A Foudys, marca de roupas e estilo de vida dedicada só ao futebol feminino, anunciou a abertura em Manchester do que chama de primeira loja física do mundo exclusiva da modalidade, com inauguração marcada para 25 de junho de 2026, no número 293 da Deansgate, como informou o Little Black Book no mesmo dia.
Helen Hardy fundou a empresa em 2020 para atacar uma lacuna: a falta de acesso a produtos oficiais para quem torce pelo futebol feminino. O primeiro passo foi oferecer camisas com o nome das jogadoras nas costas, serviço que não se encontrava com facilidade.
O negócio cresceu, passou a trabalhar com Nike, adidas e Puma e formou uma comunidade de jogadoras e torcedoras no Reino Unido e em outros países. A empresa também oferece acesso exclusivo a produtos da NWSL, a liga dos Estados Unidos, e da linha TOGETHXR.
Hardy argumentou que mulheres e meninas são mal atendidas pelo varejo esportivo tradicional, com lojas pensadas sob o olhar masculino, produtos voltados para meninos e equipes acostumadas a vender para homens. Pelas vendas na internet, segundo ela, a Foudys percebeu que a clientela quer outra coisa: uma mistura de desempenho e estilo de vida, orientação mais especializada e um ambiente que não intimide.
O estudo Rep Her, publicado em 2024 pelo Sports Innovation Lab, mediu essa distância: para cada nove peças de produtos do esporte masculino à venda, há apenas uma do esporte feminino. Ainda assim, quem torce pelo esporte feminino compra mais vezes por ano e gasta mais com esses produtos do que quem torce pelo masculino.
O plano previa produtos oficiais de grandes marcas globais, colaborações exclusivas, edições limitadas, itens de desempenho feitos para atletas mulheres e coleções de moda inspiradas no esporte feminino. O espaço teria visual claro e arejado, com pouco uso de plástico.
As chuteiras teriam atenção especial: uma equipe especializada ajudaria a clientela a avaliar ajuste, sensação no pé e os modelos mais indicados para cada posição em campo. Mulheres e meninas também teriam um espaço seguro para receber orientação e provar sutiãs esportivos, além de orientação sobre roupa íntima para o período menstrual durante a prática esportiva.
A programação incluía sessões para assistir a jogos, trocas de figurinhas da Panini, debates com jogadoras e oficinas de costura para consertar uniformes danificados.
A Deloitte divulgou em abril a previsão de que a receita global do esporte feminino de elite passaria de US$ 3 bilhões pela primeira vez em 2026, alta de 25% sobre 2025 e de 340% desde 2022. A FIFA, por sua vez, tem como meta chegar a 60 milhões de mulheres e meninas jogando futebol até 2027.
Para a fundadora, o varejo não acompanhou esse crescimento. “Houve um enorme progresso em campo e na cobertura da mídia, mas o ecossistema comercial ainda não alcançou esse ritmo por completo”, disse Hardy.
Para a torcedora e para a jogadora, o projeto da Foudys propõe um endereço físico com atendimento e eventos pensados para elas. Para o Mercado do futebol feminino, ele leva ao balcão a defasagem que Hardy aponta entre o avanço da modalidade e a oferta das lojas esportivas.
Helen Hardy, em 2020, começando pelas camisas com o nome de jogadoras nas costas.
No número 293 da Deansgate, em Manchester, em 25 de junho de 2026.
Sessões para assistir a jogos, trocas de figurinhas, debates com jogadoras e oficinas de costura.