
Há dez anos, na Papua-Nova Guiné, a Espanha chegou pela primeira vez na história à fase eliminatória de uma Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, e desde então nunca mais ficou de fora do torneio. Isso já é uma conquista enorme, e ainda por cima a equipe se classificou para o mata-mata pela quinta vez seguida graças a uma vitória recorde por 11 a 0 sobre a Nova Caledônia.
"Estou muito feliz porque nos mantivemos concentradas e não deixamos nosso nível cair durante os 90 minutos", disse à FIFA o técnico da Espanha, David Aznar. "Queríamos estar ligadas nos 90 minutos e, no final, as jogadoras trabalharam muito duro para garantir isso."
"Queremos continuar avançando neste torneio e seguir vencendo", acrescentou Aznar. "Vamos entrar no jogo contra a China [PR] com o objetivo de terminar o grupo com três vitórias. Agora precisamos nos recuperar bem. A competição está cada vez mais difícil, há muito poucos dias de descanso entre as partidas, e vamos tentar chegar na melhor forma possível."
Na última década, a Espanha teve muito sucesso nas Copas do Mundo Femininas Sub-20, chegando à final em duas ocasiões: a La Rojita foi vice-campeã em 2018, antes de conquistar o título em 2022. Mas as ibéricas não brilharam apenas nas competições Sub-20: também se classificaram para a fase eliminatória de cinco edições seguidas da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA, entre 2014 e 2024, vencendo em 2018 e 2022 e chegando à decisão de 2024. E há ainda a seleção principal, que, claro, conquistou a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2023.
Diante desse retrospecto impecável, a expectativa sobre o grupo atual na Polônia é grande, talvez grande demais. Mas isso vem acompanhado de pressão para render nas fases finais?
"Eu não diria pressão, mas sim vontade de vencer", afirmou Alba Cerrato, autora de dois gols contra as caledônias. "Somos ambiciosas e queremos vencer tudo."
Uma das maiores forças da Espanha é a capacidade de incutir a mesma filosofia de jogo e o mesmo estilo em todas as categorias de base, ano após ano, mantendo naturalmente a roda girando de uma geração para a outra. No entanto, o aspecto mais marcante do atual elenco Sub-20 é que ele não é formado só por jogadoras nascidas em 2006: destaques das gerações de 2007, 2008 e 2009 também foram somados para essa mistura perfeita, com Julia Torres como um exemplo claro disso.
"Somos de times diferentes, mas nos entrosamos muito bem", disse Pau Comendador. "Nos conhecemos há muitos anos, mesmo sem termos jogado juntas na mesma Copa do Mundo [Feminina Sub-17], e viemos para cá bem preparadas."
Aznar herdou este elenco Sub-20 com uma visão clara: formar jogadoras completas, prontas para dar o salto para a seleção principal e ajudar a reafirmar o domínio global da Espanha. Mas seu principal objetivo não é criar um caminho direto até a seleção principal.
"Isso não é uma meta, não identificamos assim", explicou Aznar. "Mas sabemos que estamos trabalhando com jogadoras que, como já disse, podem perfeitamente entrar na seleção principal a curto ou médio prazo. Para nós, é importante que elas tenham essa experiência na seleção Sub-20 para que possam dar esse passo e jogar torneios internacionais pela nossa seleção principal, para que estejam preparadas e entendam o que significa um torneio dessa magnitude, para que saibam o padrão que devem se exigir e para que sejam capazes, mentalmente, de jogar no seu melhor nível."
Por enquanto, pelo menos, o modelo espanhol parece estar funcionando, e não há dúvida de que as multicampeãs europeias são vistas com grande respeito na Polônia, como em todos os torneios. É seguro dizer que, até aqui, elas estão à altura das expectativas.
Publicado originalmente pela FIFA em 10/09/2026: Espanha está à altura das expectativas na Polônia →