Quase a metade das futebolistas profissionais, 46% delas, pensa em abandonar o esporte antes do tempo por causa da saúde mental, segundo informe de 2026 da FIFPRO divulgado nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, e repercutido pelo Marca.
A FIFPRO, sindicato mundial que representa as jogadoras profissionais, ouviu 791 atletas de 40 países durante a temporada 2025-26. O levantamento aponta que os principais motivos para abandonar o futebol são financeiros, o estresse psicológico e a dificuldade de equilibrar o trabalho com a vida pessoal. "O crescimento do futebol traz novas pressões, como maior carga de trabalho e assédio nas redes sociais, além de clubes sem as medidas de proteção necessárias para lidar com essas mudanças", diz o informe.
O documento da FIFPRO mostra que apenas 62% das jogadoras ouvidas se consideram profissionais. O salário médio mensal no mundo é de 2570 dólares, cerca de 2297 euros, enquanto na Espanha o salário mínimo da temporada passada foi de 1958 euros. A maioria, 90%, concluiu a educação obrigatória, e mais da metade tem curso universitário como alternativa para ganhar a vida fora do futebol. Quase um terço das jogadoras combina a carreira com outro trabalho, sinal de que o salário do futebol ainda não sustenta a vida de boa parte delas.
[Alex Culvin](/atleta/alex-culvin), diretora de futebol feminino da FIFPRO, afirmou que o esporte deu passos importantes nos últimos anos, mas que ainda falta muito e que muitas jogadoras enfrentam grande incerteza na carreira. Para ela, não basta garantir que as jogadoras ganhem o suficiente para viver do futebol: é preciso também assegurar um ambiente seguro e estável, porque condições de trabalho que protegem a saúde das atletas têm efeito positivo no rendimento dentro de campo, o que beneficia o Futebol Feminino como um todo.
O informe também destaca que o crescimento do futebol feminino não chegou de forma igual a todas as jogadoras: a precariedade ainda afeta a maioria delas, mesmo com a projeção da consultoria Deloitte de que a receita mundial do esporte chegue a 1 bilhão de dólares em 2027. Quase a metade das atletas não tem plano de pensão, o que aumenta a insegurança financeira ao fim de uma carreira que já é curta. Como ponto positivo, o levantamento registra uma evolução grande no apoio à maternidade nos últimos anos.
Para quem acompanha o Futebol Feminino, o informe da FIFPRO reforça que o crescimento do esporte, em público e em dinheiro, ainda não virou condição de trabalho estável para a maioria das jogadoras. A pressão passa a recair sobre clubes e federações, que precisam oferecer proteção à saúde mental, salário justo e segurança financeira para sustentar o avanço que o próprio esporte vive.
Foram 791 futebolistas de 40 países, ouvidas durante a temporada 2025-26.
2570 dólares por mês em média no mundo, cerca de 2297 euros, segundo o informe da FIFPRO.
Alex Culvin diz que é preciso garantir às jogadoras um ambiente de trabalho seguro e estável, além do salário, para proteger a saúde delas e o desempenho em campo.