da Copa do Mundo feminina, temos visto mais e mais países, partidas mais competitivas e talentos surgindo de diversas nações. Então, quais são as minhas expectativas? Certamente, as favoritas estarão presentes. A Espanha é a atual campeã. O Brasil é o país anfitrião e tem jogadoras incríveis. A Inglaterra já provou o gostinho do sucesso, e isso é um elemento importante quando se busca a vitória: acreditar que se pode vencer. Os Estados Unidos estão sempre na disputa e sempre buscam o título. A França tem jogadoras fantásticas. Essas seleções certamente serão desafiadoras. Mas também estou animada para ver alguns países que estão em franca ascensão. Se pensarmos no Marrocos, por exemplo, a partir de 2023, chegando às oitavas de final, e no que eles estão fazendo para desenvolver o futebol por lá, veremos um crescimento tão grande em todos os lugares que acredito que haverá algumas surpresas e até mesmo algumas zebras.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 vai ser épica. Não há outra palavra para descrevê-la. Isso faz parte do slogan, e será exatamente isso. A cada nova edição da Copa do Mundo Feminina, elevamos o nível. Sem dúvida, será a melhor de todas. Será sediada em um país absolutamente apaixonado por futebol. Eles amam o esporte. Está nas ruas. Faz parte da vida deles. É a combinação de um produto incrível com talento, competitividade, energia e habilidade, além de uma anfitriã incrível. Então, acho que será extraordinário.
Publicado originalmente pela FIFA em 09/02/2026: "Brasil é anfitrião e tem jogadoras incríveis", diz Jill Ellis →