Jornalistas esportivos e torcedoras de Burkina Faso apontaram, nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a pouca cobertura da mídia, a falta de dinheiro, o preconceito e a formação precária como os motivos que deixam vazias as arquibancadas do futebol feminino no país, segundo o leFaso.net.
Os jogos do campeonato nacional feminino costumam ter pouco público. Os entrevistados pedem mais divulgação e mais investimento para que a modalidade ganhe espaço.
Para o jornalista esportivo Ismaël Ganamé, a explicação começa na história e na cultura. O futebol masculino é praticado há mais tempo e está enraizado no hábito do torcedor. "No imaginário coletivo, as pessoas gostam muito mais do futebol masculino do que do futebol feminino", disse.
Ganamé lembra que o problema não é só de Burkina Faso e que, no país, nem o campeonato masculino de clubes enche estádio: a torcida aparece mesmo nos jogos dos Étalons, a seleção masculina. O futebol feminino precisa, então, atrair um público que já não frequenta as competições locais.
O horário também pesa. Os jogos do campeonato feminino costumam ser marcados para sábado ou domingo de manhã, o que, para os jornalistas ouvidos, afasta a torcida.
A pouca exposição foi o fator mais citado. As competições femininas aparecem pouco nos jornais e nas plataformas digitais, e o público não chega a conhecer times e jogadoras. Ganamé observa que até o campeonato masculino tem dificuldade de transmissão.
Franck Aristide Gefa, da rádio Ouaga FM, soma a falta de comunicação ao nível técnico do campeonato. Ele pede mais divulgação da primeira e da segunda divisão e da Copa do Faso feminina. O jornalista Parfait Traoré lembra que a seleção masculina tem mais patrocínio, mais publicidade e mais espaço na mídia, enquanto parte do público desconhece o que as jogadoras são capazes de fazer em campo.
A torcedora Amiratou Sidgomdé Latifa Kaboré contou que conheceu algumas jogadoras só na última Copa Africana de Nações Feminina, pelas redes sociais.
Sim, segundo os entrevistados. Para parte do público, futebol ainda é coisa de homem, e essa visão diminui o interesse pelas competições femininas e pode desestimular meninas que querem jogar. Kaboré diz que mulheres que gostam de futebol ainda causam espanto entre conhecidos.
A torcedora Nathalie Nikiéma acrescenta o hábito criado na infância: muita gente cresce acompanhando o futebol masculino, conhece seus jogadores e clubes e mantém essa rotina na vida adulta.
Ganamé defende mais centros de formação para meninas, como os que existem para meninos, e seções femininas nos clubes tradicionais, que já têm torcida. Gefa pede mais subsídio para o campeonato nacional feminino, centros de formação femininos ou mistos e ações de marketing para levar o torcedor ao estádio. Traoré cobra melhores estruturas, equipamentos e recursos para as atletas.
Para a mídia, Ganamé sugere cobertura regular do campeonato, com reportagens e programas dedicados, e mais presença nas redes, com perfis, entrevistas e resumos de jogos. Kaboré pede que os clubes com time feminino divulguem melhor suas equipes, o que pode atrair patrocinadores. Nikiéma quer que os veículos transmitam mais jogos femininos.
Os resultados das Étalons dames, a seleção feminina, em competições internacionais também podem despertar curiosidade, mas dependem do mesmo trabalho de base, formação e recursos.
Para a torcedora burquinense, o diagnóstico é de que não há uma causa única: visibilidade, verba, formação, horários e patrocínio precisam andar juntos para que a seleção e os clubes femininos ganhem público, e os próprios entrevistados tratam isso como trabalho de longo prazo.
Costumam ser no sábado ou no domingo de manhã, horário que, segundo jornalistas locais, afasta o público.
Étalons dames.
Mais cobertura da mídia, centros de formação para meninas, mais subsídio, melhor estrutura e patrocinadores.