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Como ida de estrelas espanholas à Inglaterra pode mudar a rivalidade entre as seleções

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Alexia Putellas, da Espanha.
Foto: Divulgação/FIFA

Alexia Putellas mudou para sempre o futebol espanhol. Ela foi a grande referência por trás do crescimento do Barcelona e, mais tarde, também da seleção espanhola, ajudando a levar ambos ao mais alto patamar. Em julho deste ano, ela decidiu se transferir para o London City Lionesses, marcando uma mudança de era. E ela não será a única.

Mapi León também a acompanhará, enquanto outras espanholas, como Ona Batlle e Misa Rodríguez, já acertaram sua transferência para o Arsenal. Essa mudança de ambiente afeta a dinâmica daquela que se tornou a grande rivalidade entre seleções nos últimos cinco anos no futebol feminino: Espanha x Inglaterra, duelo que protagonizou as finais mais recentes da Copa do Mundo Feminina da FIFA e da Eurocopa Feminina da UEFA.

Verónica Boquete, atualmente jogadora do Como, da Itália, foi a primeira grande estrela espanhola em uma época em que o futebol feminino na Espanha ainda era uma raridade. Para atingir seu melhor nível, precisou sair do país. Por isso, compreende a decisão tomada por suas colegas de profissão.

"Eu saí por necessidade. Acho que agora elas saem porque querem novos estímulos, desejam disputar uma competição diferente e evoluir nesse sentido, crescer futebolisticamente", diz à FIFA. "Cada uma tem suas razões, evidentemente, mas acredito que isso vai torná-las jogadoras melhores."

Boquete conta tudo o que uma mudança desse tipo pode proporcionar: "Isso faz você enxergar o mundo de uma maneira diferente, porque passa a viver em outros países. Obriga você a ter a mente mais aberta, a se adaptar a estilos, metodologias e características diferentes das jogadoras. No fim, acho que isso faz de você uma atleta muito mais completa. Comigo foi assim".

A jogadora, que disputou 62 partidas pela Espanha e chegou a ser indicada ao prêmio de melhor jogadora do mundo, acredita que uma mudança cultural também significará uma nova forma de jogar para Putellas, Batlle e León.

"O estilo praticado na Espanha, especialmente no Barça, é muito característico. Você domina a posse de bola, controla em que posição perde a bola e como a perde. Evidentemente, em ligas como a inglesa, a alemã ou a norte-americana, você encontra muito mais transições. Há jogadoras com características diferentes que conseguem criar dificuldades fisicamente, porque também existem mais duelos individuais", diz.

"Na Espanha, o ajuste tático é diferente, e acredito que isso será o mais difícil para elas, assim como aconteceu com Mariona [Caldentey, meio-campista espanhola que se transferiu para o Arsenal em 2024] na época", continua a atacate.

Elas entrarão em um futebol no qual será muito mais difícil controlar o jogo da forma como faziam no Barcelona. "Lá, você tem 80% de posse de bola e conhece as opções A, B e C em cada momento. Suas companheiras conhecem as mesmas opções. Na Inglaterra, essas alternativas nem sempre são tão claras", afirma.

A saída de Putellas, León e Batlle fará com que o núcleo da seleção espanhola deixe de estar tão concentrado no Barcelona quanto antes. Elas já não treinarão diariamente com as mesmas companheiras e precisarão adaptar seu jogo a uma nova realidade. Ainda assim, a histórica jogadora espanhola não acredita que isso terá impacto negativo na equipe nacional.

"Acho que, felizmente, o DNA e a forma como entendemos o futebol na Espanha estão muito claros. Agora elas terão de se adaptar a outras coisas, mas duvido que isso influencie quando voltarem à seleção, porque sabem jogar nessa equipe. Estão juntas há muitos anos e compreendem essa maneira de jogar, que é a nossa. Acredito que isso só vai beneficiá-las, porque poderão entender melhor o jogo das adversárias e terão soluções que talvez até agora não possuíssem", explica a jogadora do Como.

A rivalidade com a Inglaterra, tão intensa nos últimos anos, não deve mudar por causa dessas transferências. "Você ganha alguma vantagem por conhecer melhor suas adversárias, mas elas já estão muito acostumadas a enfrentar a Inglaterra. Conhecem bem suas principais características, tanto coletivas quanto individuais. Além disso, tudo depende muito do perfil das jogadoras que você tem. Acho que a rivalidade continuará a mesma. Não haverá uma grande mudança por causa disso", afirma.

A chegada de estrelas como Alexia Putellas também deverá provocar transformações no futebol inglês. Quando uma liga se abre a outras culturas futebolísticas, o jogo evolui. Isso já aconteceu no futebol masculino. É impossível compreender o Campeonato Inglês atual sem a influência de jogadores e treinadores vindos de outras partes da Europa, e é possível que um processo semelhante esteja ocorrendo agora no futebol feminino.

A meia-atacante do Como acredita que a chegada dessas atletas também impactará a visão geral do Campeonato Inglês Feminino. "Provavelmente. Quando você tem jogadoras que atuam de uma maneira diferente, a equipe também precisa se adaptar. E, se houver muitas jogadoras assim espalhadas por diferentes times, essa adaptação tende a acontecer. Também é verdade que tudo evolui. O futebol busca cada vez mais qualidade técnica, porque o aspecto físico está cada vez mais equilibrado."

A apenas um ano da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™, o futebol europeu passa por uma nova reconfiguração. Cada grande movimentação de mercado obriga a redefinir os equilíbrios do futebol no continente. A saída de Putellas, Rodrígues, Batlle e León também abre novos horizontes para análise.

Publicado originalmente pela FIFA em 29/07/2026: Como ida de estrelas espanholas à Inglaterra pode mudar a rivalidade entre as seleções →

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