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Dafeur: Argélia tem potencial real

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Marine Alfreda M M Dafeur, da Argélia, durante a partida das quartas de final da Copa Africana das Nações Feminina de 2024 entre Argélia e Gana, no Estádio Municipal de Berkane, em Berkane, Marrocos, em 19 de julho de 2025.
Foto: Divulgação/FIFA

A heroína argelina Marine Dafeur mal teve tempo de descer das nuvens.

Embora as atenções da jogadora do Bristol City já estejam voltadas para a nova temporada da Women's Super League 2 inglesa, que começa na próxima semana, ela não vai esquecer os acontecimentos de 8 de agosto, quando as Fennecs protagonizaram uma virada emocionante para superar a Costa do Marfim por 2 a 1 em Casablanca, nas quartas de final da Copa Africana das Nações Feminina da CAF, e garantir uma vaga na Copa do Mundo Feminina FIFA Brasil 2027™.

Garantir uma vaga no maior palco do futebol não estava necessariamente nos planos das argelinas quando a competição continental começou, no fim de julho.

"Havia uma mistura real de emoções", contou à FIFA a maestrina nascida na França. "Ao nos classificar para as semifinais, já tínhamos conquistado algo incrível, algo histórico. Como se não bastasse, garantimos uma vaga na Copa do Mundo. Ficávamos dizendo umas às outras: 'Dá para acreditar? Vamos para a Copa do Mundo!', mas aquilo ainda não tinha caído a ficha."

Não fosse pela contribuição colossal da capitã, apontada como um dos destaques da competição, as Vertes quase certamente não teriam se classificado para o torneio mundial. Depois de trocar de seleção "de certa forma por acaso", nas palavras dela, para representar o país onde nasceu o pai, há três anos, a jogadora de 31 anos se consolidou, aos poucos, como peça fundamental do time comandado por Farid Benstiti. Em uma prévia do que estava por vir na competição em solo marroquino, Dafeur abriu caminho para a vitória por 2 a 0 na estreia contra o Senegal, ao converter uma cobrança de pênalti.

A capitã voltou a abrir o placar quando as norte-africanas superaram o Quênia pelo mesmo placar, na última rodada da fase de grupos, com uma cobrança de falta que viralizou nas redes sociais enquanto a Argélia avançava às quartas de final. "Já fiz gols de falta antes, mas nunca um assim", disse Dafeur, sorridente e ainda um pouco espantada.

"O treinador gritou: 'Manda pra dentro!', enquanto eu normalmente prefiro dar efeito na bola. Quando me posicionei para bater, disse a mim mesma para manter a calma e bater com força. Achei que era capaz de encontrar o fundo da rede. A trajetória da bola foi incrível. Acho que é o melhor gol que já fiz."

A ex-armadora do meio-campo do Fleury mal sabia que estava prestes a soltar um golaço no ângulo que seria amplamente aclamado como um dos melhores gols de falta do futebol feminino. "O tempo pareceu parar.

Assim que toquei na bola, já vi que ela ia entrar, pela forma como caía e fazia a curva. Levei um instante para perceber que realmente tinha entrado. Quando vi a rede balançar, não acreditei no que via. Minhas redes sociais explodiram. Para onde eu olhava, só via o meu gol, e isso continua acontecendo até hoje. Recebi milhares de mensagens."

Depois de um terceiro lugar no continente que superou as expectativas, as jogadoras de Benstiti voltaram aos clubes, motivadas pela perspectiva de disputar a principal competição feminina da FIFA em pouco menos de dez meses. Enquanto a armadora símbolo da equipe sonha em fazer parte do elenco argelino no torneio, ela sabe muito bem que, no futebol, as coisas costumam mudar rápido, para melhor e para pior. "Não vou dizer aqui que com certeza vou para a Copa do Mundo", declarou a veterana meio-campista.

"Nunca se sabe o que pode acontecer, mas estar na lista é, claro, meu objetivo para esta temporada. Seria incrível fazer parte disso." Quem interpretar essas palavras como humildade exagerada está enganado.

Embora hoje seja uma peça fundamental da seleção argelina, a carreira da canhota talentosa teve altos e baixos, e sua trajetória lhe ensinou o quanto o esporte de alto rendimento pode ser cruel. Em 2014, aos 19 anos, Dafeur fazia parte do grupo francês que ficou com o terceiro lugar da Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA™, no Canadá, e tudo indicava que ela teria uma carreira internacional pelo país onde nasceu. "Logo depois da Copa do Mundo Sub-20, fui promovida para a seleção principal da França. Depois rompi os ligamentos cruzados e tive uma recaída seis meses depois.

Por causa disso, passei dois anos perto da minha família. Eu estava no Lille na época, e disse a mim mesma: 'Vamos ver o que o futebol reserva para mim'." Impulsionada pela paixão pelo futebol, a futura jogadora da seleção argelina se agarrou aos sonhos e acabou se recuperando totalmente dos problemas com lesões.

"Depois assinei com o Fleury. As coisas iam bem, mas rompi os ligamentos cruzados de novo durante a pré-temporada. Naquela fase, eu já levava uma vida adulta mais estável, e a seleção francesa já era só uma lembrança distante."

No entanto, o destino reservava outra coisa, e a carreira internacional de Dafeur ainda não tinha terminado: ela brilharia pelas Vertes. Embora a Argélia não tenha entrado na WAFCON deste ano com esperanças reais de conquistar uma das quatro vagas diretas da CAF para o torneio no Brasil, o talento das norte-africanas se destacou, e a seleção se firmou como uma das surpresas do torneio. "Temos uma mistura muito boa de jogadoras de todas as idades. Sou uma das mais velhas, mas nem sempre me sinto assim", admitiu ela.

"Independentemente da idade, todo mundo no elenco tem algo a oferecer."

Com a sensação do meio-campo Melissa Bethi, de 21 anos, que recentemente se transferiu para o Washington Spirit, da National Women's Soccer League, à frente, as magrebinas receberam elogios entusiasmados pela campanha no Marrocos. "Há um potencial real nesta equipe, e temos uma renovação constante de jovens talentos, que trazem algo novo", disse Dafeur, entusiasmada. "Ainda temos pouco menos de um ano para fazer um bom trabalho antes da Copa do Mundo, e vamos aproveitar bem esse tempo."

Se Dafeur realmente estiver em campo na Copa do Mundo do ano que vem, no Brasil, isso vai fechar um ciclo em sua carreira, depois de ter mostrado seu futebol no país sul-americano apaixonado por futebol ainda na infância.

"Depois que nos classificamos, meu pai me mandou uma mensagem", revelou a ex-jogadora de Henin-Beaumont, Guingamp e Lille. "Ele me lembrou que minha história com a Copa do Mundo começou no Brasil. Tive a sorte de disputar uma Copa do Mundo escolar quando fazia parte da base do Liévin. Ele me disse: 'Você pode acabar jogando outra Copa do Mundo no Brasil agora, no fim da carreira'."

Se a nova musa do futebol feminino argelino e sua perna esquerda mágica estiverem no festival global do futebol do ano que vem, os torcedores que peregrinarem até o Brasil terão a chance de admirar de perto o talento dela.

Publicado originalmente pela FIFA em 29/08/2026: Dafeur: Argélia tem potencial real →

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