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Indy Botosso, brasileira-dinamarquesa no Mundial: "Futebol é língua universal"

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Indy Botosso, brasileira-dinamarquesa no Mundial: "Futebol é língua universal"
Foto: FIFA/Reprodução

Nascida na África do Sul, criada na Dinamarca e com esperança de fazer história pelo Brasil no Marrocos: Indy Botosso é a prova viva de que o futebol é uma língua universal.

Porém, isso não impede que a jovem meio-campista enfrente algumas dificuldades de comunicação na Seleção Brasileira. Filha de mãe brasileira e pai dinamarquês, a atleta de 16 anos aprendeu a escrever em dinamarquês. Por isso, quando precisa anotar as instruções da técnica Rilany Silva na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA 2026™, a garota costuma recorrer ao idioma europeu – algo que diverte as companheiras de Brasil.

“As outras meninas pegam meu caderno e tentam ler. E, nossa, eu rio muito, rio bastante, porque é uma língua muito difícil”, contou Indy antes da estreia do Brasil no torneio, contra o Canadá, no dia 18. “Eu nunca aprendi a escrever em português, então eu anoto em dinamarquês e, às vezes, quando eu escuto uma palavra, tento anotar em português.”

A mistura de idiomas é apenas uma das particularidades da trajetória da jogadora. Antes de chegar à Seleção Brasileira, Indy viveu experiências em três continentes: passou os primeiros anos de vida na África do Sul, onde começou a frequentar a escola aos três anos, e depois se mudou para a Dinamarca, onde cresceu e desenvolveu sua carreira no futebol como camisa 10 da seleção dinamarquesa nas categorias de base.

“Para mim, viver em países tão diferentes, com culturas tão diferentes, é uma oportunidade muito legal. Lá na África do Sul, eu comecei a escola quando tinha três anos. E eu comecei a escola na Dinamarca com uns seis anos”, recordou. “Vim de uma casa com praia, e aí você vai para a Dinamarca e é muito frio e muito diferente. Então, tem coisas muito boas, mas tem coisas ruins também.”

Apesar da distância geográfica, o Brasil sempre esteve presente na vida de Indy. A família materna mora em Goiânia, cidade que ela costuma visitar para rever os parentes. Em casa, a conexão brasileira também passa pela culinária, especialmente por uma receita de pão de queijo transmitida entre gerações.

“Minha mãe faz um pão de queijo muito bom, porque a mãe dela a ensinou. Então, é muito gostoso. Eu gosto da culinária do Brasil”, contou. “Eu sinto que vocês estão um pouco mais alegres e gostam de dançar, é um país mais legal.”

A escolha pela Seleção Brasileira

A possibilidade de defender o Brasil surgiu quando Indy ainda representava a Dinamarca nas categorias de base. A empresária da jovem entrou em contato com Rilany Silva e enviou vídeos de suas atuações; a treinadora gostou do que viu e a convocou.

A oportunidade, porém, trouxe uma escolha difícil. Indy precisou decidir entre continuar representando o país de seu pai, onde cresceu, ou iniciar uma nova trajetória pela equipe nacional de sua mãe. O que pesou a favor do Brasil foi a identificação com o ambiente que encontrou entre as companheiras, algo que ela chama de “liberdade”.

“Foi uma decisão muito difícil para mim, porque eu ainda amo o meu país e a seleção da Dinamarca. Mas eu acho que a decisão foi por eu ter mais liberdade aqui na seleção”, explicou. “Eu vi como as meninas brincavam aqui e estavam sorrindo. Acho que foi mais por causa disso, por causa da liberdade aqui.”

A adaptação ao novo ambiente também envolve desafios. Embora fale português, Indy reconhece que acompanhar a velocidade das conversas e compreender as orientações durante os treinamentos exige concentração redobrada. “É muito difícil para mim, porque as pessoas falam muito rápido, então eu tenho que pensar bastante”, admitiu.

Dentro de campo, porém, a meio-campista encontra uma linguagem compartilhada com as companheiras, mesmo quando as palavras não chegam com tanta facilidade: “Futebol é uma língua universal, né? Tem as mesmas coisas em dinamarquês e português.”

Agora, a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA pode conhecer uma de suas jogadoras mais “globais”, enquanto Indy terá a oportunidade de buscar um título inédito para o Brasil. A meio-campista chega ao Marrocos para viver uma experiência que sempre esteve entre seus sonhos.

“Para mim, viver essa Copa do Mundo era um sonho e eu estou muito feliz por ficar aqui com todo mundo. Eu estou muito orgulhosa. Espero uma competição muito difícil, mas acho que vai ser muito legal”, concluiu.

A Seleção Brasileira estreia pelo Grupo C contra o Canadá no domingo, 18 de outubro, a partir das 12 horas (de Brasília).

Publicado originalmente pela FIFA em 16/10/2026: Indy Botosso, brasileira-dinamarquesa no Mundial: "Futebol é língua universal" →

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