
Se você só tem uma chance de causar uma primeira impressão, Samoa causou uma bem boa.
Nesta mesma época do ano passado, a seleção disputou um torneio da FIFA pela primeira vez e levou a força da França ao limite na partida de abertura da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA™.
Depois de surpreender as campeãs de 2012 com gols nos dois tempos, Samoa acabou derrotada por 4 a 2, mas, como conta à FIFA o técnico Juan Chang Urrea, isso mostrou ao planeta que Samoa não deveria ser subestimada.
"Naquela partida de abertura contra a França, talvez ninguém esperasse nada de nós, mas fizemos dois gols e o placar ficou em 3 a 2 até o acréscimo.
"Muita gente provavelmente achava que não conseguiríamos nem marcar um gol na Copa do Mundo, mas seguramos a França durante quase todo o jogo. Isso nos deu a confiança de que, se confiarmos no nosso processo e focarmos no que fazemos bem, conseguimos atuar neste nível.
"Muitas vezes, num torneio como este, quem não é favorita tende a ficar de olho nas outras seleções, e isso é justo para um país como o nosso, que foi o menor a se classificar para qualquer Copa do Mundo Feminina, em qualquer nível.
"O que queremos fazer, porém, é inverter essa lógica e garantir que as jogadoras saibam que estamos aqui por mérito, já nos classificamos para duas Copas do Mundo seguidas e temos que confiar no que estamos fazendo."
Como observou Chang Urrea, Samoa provou que a campanha do ano passado não foi fogo de palha, e a seleção está pronta para a segunda participação, na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Marrocos 2026™.
Começar contra a França no ano passado foi uma estreia e tanto, mas a abertura desta vez é talvez ainda mais desafiadora, e certamente mais pessoal, quando Samoa enfrenta os Estados Unidos em Salé, no dia 19 de outubro, como explica Chang Urrea.
"Temos 13 jogadoras baseadas nos Estados Unidos no nosso elenco, então esta partida é algo muito emocionante para elas e também para as famílias delas.
"O mesmo vale para a comissão técnica: minha auxiliar técnica é de Minnesota e a treinadora de goleiras também é dos Estados Unidos. Até eu mesmo fiz faculdade lá e passei um tempo no Colorado Rapids, na MLS.
"Quando sorteamos os Estados Unidos, acho que todo mundo em Samoa ficou muito animado por termos a chance de enfrentar as melhores entre as melhores.
"Depois, quando soubemos que seria a primeira partida, acho que isso tornou tudo ainda mais emocionante. Embora toda partida de uma Copa do Mundo seja igualmente importante, se você me perguntasse 'será que a equipe vai levar esse jogo um pouco mais a sério no plano pessoal?', aí sim, eu diria que sim."
Depois do confronto com os Estados Unidos, Samoa enfrenta a China PR e o Quênia, enquanto a seleção busca evoluir a partir da estreia do ano passado. Como ponto positivo, Chang Urrea pôde contar com um núcleo de jogadoras que já estiveram na equipe, incluindo a zagueira central e capitã Brenna Kitiona, enquanto busca conduzir o time rumo ao sucesso em Marrocos.
Uma parte fundamental disso vai ser um elemento, e um mantra, ao qual Chang Urrea costuma se referir: o de jogar sem medo.
"Temos uma expressão, 'no fefe', que significa jogar sem medo. Quando você entra numa partida, pode jogar para vencer ou jogar para não perder, e são mentalidades diferentes.
"Então, estamos encarando essas partidas não com o pensamento de que queremos evitar a derrota, mas com o de no fefe. Um pensamento em que confiamos no nosso processo e no que nos trouxe até aqui, sabe, porque não estamos aqui só por sorte. Nosso nome não saiu de dentro de uma cartola nem nada assim. Esta é a nossa segunda vez e merecemos estar aqui."
De fato, Samoa brilhou nas eliminatórias continentais, encadeando três vitórias seguidas, sem sofrer gol sequer, para liderar o grupo e chegar a uma semifinal decisiva contra as Ilhas Salomão.
Ali, a equipe carimbou a vaga para Marrocos 2026 de forma contundente, goleando as Ilhas Salomão por 5 a 0. Isso significa que a geração atual está prestes a se tornar apenas a segunda seleção de Samoa a disputar um torneio da FIFA, e Chang Urrea está plenamente ciente do impacto que essas jovens estão tendo na percepção do futebol, tanto dentro de Samoa quanto fora dela.
"Quando começamos com a equipe em 2024, a seleção feminina Sub-17 tinha vencido apenas uma partida em toda a sua história. Depois emplacamos uma sequência de dez jogos, nos classificamos para a primeira Copa do Mundo e agora para uma segunda sem sofrer gol, até enfrentarmos a Nova Zelândia na final.
"Queremos deixar o país orgulhoso. Em Samoa, temos apenas 200 mil habitantes, então temos a chance de inspirar meninas, o que já estamos vendo, e continuar o crescimento do esporte.
"Nosso próximo objetivo então é continuar fazendo história. Primeiro nos classificamos, então essa já está marcada, depois fizemos um gol, outra marcada. Agora com certeza queremos ser uma seleção que consegue somar pontos, e esse é o nosso próximo objetivo."
Publicado originalmente pela FIFA em 13/10/2026: Chang Urrea: Samoa quer fazer história →