
Se você nunca comeu uma pupusa, está perdendo. É uma tortilha grossa, feita à mão, recheada com feijão, queijo e às vezes carne de porco, servida com curtido, um saboroso molho de repolho, e salsa vermelha. Essa delícia é um alimento básico em El Salvador e foi um dos pilares da infância de Brenda Ceren. O outro foi o futebol. Quando menina, Ceren ajudava a mãe a vender pupusas na rua, no subúrbio de Quezaltepeque, em San Salvador, mas ao voltar para casa, o assunto na mesa de jantar era o futebol. Os dois irmãos mais velhos de Ceren, Darwin e Oscar, e a irmã mais velha, Paola, ainda jogam profissionalmente e já representaram El Salvador no nível internacional. Vale notar que Darwin já foi capitão da seleção masculina principal. Mas atualmente todas as atenções estão voltadas para a mais nova do quarteto. Brenda é uma jogadora da seleção feminina de El Salvador, que está a apenas um resultado de alcançar pela primeira vez na história do país a fase final das eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo Feminina FIFA. Um empate fora de casa contra Trinidad e Tobago, em 17 de abril, seria suficiente. Atualmente na Liga MX Femenil, pelo Atlas, Ceren percorreu um longo caminho, e tem a ambição de ir ainda mais longe e ajudar as Cusctalecas a se classificarem para sua primeira fase final global, em 2027.
FIFA: Como a seleção está no momento?
Brenda Ceren: Acho que parece uma seleção diferente, muito boa. Diferente dos anos anteriores de El Salvador, acho que houve um progresso significativo. Crescemos muito, tanto individualmente como jogadoras quanto coletivamente como equipe. Já estamos competindo no mais alto nível, e isso é o mais importante.
O que mais chama atenção no trabalho que Eric Acuna vem fazendo como técnico?
Desde que o técnico Acuna assumiu o comando deste barco, acho que as coisas têm sido diferentes. Parte da personalidade dele é ser uma pessoa muito apaixonada, sempre em busca de talentos para integrar à seleção. Ele já passou pelo Sub-17 e pelo Sub-20, e está com a gente também na seleção principal. Ele procurou jogadoras em todo lugar, em El Salvador e no exterior, e acho que um ponto chave é que conseguimos integrar jogadoras, nascidas nos Estados Unidos ou em El Salvador, desde que tenham a nacionalidade salvadorenha e o desejo de representar o país. Acho que estamos fazendo as coisas bem. Estamos no caminho certo. Obviamente, sei que ainda há muito pela frente, mas temos a vontade e o entusiasmo para continuar.
Qual tem sido a chave para o desempenho da equipe nas eliminatórias até aqui?
Eu simplesmente acho que é o desejo e a vontade de jogar bem e representar o país. Estamos todas alinhadas quando vestimos a camisa azul e branca, e a defendemos até o fim. Isso fez a gente crescer como jogadoras e como pessoas. Acho que cada uma das minhas companheiras de equipe é receptiva e respeitosa, e recebe cada correção da melhor forma, e isso tem nos ajudado.
Como vocês vão encarar essa partida decisiva contra Trinidad e Tobago?
Sabemos que precisamos vencer essa partida se quisermos avançar para a próxima fase. Já as vimos de perto e sabemos que são um adversário duro e forte, especialmente jogando em casa. Sabemos que vão dificultar as coisas para nós e que têm muitas qualidades fortes. Elas têm jogadoras muito boas individualmente, mas estamos focadas só em nós mesmas. Em breve vamos poder nos reunir em El Salvador para preparar essa partida e encará-la da melhor forma possível.
O que significaria chegar pela primeira vez à fase final das eliminatórias?
Chegar à próxima fase é nosso principal objetivo. Sabemos que já há algumas potências de nível mundial esperando lá, mas precisamos ir passo a passo agora para conseguir essa classificação histórica. Nunca chegamos a essa fase, então obviamente seria um sonho conseguir isso, mas não queremos parar por aí. Queremos continuar competindo e, se Deus quiser, nos classificar para a Copa do Mundo.
Você vem de uma família de futebol. Como é isso?
Desde crianças, todo mundo na minha família gostou de futebol. Ver meus irmãos crescerem jogando, acho que me motivou a ser jogadora, a jogar e, acima de tudo, a perceber que eu também poderia conquistar tanto quanto eles. Meus dois irmãos, minha irmã e eu jogamos futebol profissionalmente. Todos tivemos a oportunidade de desenvolver nosso jogo e todos tivemos o privilégio de representar nossa nação. Na nossa casa, é futebol o tempo todo. Meus pais são bem felizes por nós e nos apoiam muito.
Quando menina, você ajudava sua mãe a vender pupusas na rua. Quando está jogando, alguma vez pensa nesses momentos?
Vou ser sincera com você, quando estou realmente jogando, não me lembro de nada, mas antes de entrar em campo, sempre penso e valorizo esses momentos de onde eu venho, tudo o que sacrifiquei e lutei para chegar aonde estou. E, uma vez em campo, a única coisa em que penso é em me divertir e em tentar cumprir o que o técnico me pede. Tem sido um caminho maravilhoso, com muitos altos e baixos, mas sei que Deus tem um lugar para tudo. Às vezes precisamos passar por provações para melhorar. Só agradeço a Deus pelo que ele me permitiu viver, e agora só estou tentando aproveitar o momento.
O quanto seria bacana levar pupusas para a Copa do Mundo?
Sim, claro! Sempre disse que é um dos meus pratos favoritos, obviamente por ser salvadorenha. Eu adoraria poder levar essa delícia culinária para onde quer que eu vá. Como aqui no México, no meu aniversário, comemorei fazendo muitas pupusas para minhas companheiras de equipe, para que todas pudessem experimentar.
Fotos: cortesia da FESFUT
Publicado originalmente pela FIFA em 09/04/2026: Ceren: este não é o El Salvador de antigamente →